Vitima da Crise
31.7.03
  Profundamente assustado

Leio isto no Bicho Escala Estantes:

"Um amigo meu nasceu com um daqueles dons que todos invejamos. O meu amigo desenha o que quer e como quer. A vida encarregou-se de lhe impôr umas barreiras valentes, acabando por nunca usar o seu talento natural para ganhar a vida. Até que respondeu a um anúncio no Expresso e entrou para uma multinacional de animação. Uma espécie de sorte grande. Obviamente a multinacional acabou por fechar os escritórios em Portugal e, depois de três anos a fazer animação e progredindo profissionalmente, o meu amigo ficou no desemprego. Atrás deixou um rasto com o Neco, um filme que concorre ao Festival de Veneza e algumas séries de animação que passam em televisões estrangeiras. O meu amigo é corajoso e fez-se à vida. Hoje é carteiro, que é muito melhor que ser vendedor, trabalhar numa fábrica, ser estafeta, ser moldador de malas e do que lavar pratos numa cozinha de hotel.
Um dos seus colegas da animação é hoje segurança num Minipreço. Pelo que sei existem colegas de ambos que ainda continuam desempregados.
Pergunto aqui: haverá alguém que me leia que esteja interessado em receber um portfolio?
Subo para cima do monte e grito: O Jorge é meu amigo.


Escusado será dizer que gelei ao ler isto. Não há qualquer desprimor em ser carteiro ou segurança, mas tento evitar esta situação.
Caro Vincent, gostava de ajudar o Jorge, mas não tenho como. Nem a mim tenho conseguido ajudar. Já o Jorge talvez me possa ajudar a mim, se de facto não consiga voltar ao que fazia. Eu até preciso de andar mais.


 
30.7.03
  Notícia ignorada

Se bem entendi o que é escrito nesta notícia, há razões para haver alguma esperança. Não tenho a certeza se "contrato a tempo parcial" significará contrato a termo certo ou se contrato em part-time, mas espero que seja o primeiro. Se alguém me puder esclarecer...
Já acho algo demagógico o teletrabalho e o serviço de ciberemprego. O primeiro porque muitas empresas não têm o desenvolvimento tecnológico necessário que permita a implementação deste tipo de regime de trabalho. Sabendo-se também o quanto é fechada a mentalidade das empresas e empresários nacionais, ficarei muito espantado se esta medida for um sucesso já que o facto do empregado e do seu trabalho não poder ser controlado in loco ainda faz confusão a muita gente. O segundo porque, em vez de disponibilizarem a base de dados na Internet obrigarão as empresas a deslocar-se aos Centros de Emprego à procura de quem possam contratar. É isto que entendo de "terá lugar em todos os centros de emprego do IEFP", mas concedo que possa estar enganado. De qualquer forma, isto antes já acontecia, como muito bem fez notar Carlos Carvalhas II, e é o assumir que o Intituto do Emprego e Formação Profissional não tem uma base de dados nacional de todos os inscritos localmente nos seus serviços.

Só o Correio da Manhã deu esta notícia. Pesquisei e nenhum outro jornal, televisão ou agência de notícias fala disto, nem está publicado no site do IEFP nem no do Ministério da Segurança Social e Trabalho, mas nestes últimos dois isso já é normal. Estranho que algo tão importante publicado ontem (ver n.º 66) no Diário da República só tenha interessado a um jornal apelidado por muitos de pasquim ou de diário de polícia.
Se os empresários não tiverem conhecimento deste programa de incentivo, como é que haverá criação de novos empregos? 
28.7.03
  Balanço Semanal

Já estava a dever este. Refere-se ao período de Segunda Feira a Domingo passado. A partir de agora passo a contabilizar também o número de respostas das empresas aos CV's que envio. Em linguagem informática serão os pings que envio (os CV's) em comparação com os pongs que recebo de volta (acusar recepção de CV, convite para entrevista ou carta de cortesia a informar a não selecção para processo de recrutamento).

0 (zero) respostas pendentes a entrevistas realizadas.
0 (zero) candidaturas a anúncios de emprego publicados na Internet.
3 (três) candidaturas a anúncios de emprego publicados nos jornais. (PING?)
0 (zero) respostas recebidas no seguimento de candidatura (PONG!)
2 (duas) propostas de emprego expontâneas recebidas.
2 (duas) propostas de emprego recusadas.

Total de 3 (três) candidaturas de emprego enviadas.


Avaliação da semana: 3/5

Bastante razoável, foi mesmo uma das minhas melhores semanas. 
26.7.03
  A experiência familiar

O meu pai era, no topo da sua carreira, chefe da secção de contabilidade de uma das maiores empresas industriais deste país onde