Vitima da Crise
10.2.04
  FIM

Foi um período difícil, este. Estar desempregado durante um ano, dois meses e oito dias não é nada fácil e prejudica a moral até do mais forte. Ter sido obrigado a esperar nove meses e seis dias para receber o subsídio de desemprego também não ajudou nada. Quem se viu de repente na possibilidade de ser incapaz de cumprir com as obrigações que assumiu junto do banco, sem capacidades de manter o nível de vida que tinha conseguido com muito trabalho e sacrifício e, sobretudo, sem saber o que esperar do futuro, sente-se desanimado, humilhado e às vezes até mesmo em pânico. "Ferido na sua dignidade", a expressão que considero ser a que melhor define o estado de espírito de quem encontra no desemprego.
Como o que não me mata me torna mais forte, acredito que saio a ganhar desta situação. Dou agora muito mais valor ao trabalho, à estabilidade emocional e financeira que um emprego proporciona, à felicidade que é poder ter-se objectivos e uma forma de os poder atingir. Por outro lado os pequenos problemas, aquelas pequeninas chatices do quotidiano, desencontros e mal-entendidos, passam a ter para mim uma importância relativa. Há na vida coisas muito mais importantes do que isso, prioridades que devem ser atendidas mesmo que se forma resignada.

Este foi sempre um blog a prazo, que prometi terminar quando conseguisse emprego. Termina, mas não morre. Ficará aqui, para quem o quiser ler. O e-mail continuará activo e disponível para qualquer assunto.

Muito obrigado a todos. Até sempre.
VdC 
  Como conseguir um emprego

Um consultor de Recursos Humanos enviou-me recentemente um e-mail com vários conselhos, muito úteis e relevantes, sobretudo porque vêm do outro lado da "barricada" e dão uma ideia de como as coisas se processam. Este blog não é apenas meu, é de todos os que estão neste momento desempregados e à procura de emprego, por isso pedi-lhe autorização para os publicar. Tenho a certeza de que serão uma boa ajuda para todos os que se preocupam em melhorar as suas candidaturas para conseguir o trabalho que tanto desejam.

Um GRH recebe por dia umas dezenas de candidaturas ou respostas a anúncios. Às vezes são centenas. Às vezes são milhares. O seu trabalho é escolher os 10/20 melhores para apreciação mais cuidada. É portanto fulcral o CV e a carta de apresentação para se ganhar uma entrevista. O primeiro erro do VdC será eventualmente as 3 páginas do seu CV. Será mesmo necessário? Acredita se lhe disser que os melhores CV’s têm uma página, no máximo duas? E que pertencem a pessoas extremamente activas desde há bastantes anos...? É fundamental fazer um currículo dedicado à função a que se candidata. Faça uma selecção cuidada do que lhe parece ser relevante e evidenciador de competências para o emprego que procura. Não faça perder tempo ao GRH porque ele não o pode perder. Não se ofenda com o o que lhe vou dizer mas tenho muitos(as) colegas que afastam imediatamente um currículo que os(as) faça perder tempo. Tenha em mente que a toda a hora está uma montanha de papel em cima da mesa para apreciar e dar parecer num muito curto espaço de tempo. Foque bem o que quer que se saiba. Capriche na explicação de determinada função que desempenhou, não na quantidade da explicação, mas na qualidade. Sugiro a função seguida de 4/5 bullets com as principais competências. Desista das funções não especializadas que desempenhou. Já passou essa moda. Neste momento são até mal vistas algumas vezes – reflectem uma pessoa dispersa. Isto partindo do princípio que pretende uma função especializada.
Ganhando a entrevista tente rever a sua forma de pensar. Não tenho ideia de como se comportará na entrevista mas os seus posts reflectem alguma insegurança a um olho treinado. Combata a sua inteligência quando estiver a dar-se a conhecer. Não se justifique demasiado. Dê antes a conhecer motivação, confiança nas capacidades, pro-actividade, ambição… É isso que se procura. Ou pelo menos é isso que acaba por fazer a diferença entre candidatos iguais.
A questão do curso… É muito vulgar. Existem muitos candidatos com frequência universitária, ou com cursos completos que não lhes deram competências. Muito vulgar! Tente compreender que no curso não se procura propriamente competências ou conhecimentos… procura-se a capacidade de aprender, o espírito de sacrifício para estudar o que se gosta e o que não se gosta. O sucesso em finalizar um projecto duradouro. A interacção com os colegas de universidade (foco de relações privilegiadas a vários níveis) e a presunção de se querer pertencer a uma elite mais esclarecida. É essa a essência. O VdC ao dar a conhecer as suas frequências universitarias e ao querer conquistar uma responsabilidade superior ou um emprego com estímulo intelectual compete com pessoas igualmente motivadas mas já com algumas provas dadas. Provaram, no mínimo, que conseguiram compreender um número de problemas e os conseguiram resolver com fundamento científico e não apenas empírico. Mas este seria um assunto que levaria muito mais que um mail a aprofundar. Retenha o seguinte: ou tira relevo às suas frequências universitárias, ou aprenda a justificar de uma forma evidente porque desistiu. Responda sem lhe perguntarem porque achou que devia deixar de adquirir conhecimentos “certificados”. Explique que outros conhecimentos adquiriu em substituição. Minta se for necessário! Diga que foi recrutado agressivamente para o seu primeiro emprego – que a proposta pareceu irrecusável na altura e que a vida ditou o resto do caminho. Faça o resto do currículo condizer com essa estória…Mostre-se um activo fundamental.
Esqueça o dinheiro. Se consultar a pirâmide demográfica do nosso pais verá que está a concorrer com a maioria da população em procura de emprego. Neste momento não há espaço para mercenários. Menos ainda se não forem conhecidos. Primeiro ganhe o emprego. Depois mostre como o merece. Depois preocupe-se com o vencimento. Respeite o mercado. O mercado é soberano. Se pede a função A e paga X por ela… não sonhe com a função B e rendimento Y. Se der consigo a fazer algo que sente não o dignificar ou às suas capacidades… guarde isso para si. Omita-o do seu currículo e continue à procura. Mas não se acomode ou perca a oportunidade de aprender a cultura de uma nova empresa. Só o detalhe de estar ocupado e ter uma base de partida já ajuda muito nas entrevistas futuras. Não directamente… mas na sua atitude.
 
  As ajudas externas

Não creio que, agora que vou começar a trabalhar, precise ainda dos meus auxiliares de humor. Aliás, não consegui ainda decidir se me foram verdadeiramente benéficos e se me ajudaram de alguma maneira a conseguir emprego. Continuarei por enquanto a tomar os Psipax mas apenas porque o meu médico de família me avisou que não podia deixar de os tomar de um dia para o outro. Mas hoje será a minha última consulta no psicólogo. Dar-lhe-ei a boa nova, haveremos de conversar um pouco sobre o assunto, talvez façamos uma última sessão de relaxamento e no final despeço-me dele. Até nunca mais, de preferência. 
  O último passo

A entrevista no cliente final foi duríssima. Eram dois os meus entrevistadores e ambos, sei agora, desempenhavam um papel. Foram muito frios não demonstrando qualquer emoção (excepto enfado, talvez) e o seu grau de assertividade roçava a arrogância. Tentei um pouco de humor, mas nem assim consegui ver-lhes os dentes... Em momento algum percebi se o que estava a dizer estava a ser apreciado ou não, tal era a imutabilidade das suas expressões faciais. Chegaram mesmo a dizer-me que as minhas respostas eram apenas politicamente correctas, apontaram como defeito o meu (natural) nervosismo e formalidade questionando se essas eram características habituais da minha personalidade, puseram em xeque as minhas capacidades e provocaram-me ininterruptamente tentando colocar-me sobre pressão para ver como eu reagia. Aparentemente terei reagido bem, visto que fui seleccionado para o lugar. Mas tanta agressividade teve o seu efeito, pois quando saí de lá vinha completamente atordoado. Fiquei, obviamente, preocupado por não ter conseguido entender se o resultado tinha sido positivo ou negativo e, por me parecer que ainda assim entre os dois o pior seria o mais provável, comecei a preparar-me para mais um insucesso. Felizmente estava enganado e isso só torna o facto de ter conseguido este emprego ainda mais especial.
Recordo que este foi o processo de selecção mais rigoroso e exigente em que participei em toda a minha existência, por isso esta é uma vitória pessoal muito importante. Sei que isto foi apenas uma batalha e que, provavelmente, terei mais algumas iguais a esta na minha vida. Apesar disso, sinto-me como se tivesse ganho a guerra. 
9.2.04
  ACABOU-SE

Agora é difícil dizer muito mais que isto, até porque neste momento o ecrã não passa de uma coisa difusa que está na minha frente devido ao estado aquoso em que se encontra a minha vista. Mais tarde (ou amanhã) voltarei para terminar este blog de uma forma mais detalhada. Mas entretanto fiquem a saber a notícia que recebi há pouco: CONSEGUI EMPREGO! E sim, na melhor de todas as oportunidades que tinha em aberto. :-) 
6.2.04
  Como é fácil enganarmo-nos

No último ponto de situação falei de três oportunidades em aberto, das quais uma já estava bem encaminhada. Pois das três é precisamente a que estava bem encaminhada aquela que agora me parece ter menos hipóteses de resultar em emprego...
Na altura as coisas correram muito bem. Fui chamado para uma entrevista nos Recursos Humanos da empresa e senti que tinha sido apreciado positivamente, tanto que me pediram para não ir ainda embora e ter de imediato uma nova entrevista com a responsável pelo departamento ao qual me estava a candidatar. Essa também correu bem, pelo menos foi o que subentendi do facto de no final a responsável pelo departamento me ter entregue o seu cartão de visita e me ter dito para lhe telefonar caso precisasse. Mas agora que o prazo que me indicou para a tomada de decisão já está mais que ultrapassado, não atendeu nenhuma das minhas chamadas.
Decidi não insistir mais, até porque as outras duas oportunidades têm tido um desenvolvimento positivo. Á que está abaixo das minhas capacidades já só falta uma última entrevista, para a qual aguardo marcação, e que deverá ser com uma pessoa que já me chefiou, pelo que estou absolutamente confiante de obter resultados. Contudo, em relação à oportunidade que prefiro, que está dentro das minhas capacidades e de todas aquela que mais garantias de futuro me pode oferecer, tenho já a última fase marcada após ter passado pelo processo de recrutamento mais rigoroso e exigente onde me lembro de ter participado. A selecção foi realizada numa empresa de consultoria em RH onde fiz psicotécnicos, testes de português, exercícios que requeriam cálculos e interpretação de dados estatísticos, colaborei na realização de duas tarefas em grupo e entrevistaram-me exaustivamente por duas vezes, uma no início e a outra no final do processo. Sou agora entregue ao cliente final, ou seja, à empresa onde, se tudo correr bem nesta última fase, começarei a trabalhar.
Tenho motivos suficientes para isso, por isso até podia, mas não quero sentir-me muito optimista. É que aprendi durante este período em que tenho estado desempregado que é demasiadamente fácil estar errado e ser desiludido. Sobretudo agora, que em caso de desilusão será daquelas mesmo em grande. 
5.2.04
  Psicologia

No dia da consulta não tive disponibilidade para ir. Liguei-lhe a avisar, com a intenção de perguntar se me poderia dar a consulta noutro dia da mesma semana. Mas não precisei de dizer quase nada. Bastou dizer que não poderia ir à consulta para que o meu psicólogo respondesse:

- Sabe que se não vier à consulta tem que a pagar na mesma?

Talvez devido ao meu silêncio, embasbacado que fiquei com o que acabara de ouvir, pareceu-me ter notado que não escolhera a melhor maneira de me dar essa informação e procurou uma solução rapidamente.

- Deixe-me consultar a agenda a ver se lhe consigo arranjar outro dia. Pode ser 4ª Feira às 10h20m?

Poder, pode. Poder, pôde, que já lá fui. Mas já não o consegui encarar da mesma maneira. Não o vejo mais como uma pessoa que me presta apoio psicológico, mas sim como uma pessoa que não presta, que está apenas preocupada com o dinheirinho livre de impostos que vai receber no final da sessão. Algo me diz que não irei a muitas mais consultas ao Dr. Insensibilidade. 
28.1.04
  Where do you stand?

Pensei colocar como título Happy Happy Joy Joy, mas achei que era uma expressão demasiado Clube Disney, por isso escolhi esta expressão em inglês, para a qual não encontro agora correspondência na nossa língua, a qual expressa na perfeição a pergunta que me quererão fazer. Passo a responder.

Em primeiro lugar, a saúde. Os comprimidos que o meu médico de família me receitou têm o mesmo princípio activo do Prozac, também conhecido como o comprimido da felicidade. Apesar disso, não fiquei muito satisfeito com o facto dele simplesmente me ter receitado Psipax para 1 ano e me ter mandado à minha vida. Como perdido por cem, perdido por mil, preferi procurar alguém especializado. Estou então a ser tratado por um psicólogo, tendo consultas semanais a 20€ cada, sem recibo, porque com recibo é 35€ e eu ultimamente não tenho andado muito sensível à problemática da fuga aos impostos (não, Manuela, tu não leste isto). Tenho portanto um complemento para a terapia que o blog representa. :-)
Não sei se do comprimido se das consultas, mas a verdade é que me sinto bastante melhor. Estou mais confiante, tenho tido grande à vontade (mas não à vontadinha) nas entrevistas e aceito melhor "a minha condição". Estou estupidamente optimista e não sei explicar porquê. É claro que ajuda ter neste momento 3 oportunidades de trabalho em aberto. Uma está bem encaminhada (duas fases ultrapassadas), está dentro das minhas competências e especialização e mesmo em termos financeiros a proposta é interessante. Já em termos de estabilidade e de perspectivas futuras não me parece a hipótese mais agradável, visto tratar-se de uma contratação em outsourcing a termo indefinido e sem direito a período de vacanças, sendo pago no final do mês o proporcional do subsídio de Natal e de Férias. Como é isto possível em termos legais, não sei, mas daí se explicam os valores engraçados de que me falaram...
As outras duas oportunidades estão para todos os efeitos na mesma fase, embora as empresas lhes tenham trocado a ordem. Assim, numa delas já fui entrevistado e tenho marcados psicotécnicos para o final da semana, e na outra já fiz psicotécnicos e tenho a entrevista por agendar. Em ambas já me foram informadas as condições, sendo que na primeira os valores assemelham-se aos da remuneração que auferia na minha última função e os da segunda não chegam nem a metade do valor. A primeira está dentro das minhas capacidades mas não é do ramo no qual sou qualificado e a segunda é no ramo no qual tenho qualificações mas está abaixo das minhas capacidades. Um pormenor muito interessante sobre a primeira é que logo no dia em que me contactaram fizeram questão de frisar que é um trabalho com isenção de horário que implica grande disponibilidade por parte da pessoa, algo que foi por demais repetido durante a entrevista. É engraçado que, apesar de já me imaginar a trabalhar 16 horas por dia, estou muito entusiasmado. Acabo de dar conta que já tenho saudades de ser explorado... :) 
  As ajudas (são benvindas)

Primeiro Tchernignobyl e depois Luís Ene questionam-se sobre se alguém poderá fazer algo para me ajudar. E têm razão em perguntar porque eu já devia ter relatado as ajudas que me chegaram (que me chegaram algumas) e tê-lo-ia feito na devida altura não fosse o crescente afastamento que tenho tido deste blog.
O Manuel Alçada (ex-Assembleia e actual Cruzes Canhoto) foi uma das pessoas que o fez, por duas vezes até, a última das quais ainda não há muito tempo. Acho importante partilhar o que lhe escrevi em resposta:

"Como sabe, edito o blog anonimamente. Recordo-me que já tinha oferecido a sua ajuda anteriormente, mas na altura devido ao meu desejo de reserva de identidade escolhi não lhe enviar o meu CV. Não foi por uma questão de falta de confiança em si, mas porque ninguém, nem sequer as pessoas que me estão mais próximas têm conhecimento da existência daquele blog, embora conheçam o outro que mantenho. É demasiadamente íntimo o que lá está escrito e, apesar de sem dificuldade o partilhar com o mundo, prefiro deixar os meus no desconhecimento das minhas fraquezas. Precisava de desabafar e assim fi-lo sem prejuízo da sua moral, protegendo-os e tentando fazer deles os meus refúgios optimistas, o que duvido ter sido possível se conhecessem a extensão da minha apreensão. Mas agora acho que, tendo chegado ao ponto a que cheguei, isto já não se justifica."

Enviei o meu C.V. e o Manuel tem tentado uma colocação para mim através da empresa de Recursos Humanos onde trabalha (mais uma vez, obrigado!). Mas apesar de lhe ter revelado a minha identidade, este continua (e continuará) a ser um blog anónimo e seguirá sendo editado no desconhecimento dos meus amigos e familiares. Algumas das razões estão aí em cima e as restantes espalhadas por vários posts no blog. Contudo, aceito e agradeço a ajuda de quem, seja ou não por inerência das suas funções, esteja em condições de o fazer.

Mas, tão ou mais importante, recebi também outro tipo de ajuda: apoio moral. Para além dos links, dos comentários nas entradas e de todos os posts que este blog já motivou, devo destacar dois e-mails.
Um deles chegou vindo do Nélson do Ai Jasus! logo no dia seguinte a eu ter escrito isto. O Nélson tem sido um leitor fiel e, como todos os outros, não me conhece. Mas quando sentiu que eu estava a ir-me abaixo, apressou-se a enviar-me uma mensagem para me dar ânimo (Nélson, a resposta está em dívida, pagarei assim que possa). A sua atitude comoveu-me e ao mesmo tempo deu-me força. Um desempregado tem a sensação de que está sozinho, de que é o único a atravessar momentos difíceis e que os seus problemas são incompreensíveis para a maioria das pessoas. O Nélson percebeu isso e relatou-me o seu próprio caso e dessa maneira voltou a colocar-me nos carris da objectividade (que linda imagem!).
Esta solidariedade está também presente numa mensagem que recebi na mailbox durante o fim de semana. Um consultor de Recursos Humanos que, para além de uma extensa lista de conselhos práticos que vou pedir para publicar, me escreveu esta frase: "confronto com a realidade que descreve todos os dias e no entanto nunca a tinha sentido tão fundo". Antes de mais, fico feliz por, aparentemente, ter conseguido expressar bem os sentimentos que me percorrem e que, calculo, percorrem qualquer outro desempregado. Há no entanto uma palavra que eu penso que nunca usei aqui e que vi Pacheco Pereira usar na SIC quando, há 2 ou 3 semanas atrás, puxou as orelhas a Bagão Félix por este ter desvalorizado um atraso de 3 dias no pagamento do subsídio de desemprego. Com essa palavra - dignidade - Pacheco Pereira fez uma afirmação que pode servir como sumário de tudo o que já disse neste blog: "Um desempregado sente-se ferido na sua dignidade". Precisamente. 
  APELO

Soube por aqui que o Vítima da Crise foi referido na revista Única do Expresso. Apesar de ter comprado o habitual calhamaço ao fim de semana para a habitual consulta do Caderno de Emprego, infelizmente não tenho a revista por dela me ter esquecido no Algarve, de onde regressei hoje depois de ter aproveitado um dos raros fins de semana em que a namorada consegue ter os dois dias de folga seguidos (contigências de quem trabalha por turnos). Por isso peço e agradeço em antecedência a quem quer que me possa enviar por e-mail uma digitalização do artigo. 
  Agradeço

Todos os links, e-mails e votos de sucesso que me chegaram neste período em que estive sem actualizar o blog.

Bloggaridades - SocioElegias
Cócegas da Língua
Sempre Em Frente, Amor
Desportista Urbano
Porque Morremos, Senhor?
Não se Nasce, Fica-se
Como se Fosse Uma Baleia
A Chama do Dragão
A Tribo dos Sonhos
ABsurdo(.)
Santa Cita
Mil e Uma...
BdE II, especialmente a Tchernignobyl e José Mário Silva 
29.12.03
  Anedota

Como é que se reconhece um desempregado entre os clientes de um café? É aquele que leu apenas os classificados do jornal, só tem uma chavená de café na mesa e os olhos fixos no vazio. 
  Ponto de situação

Numa palavra: desânimo. É essa a explicação para me ter afastado do blog, deixando praticamente de o actualizar. Mesmo nos últimos tempos, quando o actualizo já não faço o que costumava fazer. Há algum tempo que não há Balanço Semanal, os Sites úteis ficaram-se pelo primeiro e também deixei de relatar os (poucos) episódios que ainda me vão acontecendo. Mas facilmente isto se resolve. Querem ver?

- Nenhuma oportunidade em aberto.
- Número reduzido de candidaturas efectuadas nos tempos recentes
- Nenhuma das candidaturas que efectuei se relaciona com a minha área profissional, porque para essa simplesmente não há
- A Segurança Social já me pagou tudo o que devia, tendo inclusivamente feito o acerto necessário devido ao erro nos seus cálculos
- Já só tenho direito a mais um mês de subsídio de desemprego
- Durante o mês de Janeiro tenho obrigatoriamente de conseguir trabalho, seja ele qual for
- O banco cobra-me uma prestação num valor que eu antes pagava sem dificuldades e que agora é pouco menor do que os salários que se me perspectivam
- O médico de família acaba de me receitar um conhecido anti-depressivo para ver se eu "arrebito"

Percebem donde aparece o desânimo? 
28.12.03
  Intervenção Técnica (VI) - Fim

O que se passou a seguir é feio demais para contar em pormenor. Cheguei a essa conclusão durante o hiato no qual este blog ficou por actualizar. Estou muito arrependido da reacção agressiva que tive. Deitei tudo cá para fora, o que devia e o que não devia e fi-lo sempre da pior maneira, gritando com a TOP (técnica de orientação profissional, para quem perguntou) e inclusivamente com alguns dos meus "colegas" que sairam em defesa da senhora.
Não me consegui conter - não consegui evitar fazê-lo e mesmo enquanto o fazia não consegui parar de o fazer.
Envergonhei-me e talvez por isso tenha demorado tanto tempo a voltar aqui para continuar o episódio. Decido voltar não para o continuar, mas para o encerrar. Este dia não existiu. 
1.12.03
  CONTINUA ASSIM QUE POSSÍVEL (ASAP PARA OS ANGLÓFILOS) 
  Intervenção Técnica (V) - As ajudas

Na verdade, serão mesmo ajudas efectivas? Vejamos.

1. A inscrição num centro de emprego local restringe-se à área que aquele centro abrange. Ou seja, no meu caso sou candidato a emprego em apenas dois concelhos. Há, segundo a TOP, a possibilidade de alargar a inscrição para o nível regional ou mesmo nacional. Mas só agora, 9 meses depois de me ter inscrito, é que isto me é informado.
2. As vagas locais oferecidas pelo IEFP estão afixadas num quadro de corticite no centro de emprego. As regionais e nacionais podem ser consultadas a pedido em dossiers. Dependem, obviamente, de terem sido actualizados pelas funcionárias. Para maior certeza de actualização, consulte-se a Internet. Para consulta das condições e requisitos das funções em recrutamento é obrigatória a consulta ao Diário da República onde foram anunciadas as vagas. Os Centros de Emprego não têm computadores nem o Diário da República acessíveis aos desempregados.
3. Os centros de emprego podem ajudar na criação do próprio emprego ou empresa. É necessária a apresentação de um projecto, o qual será sujeito a avaliação pelos seus técnicos. O meu colega vendedor de automóveis fê-lo e para um trespasse de uma loja para o qual necessitava de 6 mil contos ofereceram-lhe 2 mil. Desistiu.
4. É oferecida formação subsidiada para qualificação, reconversão ou aperfeiçoamento profissional. Os cursos oferecidos são pouco ambiciosos. A maioria das ofertas nesse âmbito oferecem qualificações baixas, sobretudo para funções na indústria, como por exemplo calçado e curtumes, metalurgia e metalomecânica, indústrias extractivas, etc, conforme a TOP me explicou em termos gerais. A oferta para a nova vaga de desempregados (técnicos qualificados e licenciados) é quase inexistente ou inadequada. Tudo o que perguntei não existia. E tive de perguntar porque a TOP se recusou a dar-me uma lista de cursos, já que é dela essa função nas sessões de orientação profissional, como se verá no próximo ponto.
5. É possível a participação em programas de orientação profissional. Na presença e pelo aconselhamento de uma TOP, o desempregado é "orientado" sobre o curso ou função mais adequada ao seu perfil curricular. A sensação com que fiquei é que a própria TOP pode, se quiser, "orientar-se" com o centro de formação privado que melhor a remunerar para desviar para lá candidatos aos cursos. Pareceu-me ser sua política (não necessariamente do IEFP) não dar uma listagem dos cursos aos candidatos. Parece-me óbvia a razão: não é segredo para ninguém que isto é um negócio da China, com os formadores desses centros a ganharem mais de 50€ à hora. Talvez as TOP consigam uma parte do bolo por via das suas "orientações".
6. Pode-se obter informação sobre protecção social no desemprego. Mas segundo a TOP, essa responsabilidade é da Segurança Social, não deles. Ela até desconhecia o Guia da Protecção Social no Desemprego, editado e disponível no site do IEFP.
7. Pode-se participar em programas ocupacionais. O objectivo não é mais do que isto: ocupar os desempregados. Uma das presentes na intervenção técnica, desempregada com um filho de 16 anos e outro de 13, ganhando 80 contos de subsídio, foi encaminhada para a Santa Casa da Misericórdia. Ali oferecem-lhe o pequeno almoço, o almoço e o passe social. Perspectivas de ficar lá a trabalhar: nenhumas. Mas pelo menos está ocupada.
8. Os centros de emprego ensinam técnicas de procura de emprego. Aprende-se a fazer um currículo, escrever uma carta de candidatura, responder a um anúncio, a sentirmo-nos à vontade numa entrevista e a conhecer e a explorar as oportunidade de trabalho existentes na região. Mas a TOP desconhecia todos e quaisquer sites de emprego na Internet. 
  Intervenção Técnica (IV) - As outras Vítimas da Crise

Poucos falaram. Como não houve iniciativa por parte da TOP nesse sentido, foi difícil conhecer a história de cada um, mas pelas conversas apercebi-me que, para além do anteriormente referido vendedor de automóveis, haviam um agricultor, uma antropóloga, uma designer industrial, uma professora de matemática.
O vendedor de automóveis, casado e com dois filhos, ficou desempregado um mês antes da mulher. Ambos trabalhavam num dos ramos de actividade mais afectados pela recessão, ambos viveram bastantes dificuldades por só receberem o subsídio de desemprego 7 meses depois de o terem pedido. Segundo ele, pelo menos não lhe aconteceu como a uma pessoa a quem conheceu a história. Um homem, desesperado, telefonava diariamente para a Segurança Social para saber quando teria o subsídio processado para que lhe enviassem o cheque. Vendo-se sem alternativas, suicidou-se de manhã tendo o cheque chegado à caixa do correio à tarde. A história pareceu-me um bocadinho uma lenda urbana, mas de qualquer forma não quis deixar de a contar.
O agricultor tinha sido despedido pelo patrão devido à descida do preço do leite.
A antropóloga licenciou-se e até este momento não conseguiu melhor que fazer estágios não remunerados.
A designer industrial nem estágios consegue.
A professora de matemática ficou de fora nos concursos. No caso, acho que ainda bem. Não confio em pessoas que dizem "ensino segundário"... 
  Intervenção Técnica (III) - Insensibilidade e falta de bom senso

A verborreia da TOP (entenda-se como diarreia verbal) ocupou quase duas horas só com os pontos anteriores. Se antes tinha feito questão de nos fazer saber que não tinha conhecimento dos temas da actualidade por não ler jornais ou ver noticiários televisivos, agora que ia entrar finalmente na explicação dos apoios disponibilizados pelo IEFP fazia-nos saber que não tinha nem queria ter conhecimento das nossas informações curriculares. De outra forma, justificou, prestar-nos-ia um mau serviço tentando adaptar as informações que daria a cada um de nós. Assim, esperava informar-nos de forma mais geral e, claro, se quisessemos informações mais concretas poderiamos solicitar uma entrevista de orientação com ela (e dessa forma justificar a sua necessidade na estrutura do Centro de Emprego, digo eu). Nunca perguntou o nosso nome nem pediu uma apresentação individual. Penso que dessa forma pretendeu evitar algum sentimento de empatia que pudesse eventualmente despontar nela. É muito mais fácil ser-se incompetente quando não se sente problemas de consciência provocados pelas repercussões negativas dos nossos actos sobre os outros. 
25.11.03
  Intervenção Técnica (II) - Quem Mexeu no meu Queijo

Usou primeiro o argumento "aqui trabalha-se": o IEFP não é função pública, é um instituto público e os seus trabalhadores têm contrato individual de trabalho. Seguiu depois para a explicação de como está organizada a estrutura. Sede em Lisboa, 5 delegações regionais sendo esta a de Lisboa e Vale do Tejo e finalmente os Centros de Emprego locais, neste caso abrangendo dois concelhos. Há duas áreas principais de actuação: o emprego e a formação (DAH!). Na área de emprego a função principal, em termos gerais, é a gestão da oferta e da procura. Na área de formação gerem-se os centros próprios do IEFP e os protocolos com empresas de formação privadas ou os centros pertença de associações empresariais, como a AECOPS ou o CENFIC. Será esta última a área que deverá ser afectada com o final das transferências de dinheiro da UE e que poderão levar ao desemprego as TOP e as "dezenas" de outros colegas que, há muitos anos, desempenham funções no IEFP relacionadas com a formação profissional.
Lamentou-se sobre o fim dos QCA, vociferou contra a entrada de novos países na UE, argumentou sobre o secar das tetas da vaca. Mas nem uma palavra sobre o que pensavam fazer para a reconversão desses serviços, sobre planos de adaptação a essa (aparentemente) inevitável nova realidade. Uma desgraça, trabalhadores qualificados e experientes que perderão os seus empregos por causa dos burocratas da UE. Esqueceu-se foi que foram esses mesmos burocratas que lhe deram emprego até agora por via de um programa de fomento do emprego, que à partida já tinha um carácter temporário. Esqueceu-se também que o alvo da sua missão, os desempregados, serão, esses sim, os verdadeiros prejudicados pelo fim dos subsídios para formação profissional.
Proponho com carácter de urgência a criação de uma formação sobre "Como lidar com a mudança" para auxílio a estes futuros desempregados. 
  Intervenção Técnica (I) - Primeiras impressões

Foi hoje. Para não ficar à porta, como da outra vez, cheguei 5 suficientes minutos antes da hora mas agora seria a funcionária a chegar atrasada em 10 minutos. Não começavamos bem...
Entrámos 15 pessoas para uma sala com uma enorme mesa de reuniões, desconhecendo que teriamos a partir dali uma experiência kafkiana. A funcionária, que se apresentou como Dra. Paula Maria (nome fictício), Técnica de Orientação Profissional (doravante designada TOP) licenciada em Psicologia, fez questão de frisar que tirando a sua área de estudo "não percebe nada de nada" de economia, política, ou qualquer outra área que pudesse eventualmente gerar discussão entre os participantes. A TOP, uma senhora descuidada de cabelo sujo e despenteado e com umas olheiras de meter medo ao Susto (lembram-se do cão que escondia a cabeça com uma casota?), faz a primeira pergunta.

- Sabem porque é que estão aqui?
- Porque fomos convocados?


A resposta foi dada pelo meu vizinho do lado, o mais falador de todos nós. A profissão, caso não a tivesse revelado, seria fácil de adivinhar: vendedor de automóveis.
Sim, tinhamos sido convocados, mas porque é que tinhamos sido convocados? Fomo-lo no âmbito do Plano Nacional de Emprego, medida que até já passou do prazo de aplicação mas que tem sido prolongada para aproveitar os fundos estruturais enquanto estão disponíveis. Em 2006, com a entrada de novos membros na UE, acabam-se os quadros comunitários de apoio (QCA) e dessa forma acaba-se o trabalho para muitos funcionários do IEFP, possivelmente para a TOP também.

- Um dia destes poderei estar aí sentada.

Estava dado o mote para o discurso corporativista que se seguiria. Só lhe faltou dizer "estavamos tão bem sossegadinhos"... 
18.11.03
  É Natal na Segurança Social

Nunca tinha estado tanto tempo em espera como hoje para falar para lá: mais de 40 minutos. A música infelizmente mudou, já não é Madredeus. Agora são as músicas de Natal (em alemão) dos Pequenos Cantores de Viena. Esse CD felizmente acabou mas depois começou um horrível Coro Gregoriano português que não consegui identificar que até o Last Christmas dos Wham cantavam... AARRGHH!!! 
  Rol de despesas imediatas

Os últimos 2 meses foram os mais difíceis. Como implicavam o dispêndio de um dinheiro que não tinha, vi-me impossibilitado de fazer algumas coisas de que necessitava mas que podem ser consideradas supérfluas e, pior do que isso, fui obrigado a pedir dinheiro emprestado para as despesas que não podiam esperar, algo humilhante e sobretudo desnecessário se os serviços da Segurança Social funcionassem correctamente. Por isso, já tenho destino para uma parte do dinheiro.

1. Acertar as minhas dívidas
2. Como prémio pela paciência que tiveram comigo nos momentos de maior desânimo e desespero, vou levar a minha namorada e pais a jantar fora
3. Marcar o arranjo do elevador do vidro do carro, que se partiu, fazendo com que este se abra sozinho em andamento
4. Comprar um novo relógio despertador para o quarto devido à avaria do actual no mês passado 5. Comprar pilhas para os meus 2 relógios de pulso que decidiram parar quase ao mesmo tempo, para que possa deixar de ver as horas no telemóvel
6. Comprar algumas prendas natalícias aproveitando o menos inflacionado Novembro para o efeito
7. Fazer o único reforço do ano na conta Poupança Habitação

Depois disto, volto obrigatoriamente ao modo "forreta".
Já agora explico o destino 7. Da indemnização não separei dinheiro por contas a prazo, não comprei obrigações nem acções, não fiz amortizações de créditos, nada. Deixei todo o dinheiro à ordem para a eventualidade de dele vir a precisar, o que infelizmente se confirmou. Poupei e estiquei-o até ao limite do possível. Se não tivesse procedido assim, as minhas dificuldades teriam começado muito antes dos últimos 2 meses. É portanto um consolo para mim saber que tomei a atitude correcta e é também por isso que, agora que posso, vou transferir para a CPH o valor que me permite obter o benefício fiscal máximo. Como recebi indemnização, penso que estou "habilitado" a ter que pagar imposto sobre esse montante. Já agora só faltava pagar IRS tendo estado desempregado o ano inteiro... Não há por aí um contabilista amigo que me possa esclarecer? 
  JÁ RECEBI!!!

Abri a página do homebanking sofregamente. Contas à Ordem, Consultas, Saldos... YESSSSSSSS!!!!!!!! A primeira tranche já cá canta. Sem acertos, com base no valor incorrecto, mas mesmo assim está lá, desde ontem. No total demorei 9 meses e 6 dias a receber... 
  Pagamentos, acertos e tranches

Mas ontem restou-me uma outra dúvida. Só mais tarde me apercebi que poderia sem querer ter travado o processo, impedindo que, por causa da reconhecida necessidade de refazer os cálculos, a Segurança Social me pagasse já neste mês o valor que tenho a haver. Por isso hoje liguei de novo e, embora não tivesse conseguido falar com Fátima Brás, fui informado por uma sua colega que o acerto necessário só será feito no mês que vem exactamente para prevenir que viesse a acontecer o que eu temia. É uma prova de bom senso da ex-disléxica funcionária. Mas melhor do que isso foi saber que, afinal, o que tenho a haver me é pago em duas tranches. A primeira, já processada e enviada para o banco diz respeito ao valor acumulado até Outubro e a segunda refere-se à prestação do mês de Novembro. Ao contrário do que eu pensava não me pagariam o valor por inteiro e desta maneira havia possibilidade da primeira tranche já estar depositada no banco, pelo que me aconselharam a confirmar o meu extracto. E foi o que fiz, fui ver se tinha Natal este ano. 
17.11.03
  Descoberto o erro

Afinal a senhora não era disléxica. Quando consegui falar com ela disse-me que já tinha uma explicação para o motivo do subsídio de desemprego ter um valor bastante abaixo do dos meus cálculos: não tinha somado o mês de Novembro de 2001, logo um mês em que para além do ordenado se recebe o subsídio de Natal, daí a diferença ser tão grande. Não o somou porque para fazer os cálculos usou "a Internet" (?) e não o sistema antigo, e na "Internet" esse mês não estava lançado. Agora não pode ser ela a refazer os cálculos, é obrigatório que seja outra colega, uma regra que me explicou existir no seu departamento. Já passou o processo e diz que até dia 20 (data dos processamentos dos subsídios de desemprego) isso deve ficar feito mas que só pode ser confirmado no sistema uns dias depois, 3 no mínimo, antes não aparecem as alterações.
Mais uma vez decidi não hostilizar a funcionária. Poderia ter-lhe perguntado que raio de segurança tem um beneficiário quando os sistemas informáticos apresentam disparidades entre si, que merda de sistema informático é aquele que não valida as condições obrigatórias para o pagamento de prestações de desemprego como os dias de trabalho necessários para se ser elegível para esse efeito e que raio de competência se pode esperar do factor humano desta cadeia quando ela aprova e faz seguir como correcto um cálculo com base em 11 e não 12 meses como obriga a lei. Fica a dúvida: quantos mais estarão ser enganados nos valores a que têm direito receber? 
  Oportunidade Kaput!

Com o tempo previsto para o final do processo de recrutamento ultrapassado sem receber notícias, vejo-me obrigado a ligar para saber se fui ou não seleccionado. Sou recebido com uma conversa esquiva, que se furta a informações concretas e à transmissão de más notícias. Apesar do pudor da interlocutora, não é difícil perceber que quando nos dizem que vamos receber uma carta em casa é porque não pensam em contratar-nos.Tendo essa certeza, perguntei porquê, informando que não procuro tirar desforço mas sim melhorar o meu nível, eliminando pontos fracos que tenho para as entrevistas que possam estar por vir. "Os recrutamentos são sempre subjectivos", explicaram-me, mas no meu caso, que até era um candidato bem colocado, traíu-me a falta de experiência em processos de certificação de qualidade, um requisito que não estava explícito no anúncio.
Mais um exemplo da tal história de que falei ontem sobre as diferenças de métodos e atitudes entre as empresas nacionais e internacionais.
A reter: já só tenho uma oportunidade em aberto
  Estou convocado

Ao contrário do que eu pensava, não demorou 8 meses. Já tenho o postal que me comunica a nova data para a intervenção técnica. Conseguiram remarcar para o mesmo mês, um progresso assinalável! 
  Para os mais impacientes

Já o disse por várias vezes: independentemente de serem empresas especializadas em RH ou os próprios departamentos de RH das empresas a tratar do recrutamento, há uma grande diferença de comportamento entre as empresas portuguesas e as estrangeiras. As primeiras desprezam o candidato, dão-lhe pouco ou nenhum feedback, após resultado negativo na selecção não informam o candidato desse facto, não respondem a envios espontâneos de CV's, etc. As segundas são polidas, atenciosas, primam por explicar todos os passos do processo, informam pormenorizadamente dando feedback completo mesmo em caso negativo, têm enfim uma atitude completamente oposta. É uma evidência que me entristece, porque sendo os funcionários portugueses em ambas as empresas chega-se à conclusão de que isso poderia não ser assim.
Na passada 6ª feira tive uma nova prova de que a filosofia das empresas estrangeiras assenta em princípios de objectividade, transparência e respeito para com o candidato, inexistentes nos processos de recrutamento feitos pelas empresas nacionais. Recebo uma chamada a avisar que mais para o fim da semana que vem, ou seja, para o fim desta semana, devo receber um convite para uma 2ª entrevista relativa a esta oportunidade. Ao permitirem preparar-me com bastante antecedência para a dita entrevista demonstram que, ao contrário das empresas nacionais (de RH neste caso), as estrangeiras sabem que o foco da sua actividade é o candidato e que, apostando nele, poderão apresentar às entrevistas pessoas teoricamente mais capazes e dessa forma criar condições para continuar a ter as empresas que recorrem aos seus serviços como clientes.
Neste caso particular, de empresas multinacionais de serviços de RH, conseguem conciliar a seriedade com um objectivo comercial muito bem definido. É deste tipo de características que as empresas nacionais precisam; são características como estas que definem o grau de sucesso de uma empresa tornando-a ou não numa vencedora. 
  Regra: não dar o braço a torcer

Falei com a "disléxica" na 6ª feira. Como esperava, tinha desvalorizado a importância do meu fax.

- Sim, já vi para aí o seu fax no meu monte de correspondência.
- E?
- E o senhor deve ter feito os cálculos pelos montantes que constam nos recibos de vencimento.
- Não, fiz os cálculos pelos montantes que constam nos comprovativos que as suas colegas do atendimento me forneceram, impressos directamente do vosso sistema.
- Mas alguma coisa deve ter feito errado. De qualquer forma, hoje não posso. Trato disso na 2ª feira.


Mesmo que eu tivesse feito os cálculos pelos valores que estão nos recibos de vencimento teria obrigatóriamente que chegar ao montante correcto do subsídio, porque naturalmente esses valores têm que ser iguais aos valores declarados à Segurança Social. Mas nem lhe disse nada, é melhor não hostilizar porque o resultado pode ser imprevisível. Admitir que se cometem erros não é uma das características fortes no funcionalismo público. Até faz pensar que isso deve fazer parte dos requisitos de carácter obrigatórios para se ser funcionário público... 
12.11.03
  Hoje

Recebo a tal carta.

"Pelo presente ofício informa-se V. Exª que o requerimento de SUBSÍDIO DE DESEMPREGO foi deferido com efeitos a partir de 11/02/2003..."

Vejamos o artigo 22.º da Lei 119/99:

Montante do subsídio de desemprego

1 – O montante diário do subsídio de desemprego é igual a 65% da remuneração de referência e calculado na base de 30 dias por mês.
2 – A remuneração de referência corresponde à remuneração média diária definida por R/360, em que R representa o total das remunerações registadas nos primeiros 12 meses civis que precedem o 2.º mês anterior ao da data do desemprego.
3 – Para efeitos do disposto no número anterior, só são consideradas as importâncias registadas relativas a subsídios de férias e .de Natal devidos no período de referência.


O valor diário a pagar que agora me apresentam é 5€ menor do que aquele que apurei com os meus cálculos. Só me faltava esta...
Fiz os cálculos ao contrário partindo do valor diário para chegar ao valor das remunerações no período de referência totalizado pela Segurança Social. Depois tentei retirar parcelas dos meus salários mensais que pudessem explicar a diferença, mas não consegui. A diferença não tem explicação.
Liguei para o Atendimento Geral para confirmar se haveria alguma parcela que eu estivesse a somar e que não devesse fazer, mas não, dizem-me que estou a fazer os cálculos correctamente. A explicação para a diferença, diz a funcionária, pode ser a inexperiência de algumas colegas que foram integradas à pressa no departamento de desemprego e uma possível "dislexia visual". Pelos vistos a dislexia é uma doença relacionada com o desemprego...

Lá vou ter que preparar um fax com carácter urgente para apresentar a minha reclamação. Vamos ver quando tempo é que demorará agora. 
  Ontem

Comemorei em conjunto com S. Martinho a data em que decorreram 9 meses desde a data do meu pedido de subsídio de desemprego.
Recebi nova chamada de Ana Moura da Segurança Social, repetindo aquilo que já tinha dito (ver ponto 3): o subsídio foi processado, vou receber uma carta que indica os valores, não pode dizê-los pelo telefone. O facto de repetir esta chamada diz muito da organização da SS. 
10.11.03
  O Fórum da Vergonha

Mais uma boa ideia que é desperdiçada sem resultados práticos. O Ministério da Segurança Social e do Trabalho tem um fórum online na sua página. O conceito é copiado dos fóruns de suporte das empresas, como a Microsoft por exemplo, que tantos de nós utilizamos para procurar informação e tirar dúvidas na utilização de aplicações, equipamentos, etc. A utilidade desse tipo de serviços é inegável, na minha opinião. Só que as perguntas colocadas no fórum do MSST não têm nem nunca tiveram resposta por ninguém ligado ao Ministério...
Viva o e-Government!!!

Portugal em Acção 
  Mais emprego público

O site do IEFP tem mais ofertas de emprego na Administração Pública, sobretudo para Câmaras Municipais e Universidades. Os anúncios, como concursos públicos que são, têm publicação obrigatória na II ou III Série do Diário da República (dependente do tipo de concurso ou entidade) onde são descritos os requisitos e métodos para a realização de candidatura. E até há um link para o Diário da República Electrónico para que se possa consultar essas informações imprescindíveis. Parece-me tudo bem, menos o facto do acesso a essas séries ser só por assinatura e os preços não serem nada meiguinhos...

INTERNET - NOVAS ASSINATURAS (IVA 19%)
1.ª Série
100 Acessos 120,00 €
200 Acessos 215,00 €
300 Acessos 290,00 €
2.ª Série € 120,00 € 215,00 € 290,00
Concursos Públicos, 3.ª Série € 120,00 € 215,00 € 290,00
Actos Societários, 3.ª Série 100 Acessos 250 Acessos 500 Acessos Ilimitado * € 22,00 € 50,00 € 90,00 € 550,00

* Até 31/12/2003 
  BEP

A Bolsa de Emprego Público já funciona e tem ofertas. São só 5 mas é melhor que nenhuma. O link está na coluna da direita. 
9.11.03
  Finalmente os comentários

O Ginger Ale pergunta, optimista, qual vai ser o novo nome do blog, no que é secundado pelo Altino Torres que afirma ser natural que quando eu comece a trabalhar o tema passe da problemática do desemprego para a do emprego. Um anónimo, prestes a tornar-se uma nova vítima da crise, pede-me que resuma o que se passou para que eu ficasse no desemprego de maneira a que ele possa ter uma ideia do que o espera. Respondo aos três ao mesmo tempo.
Optei por editar este blog de forma anónima porque há quem possa julgar que eu posso estar a quebrar alguma regra ética na divulgação de episódios relacionados com a Segurança Social e sobretudo sobre a minha carreira profissional e empresas onde trabalhei, partilhando informação interna na Internet. Evitei sempre naquilo que escrevi poder ser acusado disso, mas essa (sei por experiência própria) é uma possibilidade. Perdoem-me a mania da perseguição mas quem já foi prejudicado profissionalmente pela sua chefia que mesmo tendo aprovado a elaboração de uma brincadeira por ocasião do aniversário da empresa considerou que, tendo essa brincadeira sido tornada pública por intervenção de outrém, se não a tivesse feito nada daquilo teria acontecido (lógica da batata: se a minha avó tivesse rodas era um camião). Ou seja, para resumir aquilo que se passou teria que ser muito concreto e isso não posso fazer online. Portanto, Altino, também pela especificidade dos assuntos que podem decorrer de uma nova actividade julgo não poder manter um blog relacionado, sob pena de poder ser mal interpretado e enviarem-me de volta à condição de vítima. Logo, Ginger Ale, este blog não mudará de nome, simplesmente cessará a sua actividade assim que consiga um novo trabalho. Não o vou apagar, ficará online e continuarei disponível no e-mail e a visitá-lo para ver se há novos comentários mas terminarei a sua edição.
A Gotinha pergunta se já pensei escrever um livro sobre as minhas desventuras e até nem foi a primeira pessoa a fazer essa sugestão. Isto, é claro, deixa-me muito lisonjeado, mas não acho o que escrevo aqui tenha qualidade literária, não sou nenhum Pipi. Apesar disso penso que um livro com este tema poderia provocar alguma curiosidade nas pessoas e até, quem sabe, vender bem. E bem me dava jeito o dinheiro. Talvez se a Sra. Dona Bomba achar que é caso para isso, mas não creio.

Agradeço também a Jordi, Trio de Ases, D, Nelson Gonçalves, Susa, Canzoada e à Blond Girl pelos comentários simpáticos e pelos desejos de boa sorte. Um obrigado muito especial à Mitómana e à Maria da Fé (continue a desabafar que faz bem), ambas também no desemprego, para as quais desejo em dobro o que desejam para mim. 
7.11.03
  Sinto-me estranho em fazer isto pt II

Não me esqueci das respostas que quero dar aos comentários, mas agora tenho que sair, terão que ficar para mais tarde. Até já. 
  A segunda e a nova oportunidade

Foi uma entrevista light, muito light, durando pouco mais que meia hora. Pouco mais do que fazer o meu resumo profissional e receber uma descrição da função. No final, o desvendar do nome da empresa que está a contratar, anónima até aí. Só que essa empresa e a função são exactamente as mesmas da "nova oportunidade". Isto significa que estou a participar em dois processos de recrutamento distintos, em duas empresas de RH diferentes, mas para a mesma vaga.
O meu entrevistador não gostou muito, nem eu aliás, mas de qualquer forma disse que ia avançar com a minha candidatura, pelo que presumo que também aqui já passei a primeira fase.
Apesar disto, deu para perceber uma coisa. Há urgência na contratação, o que leva a empresa a usar pelo menos duas recrutadoras, em que uma delas me faz uma entrevista menos exigente e a outra nem sequer faz uma nova entrevista. Isto pode ser altamente positivo para quem, como eu, tem disponibilidade imediata.
Tenho pena que a nova oportunidade afinal não seja nova, o que me deixa uma "not so good feeling", mas por outro lado estou mais optimista do que alguma vez estive. 
  A primeira e a nova oportunidade

Quando estava a chegar à primeira entrevista, pouco antes de entrar na empresa, recebo um novo telefonema, a tal nova oportunidade que referi ontem. Tinha sido entrevistado por essa pessoa em Maio, antes ainda da existência deste blog, mas não consegui o lugar por falta de competências académicas e profissionais num dos requisitos, tal como me explicou detalhadamente fugindo ao tradicional secretismo imposto pelas empresas de RH sobre os motivos da não-selecção. Aparentemente agradei, de tal forma que se lembrou de mim e ligou a saber da minha disponibilidade, questionando-me sobre se estaria interessado numa vaga que abriu na mesma empresa, embora seja para uma função de menor responsabilidade. Óbvio que respondi que sim e sem mais disse-me que ia imediatamente promover o meu CV junto da empresa. Ou seja, nem preciso de nova entrevista, a primeira fase já está ultrapassada.
Isto naturalmente motivou um constrangimento para a entrevista que se seguiu. Ofereceram-me um part-time de 5 horas diárias, precedido por uma formação em full-time remunerada mas não declarada oficialmente (se fosse perderia o direito ao subsídio) e posterior contrato a prazo renovável de 7 meses. Os prazos para o início da actividade eram curtíssimos, por isso tive que explicar as razões do meu constrangimento. Se aceitasse imediatamente, havia a possibilidade de poder vir a ser entretanto convidado por uma das outras empresas que neste momento me oferecem vagas mais interessantes e dessa forma deixaria mal vista a minha ex-colega que me recomendou e prejudicaria a empresa ao fazê-la perder tempo e dinheiro comigo formando-me com a expectativa de me tornar seu funcionário. Desta forma acordei em deixar a minha candidatura em stand by.
Se as coisas não se definirem nos próximos 3 dias, esta foi uma oportunidade perdida. 
  Prometo e cumpro... amanhã

Sinto-me um bocado estranho em fazer isto, não quero deixar que o blog mande em mim, mas não ficaria de consciência tranquila. O contador acusa visitas repetidas devido à minha promessa e recebi várias mensagem de apoio e de desejos de boa sorte (às quais pretendo responder), por isso acho que devo justificar-me.
Espero então que compreendam mas vou deixar o relatório para amanhã porque eu ontem, talvez devido à excitação causada por tantas novidades, só consegui dormir 3 horas. Acho melhor contar tudo depois, até porque as frases que escrevesse agora provavelmente não fariam sentido. Já tenho a cabeça a cair em frente ao monitor e sinto o queixo molhado, é possível que já não consiga reter a baba. Durmam bem, até logo. 
6.11.03
  Relatório preliminar

A primeira entrevista já está. E há uma muito boa notícia, uma nova oportunidade! Pormenores lá pela hora de jantar, que eu agora vou entrar em estágio para a segunda. 
5.11.03
  Passam-se semanas sem nada e de repente...

Recebo 5 chamadas hoje, quase de rajada, com uma diferença não superior a 30 minutos entre elas.

1. Uma ex-colega para saber se estou vivo. Ela já está a trabalhar, mas eu não sabia. Conto-lhe acerca do subsídio de desemprego parcial e ela diz-me que estão a contratar para lá. Vai saber se há part-times e já liga.
2. Um estranho telefonema. Uma pessoa de uma empresa de recrutamento à qual enviei o currículo espontaneamente faz-me perguntas sobre a minha disponibilidade, pormenores do meu CV, experiência profissional e conhecimentos informáticos. Pergunto porquê, se pode adiantar mais informações sobre a razão do interesse. Não pode, só pessoalmente, e diz que é muito provável que me volte a contactar.
3. Liga Ana Moura da Segurança Social. O meu subsídio de desemprego já foi processado, no fim do mês já recebo. O valor ser-me-à informado por carta, por telefone não é permitido. Afinal sempre telefonam às pessoas...
4. A minha ex-colega volta a ligar. Passa a chamada a uma pessoa dos Recursos Humanos que me explica em que consiste o trabalho, qual o horário, o valor do salário, etc. Marcamos entrevista para amanhã.
5. Alguém, em nome da pessoa que me ligou na 2ª chamada, quer marcar entrevista comigo. Continua sem poder dizer para que função ou empresa. Marco a entrevista também para amanhã.

Para mim hoje não houve crise. 
4.11.03
  Não era mentira

Disse e cumpriu. Quando cheguei a casa vindo da minha não-intervenção no Centro de Emprego, fui avisado pelo meu pai que me tinham telefonado da Segurança Social mas que não quiseram dizer o assunto. Calculei que fosse a funcionária Fátima Brás e, supreendentemente, em menos de 10 minutos consegui voltar a falar com ela. Era um problema com o NIB que eu, que ando disléxico, tinha escrito incorrectamente trocando dois dígitos. Confirmei os números com a senhora e fiquei a saber que era a única coisa que faltava para acabar o processamento do subsídio.
Não posso ainda dizer que estou aliviado porque depois de tantos desencontros - para ser bonzinho - estou como São Tomé. Só quando no final do mês entrar o dinheiro que me vai permitir pagar a prestação ao banco sem ter que pedir dinheiro emprestado é que acredito que este pesadelo está a acabar. 
  A Intervenção Técnica

Devido ao que aconteceu, explicado no post anterior, cheguei 20 minutos atrasados para ser "intervencionado" e já não me deixaram entrar. Preenchi uma declaração com os motivos do atraso e solicitando uma nova chamada, tal como me foi pedido pelo segurança, que no Centro de Emprego também trabalha como recepcionista/telefonista (alguém, por Deus, me explica esta acumulação de funções?).
Se demorar tanto quanto demorou para ser chamado da primeira vez, só daqui por 8 meses volto a ter notícias deles... 
  Ao telefone com a Segurança Social - Dia #5 e último

Dia 4.11.03

Funcionária: Fátima Brás

Consegui hoje finalmente chegar à fala com esta senhora. Fiz conforme me aconselharam ontem, ligando às 8h58 para o número geral (218424200) e, pela primeira vez em quase 9 meses, fui atendido. Transferiram-me a chamada e ao fim de 15 minutos uma senhora de voz muito arrastada, quase igual à da deputada Odete Santos do PCP, pegou no telefone, a quem pedi para falar com Fátima Brás (FB). Ofereceu-se para ser ela própria a tratar da minha situação o que me deixou siderado pelo anormal voluntarismo. Mas isso foi sol de pouca dura.

- Eu preferia falar com a sua colega, porque...
- Ó Fatinha! Tu és Brás? Está aqui um senhor que só quer falar contigo.

Silêncio. Nem quis ouvir qualquer explicação nem sequer me pediu que aguardasse. Mais 5 minutos em espera, mas que valeram bem a pena.
Recebeu o meu fax? Check.
O documento está em ordem? Check.
O pedido para receber por transferência bancária está OK? Check.
O NIB está legível? Check.
Nada impede o processamento do meu subsídio de desemprego? Check.
De certeza? Confirma que os meus salários estão todos aí? Check.
Recebo ainda este mês? Check.

Prometeu-me que começaria de imediato a tratar do meu caso, logo que desligasse. É desta maneira que consigo agora ver o fim a 9 meses de espera (completam-se dia 11). Receberei agora em casa uma carta com o aviso de pagamento e posso, mais ou menos dentro de uma semana, ligar para o atendimento geral para saber quanto foi apurado ser o valor mensal que passarei a receber. Mas ponho-me agora a imaginar: e se eu não insistisse, quanto tempo mais teria que esperar? 
3.11.03
  Ao telefone com a Segurança Social - Dia #4

Dia 3.11.03

Funcionária: Ana Moura

Como está, que tal de fim de semana, bonzinho? Ainda bem. Já agora veja lá se já tenho motivos para crer que este é dos últimos fins de semana que passo em casa para não gastar dinheiro. "Aguarda carta de despedimento"? Do fax nem sinal. Até amanhã, então.

Voltemos a tentar falar com Fátima Brás. No número que liguei 5ª feira ninguém atendeu, hoje foi no número abaixo (218424242) que consegui ouvir alguém. Aparentemente esse alguém não conhecia nenhuma Fátima Brás, por isso passou-me para o telefonista. O Sr. Gonçalves, que pela falta de maneiras continuo a achar que deve ser o segurança, identificou a senhora como funcionária do Desemprego e mudou logo o tom de voz agressivo para a versão coitadinhos. Coitadinhos, que no desemprego estão tão ocupados. Coitadinhos, ele vê no PBX que ainda há muitas chamadas em espera para serem atendidas. Coitadinho de mim se quiser que a chamada seja transferida, vou ficar muito tempo à espera. Disse-lhe que isso não me interessava, que passasse a chamada e o Sr. Gonçalves volta ao seu tom agressivo:
- O senhor é que sabe.
Sem mais, lá estou a ouvir Madredeus outra vez. Passados dez minutos sou atendido pelo Sr. Hugo, que me pergunta se a chamada é pessoal ou relativa a trabalho. Indicou-me então que o atendimento fecha às 17h e a colega Fátima Brás está ainda a atender uma pessoa ao telefone. Está impedido de me dar o número de telefone directo e aconselha-me a tentar ligar amanhã 2 minutos antes das 9h.
No caso do Sr. Hugo, o tom é de má vontade. Pareceu-me ter comigo uma reacção de defesa de um corporativismo primário. Mas como tenho tendência para a paranóia, farei como ele disse. 
31.10.03
  Alguma coisa está mal quando...

... sabes o teu número de beneficiário da Segurança Social de cor. 
  Ao telefone com a Segurança Social - Dia #3

Dia 31.10.03

Funcionária: Ana Moura.

Tudo na mesma, como a lesma. Literalmente. Vai fazer "um print". Bom fim de semana. 
  Ao telefone com a Segurança Social - Dia #2

Dia: 30.10.03
Funcionária: Ana Moura

Não há novidades, o meu processo está na mesma. Conto-lhe que consegui ligar e ser atendido no Departamento de Desemprego. Deu-me os parabéns por o ter conseguido, pois ela, que é funcionária da SS, não o consegue. Já não se surpreendeu quando lhe disse que o máximo que consegui foi saber que a D. Fátima Brás está de férias até 2ª feira.
Pediu-me o número de telefone para me ligar quando houvesse novidades, o que fiz salientando que já o dei várias vezes mas que nunca me ligaram. Explicou-me que para me telefonarem têm que haver alterações no meu processo e que se nunca tinham telefonado é porque nunca tinham havido; ainda me disse que a primeira tarefa que fazem de manhã é exactamente confirmar se existem desenvolvimentos que possam levar à realização de uma chamada para as pessoas que, como eu, o pediram. Por acaso não é bem assim, pois ninguém me telefonou a dizer que faltava um documento. Apesar disso deixei passar e avisei-a que ia ligar todos os dias, perguntando-lhe se se importava. Disse-me que vou perder tempo, que era desnecessário, mas que não se importa nada de falar comigo. Ah, e vai fazer "um print".
Fiquei a pensar nisto, se de facto se justifica gastar dinheiro a ligar todos os dias. Cheguei à conclusão que sim, o tempo que tinha a perder já o perdi nestes últimos 9 meses. 
  Ao telefone com a Segurança Social - Dia #1

Dia: 29.10.03
Funcionária: Ana Cristina Alho

Como já tinha referido, passei a telefonar todos os dias para a SS, tentando dessa forma pressionar os serviços para que o processamento do meu subsídio de desemprego não demore nem mais um dia do que o necessário. É uma tarefa inglória que passo a relatar.
Não há ainda registo do fax que enviei na segunda feira com o documento que faltava no meu processo. No sistema informático continua a constar "aguarda carta de despedimento", por isso aconselham-me a dirigir-me ao atendimento geral para entregar em mão uma cópia da declaração da entidade empregadora. Perguntei porquê, se os faxes que chegam ao serviço não servem para nada. Asseguram-me que sim, "para o lixo não vão concerteza", mas que pelo sim, pelo não, devia entregar uma cópia pessoalmente para maior segurança. Qualquer um dos métodos deveria obrigar a uma acção da parte das funcionárias do Departamento de Desemprego, por isso perguntei quais eram as vantagens de o fazer. A resposta foi que o fax poderia extraviar-se. Então e o documento entregue em mão não pode extraviar-se? Pode, claro que pode, disseram-me do outro lado da linha. Mas havendo dois documentos há maiores possibilidades de ver o meu processo tratado. De qualquer forma a funcionária ofereceu-se para fazer "um print" para ser entregue do Desemprego.
Mais uma vez maravilhado com a eficácia e organização exemplar da Segurança Social, decidi tentar ir um pouco mais longe. Como a SS tem uma série de pelo menos 100 números de telefone consecutivos a começar no 218424200, comecei a experimentar a partir do 218424240. Fui atendido no 43 por um senhor, penso que vigilante das instalações (já agora, que mania é esta das empresas e instituições de não contratar telefonistas e valer-se das empresas de segurança?) ao qual dei o nome da funcionária que me enviou a carta e pedi para falar com ela. Avisou-me que seria muito difícil, que é quase impossível falar para lá, mas que ia tentar passar a chamada e que era natural que fosse atendido por outra pessoa que não a com quem queria falar. E tinha razão. Dez minutos depois fui atendido pela funcionária Isabel (recusou-se a dar-me o apelido...) que me informou que a senhora com quem queria falar estava de férias e que só voltava 2ª feira. É preciso ter azar... De resto ela não podia fazer mais nada: não podia confirmar se o fax tinha sido recebido, não sabia se os processos que estavam com a colega tinham sido distribuídos a outras enquanto a primeira estivesse de férias (embora achasse que sim), não podia tomar nota da situação para que alguém o pudesse verificar por ela e também não podia transferir a chamada para que eu falasse com a chefia da secção. Ou então, não o queria fazer.
Nada a fazer senão voltar a tentar esta hipótese na 2ª feira. 
30.10.03
  Melancolia

A música de espera da Segurança Social é Madredeus. Acho adequado. 
  A minha (des)orientação política

A pouco e pouco este blog vai aumentando o número de visitantes, normalmente por recomendações feitas noutros blogs. Essas recomendações têm sido feitas maioritariamente em blogs onde não se esconde o pendor canhoto mas também por alguns fachos, como é comum apelidarem-se mutuamente na blogosfera portuguesa. A diferença é que os primeiros costumam ser bem mais expansivos que os segundos, sendo mais elogiosos da prosa, louvando a iniciativa e desfazendo-se em votos de "melhoras". Posso estar enganado, mas isto leva-me a crer que, inconscientemente, tenho andado a escrever inclinado para oeste e que isso é facilmente detectado nos episódios que por aqui vou relatando. Nada de errado nisto, mas...

Quando me foi concedido o direito de voto e tive de decidir onde colocar uma cruz, não quis que a opção partidária dos meus pais me influenciasse, muito menos a opção anarco-sindicalista do meu avô que logo à partida excluí por crer numa maior eficiência dos sistemas organizados - um possível defeito do pragmatismo que me leva a desconsiderar o que não é exacto. Na escola secundária não recordo terem-me ensinado o que era a política, o que eram e em que é que consistiam e defendiam as ideologias contemporâneas, nem sequer o que significa esquerda ou direita (e já agora centro, como diria Paulo Portas). Ao contrário do que aconteceu, preferia que a professora de História tivesse conseguido passar da instauração da República e concluído o programa na história recente do país do que saber o que havia a saber sobre o Miguelismo.
Não votar está fora de questão e para não o fazer levianamente procurei informação: passei a prestar muito mais atenção às secções de política dos jornais, vi debates televisivos, li artigos de opinião e alguns livros sobre o assunto, tudo coisas pouco atraentes tanto para mim como para a maioria dos jovens. Como não cheguei a qualquer conclusão clara, comecei a julgar conforme a minha consciência - justo/injusto, certo/errado, verdadeiro/falso e mais recentemente honra/desonra. O meu (bacoco) tribunal tem sempre decidido a favor da esquerda, mas ainda há pouco tempo, agradado com tanta acção e capacidade de decisão, surpreendia alinhando-se com as políticas governativas, mesmo apesar de ter sido devido uma acção directa do governo que fiquei sem emprego. Mas apesar do método, tenho um método.



Não sou nem quero ser politizado. Prefiro guardar distância dos que o são, sobretudo dos facciosos. Sinto que dessa forma poderei ter opiniões e tomar decisões mais esclarecidas, ou pelo menos mais de acordo com as minhas convicções. Portanto a minha bête noire não é Bagão Félix, mas a injustiça das suas medidas.
Agradam-me Canhotos que desmontam argumentos aos Jaquinzinhos deste país (embora fazendo-o dêem razão aqueles que dizem que eles comem criancinhas ao pequeno almoço, neste caso filhotes de carapau (de corrida)). Concluindo, não sei se sou de esquerda ou de direita, gosto (do melhor) das duas opções mas mais da primeira, da qual tenho percepção de uma maior honestidade. Independentemente do que sou, acalento um Noir Desir que os Bertrand Cantat's que votaram neste governo dêem uns valentes abanões nas urnas a esta Marie Trintignant, sem a querer matar mas com esse resultado.  
28.10.03
  Será desta?

Desde ontem que a Segurança Social (SS) não pode alegar absolutamente nada que possa justificar um atraso maior do que o actual, de quase 9 meses, no processamento do meu subsídio de desemprego. Nesse dia completaram-se 3 semanas desde a data em que me vi obrigado a fazer um pedido à holding da minha ex-empresa da emissão da 2ª via de um documento que entreguei mas que a SS perdeu (ou que arquivaram no processo de outra pessoa, conforme me explicaram ao telefone), mas que finalmente me fizeram chegar por fax após conseguirem a necessária assinatura pelo presidente. Espero agora o original pelo correio, mas assim já pude enviar, também por fax para a SS, o que faltava para dar seguimento ao meu processo. Será que já receberei em Novembro?

Na verdade, a SS pode continuar a alegar vários motivos para que o meu processo continue atrasado como têm feito até agora:

- Podem continuar a alegar que estão assoberbados de trabalho, eu sei que é verdade.
- Podem continuar a justificar-se com o estado lastimável do sistema informático, até o próprio ministro o reconhece.
- Podem continuar a afirmar que falta o lançamento de salários na minha relação de remunerações, eu posso provar que isso é falso desde Abril.
- Podem continuar a dizer-me ao telefone (todos os dias a partir de amanhã) que não podem fazer nada para apressar o processo.

A diferença é que agora não vou aceitar nenhuma dessas justificações. 
27.10.03
  A Arte de Bem Receber começa por se convidar apenas de quem se gosta

Durão Barroso foi vaiado quando ia começar o seu discurso na inauguração do novo estádio do Benfica. A situação conseguiu com custo ser contida por Fialho Gouveia quando disse "não é digno de ser benfiquista aquele que não sabe bem receber em sua casa". As pessoas lá passaram dos apupos às palmas e deixaram o homem falar, mas quanto a mim esqueceram-se do essencial: nenhuma dessas pessoas convidaria Durão Barroso para a sua casa.  
  As Políticas Sociais do Ministro Bagão Félix


Este é o senhor que me está a dever quase 9 meses de subsídio de desemprego. Pelo menos já admite que o sistema informático está num estado lastimável.


Este é o senhor que pretende obrigar os desempregados a aceitar a primeira oferta de emprego que apareça, encapotando a justiça da medida com a obrigatoriedade de aceitação de um mais que subjectivo trabalho conveniente.


Este é o senhor que nos casos de rescisão amigável quer que uma parte da indemnização seja descontada do subsídio de desemprego.


Este é o senhor que vai legislar para que o subsídio de desemprego e de doença passe a pagar IRS.


Este é o senhor que pretende, indiscriminadamente, colocar beneficiários de prestações sociais na realização de funções de responsabilidade estatal, como a limpeza de matas ou na reparação de vias de comunicação.


Este é o senhor que quer poupar dinheiro a todo o custo, mesmo que para isso provoque injustiças sociais.


Este é o senhor que fará pagar o justo pelo pecador.


Este é o senhor que não tinha necessidade de nada disto se apostasse seriamente na fiscalização para que se acabassem os abusos.


Este é o senhor que não tinha necessidade de nada disto se dinamizasse os Centros de Emprego, estimulando por esse meio o trabalho parcial, o auto-emprego e a formação profissional.


Este é o senhor que está a transformar o Ministério da Segurança Social e do Trabalho numa instituição sodomita dos direitos dos que para ele contribuem, mas que nada faz alterar o qualidade das suas funcionárias para algo melhor que a incompetência absoluta.


O senhor de ar cândido que está a ser entrevistado de flor na mão desconfia de todos os beneficiários da Segurança Social, tratando-os a todos como abusadores e dessa forma abusando de todos.


Concluindo, com o governo a que pertence Bagão Félix não esperem mais do que isto. 
  Agradeço

Acuso falta de dinheiro na algibeira.
Ter concorrência é sempre bom, excepto quando o tema é o desemprego. Preferia não ter, seria bom sinal.
Sou um pato sem grupo. Económico, claro está.
Se continuar assim, tarda nada não será a alma a única coisa despida em mim.
O nome da minha mãe não é Shiva nem sou próspero ou bem sucedido, mas de resto tudo confere. 
  Bolsa furada

Já está em funcionamento o site da Bolsa de Emprego Público (obrigado Canhotos, e pela Condição da Classe Trabalhadora também). É suposto ser um portal onde ficará agregada toda a oferta de trabalho disponível na função pública, para actuais funcionários e para o cidadão em geral.
Verifiquei que, sendo eu um "cidadão em geral" não necessito de efectuar registo, bastando dessa forma procurar nas ofertas. Partindo do princípio que não há problemas de funcionamento do site, das duas uma: ou ainda não carregaram as ofertas apesar de terem inaugurado o serviço ou então pura e simplesmente não há ofertas para cidadãos em geral.
Muito útil, portanto.

Nada de nada 
  Balanço Semanal

1 (uma) resposta pendente a entrevista realizada.
1 (uma) candidatura a anúncio de emprego publicados na Internet. (PING?)
0 (zero) candidaturas espontâneas. (PING?)
1 (zero) candidatura a anúncio de emprego publicado nos jornai. (PING?)
0 (zero) notificações de entrega (PONG!)
0 (zero) notificações de leitura (PONG!)
0 (zero) respostas recebidas no seguimento de candidatura (PONG!)
0 (zero) propostas de emprego recebidas.

Total de 1 (uma) candidatura de emprego enviada.

Avaliação da Semana: 2/5

A evolução semanal continua negativa. Os número de anúncios tem-se mantido razoável mas as funções não se adequam em nada ao meu perfil, daí o baixo número de candidaturas.
Pela primeira vez desde que comecei a procurar emprego sou obrigado a enviar uma candidatura por correio, pois o anúncio não oferecia outra opção. Estranho este voltar aos métodos antigos, sobretudo quando a empresa para a qual me candidato trabalha na área das tecnologias de informação. É caso para ficar desconfiado. 
22.10.03
  Intervenção Técnica (por pessoal habilitado?)

Recebi hoje uma carta registada e com aviso de recepção do IEFP.

Assunto: Plano Nacional de Emprego.

Na sequência da sua inscrição no Centro de Emprego e no sentido de dar continuidade ao processo para resolução do seu problema de emprego, realizar-se-á uma intervenção técnica com o objectivo de o apoiar na definição do seu Plano Pessoal de Emprego.
Contamos com a sua presença...


1ª dúvida - Há um Plano Nacional de Emprego??????
2ª dúvida - O que é uma intervenção técnica??????
3ª dúvida - Eu tenho um Plano Pessoal de Emprego??????
4ª dúvida - Só se lembram de mim 8 meses e meio depois??????


No final alertam-me para que a duração da intervenção técnica será de aproximadamente 3 horas. Espero que seja tempo suficiente para me mudarem o óleo, os filtros e, já agora, as pastilhas de travão. 
  Sobre a rotina

Altino Torres deixou-me um conselho (claro que o permito, meu amigo!) no seguimento da descrição da minha rotina diária que pouco mudou desde este dia: que me levante cedo, que faça por replicar um horário como se estivesse empregado. E tem razão, eu devia fazê-lo, mas há uma coisa que me impede, é a falta de um objectivo para o fazer.
Ao princípio de estar desempregado levantava-me de manhã cedinho, ainda habituado a anos a levantar-me da cama às 6h45 da manhã. Depois fui acordando cada vez mais tarde, provocado sobretudo por não sentir sono para dormir (não gasto energias, não me sinto cansado) e acabando por "papar" tudo o que dá na televisão de madrugada, dos TV-Shops à repetição do Curto Circuito na SIC Radical. Durmo sempre entre 7 horas e 9 horas, nunca mais do que isto, o que faz com que na melhor das hipóteses me deixe dormir às 4h da manhã. A hora do acordar é que é sempre a mesma, às 13 horas. E porquê? Porque a essa hora já tenho uma razão para me levantar, o almoço com os meus pais.
Sempre que tenho necessidade de acordar de manhã, muito cedo às vezes, faço-o sem grande dificuldade, o que me permitiu não faltar a nenhum compromisso, consulta médica, entrevista ou casamento este ano. Ou seja, sempre que tive razões para o fazer, fi-lo.
Há muito tempo que tento contrariar isto e há muito tempo que não o consigo. Sei que é mau, inclusivamente para a saúde, viver num fuso horário próprio e sei que perco um ritmo diário que poderei demorar a recuperar quando conseguir voltar a trabalhar. Mas pelo menos então terei um objectivo para me levantar da cama. 
  Espécie de Balanço Semanal

Nas duas últimas semanas não fiz, como de costume, um balanço. Para quê fazer um balanço sem entradas novas na coluna do deve e do haver? Na verdade havia até uma entrada referente a uma entrevista a que fui na semana passada e na qual deposito grandes esperanças. Uma desesperada esperança, para usar as palavras de Bruno Alves.
Por outro lado há a realçar uma maior notoriedade deste blog, com novas pessoas a lê-lo vindas do companheiro de recessão Niilista Optimista, da Espectacológica e do Cidadão Livre. Isso é positivo porque, tal como eu antes de ficar sem emprego não fazia ideia daquilo por que passa uma pessoa nessa condição, mais gente toma agora conhecimento da realidade diária de alguém nesta situação, por acaso da minha realidade. Para fazer uma comparação (bacoca, talvez), lembro-me de Paulo Pedroso dizer ao Expresso que, ele que foi titular da pasta da Segurança Social, ficou admirado com o tratamento à Século XIX que se dão aos presos nas cadeias obrigando-os a tomar as refeições em completo silêncio. Tudo isto para garantir ao Altino Torres que mesmo depois de conseguir um emprego não deixarei de defender e apoiar na medida do possível todos aqueles que estão sem emprego com os meus conhecimentos adquiridos em "trabalho de campo". 
19.10.03
  A mim já me calhou...

Monstro Horrendo AdamastoR põe o dedo na ferida neste post e responde nos comentários a um daqueles indivíduos que dizem por aí à boca cheia que "trabalho é o que há mais para aí", um cego que não quer ver. Muito bem!

Agradeço também a referência no Adufe e o link e o e-mail (ainda vou responder) do autor do blog Os Cães Ladram e a Caravana Passa
18.10.03
  Desejo um emprego a sério

Se hoje consegui escrever tudo isto, foi porque ontem tive uma entrevista que considerei muito satisfatória. Acho mesmo que de todas as que fui até agora esta é aquela em que me pareceu ter mais oportunidades de ficar, para além de ser aquela em que a descrição que me fizeram das funções foi a que mais me agradou.
Mas ainda há um patamar a ultrapassar e esse patamar assusta-me. Tenho receio de deitar tudo a perder nessa última entrevista com o meu nervosismo e insegurança. É que a função não é para pessoas nervosas e muito menos para pessoas inseguras. Lá terei que tomar um Zoloft... 
  Motivo V - Conclusões, deduções e outras ilações

Um desempregado pode trabalhar a tempo parcial. Logo:

- Uma empresa de recursos humanos que opere no mercado do trabalho em part-time poderia publicitar essas vantagens aos desempregados, potenciando dessa maneira uma maior resposta em número de concorrentes às suas vagas.

Uma empresa de recursos humanos que não conhece a lei nem publicita as suas vantagens perde dinheiro. Isto porque:

- Menos candidatos, menos lugares preenchidos, logo menor facturação
- Não contratando desempregados a tempo parcial perde a possibilidade de ter um desconto de 50% de redução na contibuição para a segurança social (artigo 10º do Decreto Lei 168/2003 de 29 de Julho)

As funcionárias da Segurança Social têm como papel esclarecer, apoiar, colocar em prática e agir em conformidade com os decretos que regulamentam as várias vertentes da protecção social, defendendo assim os beneficiários. Isso não acontece. A realidade é que:

- Um beneficiário pouco esclarecido é um beneficiário lixado
- Os beneficiários é que têm de se defender das funcionárias

Os governos legislam de forma intrínsecamente bem intencionada, mas o que decretam tem pouco valor quando:

- Não se forma as funcionárias relativamente às leis que regem as suas actividades
- Não se forma as funcionárias relativamente aos formulários, documentos e declarações que utilizam no dia-a-dia
- Não se dá às funcionárias instrumentos de trabalho que possam melhorar o atendimento, como intranets com informações, processos e procedimentos, sistemas de comunicação adequados ou até mesmo CRMs.
- Se proibe que as funcionárias contactem com o departamento adequado para tirar dúvidas pelo telefone
- Se cria uma blindagem intransponível entre os departamentos da segurança social e o beneficiário, obrigando as funcionárias ao contacto por carta em vez do mais prático e sobretudo rápido telefonema.
- Não se fiscalizam os beneficiários de apoio social de forma a impedir os abusos 
  Motivo IV - O documento que não chega

Pedi há duas semanas o documento que alegadamente está em falta no meu processo na Segurança Social. Insisti várias vezes mas só da última vez a empresa conseguiu dar-me uma justificação para o atraso. Parece que, tal como eu, esqueceram-se de guardar uma cópia no meu ficheiro. Assim, viram-se obrigados a fazer um novo documento que agora tem que ser assinado pela administração. Como a administração da empresa onde trabalhava foi dissolvida, estão a tentar junto do presidente da holding, o qual naturalmente não tem grande disponibilidade para assuntos de caca como o meu.
De qualquer forma, isto levanta uma dúvida relativamente à validade do documento que me enviarão. A assinatura deveria ser feita, não pelo presidente da holding, mas sim pelo presidente da "minha" empresa.
Por este motivo, voltei a ligar para os serviços da Segurança Social de Lisboa (sim, sou chato), desta vez para ser atendido pela Sra. Ana Moura. Não me espantei quando me disse não ter a certeza da legalidade da situação, faltas de informação ou informações incorrectas têm sido o pão nosso de cada dia, só me espantei quando foi saber de uma alternativa possível para me oferecer. E a alternativa proposta foi explicar a situação fazendo um requerimento ao departamento de Desemprego solicitando que processem o meu subsídio de desemprego mesmo sem o documento já que a responsabilidade do extravio é deles e para isso anexar o recibo de documentos que tenho e que prova que o entreguei aquando do pedido inicial.

O fax seguiu ontem de manhã mas a esperança de bons resultados é nula. De qualquer forma, não poderia ficar sem tentar. 
Diario de um Desempregado

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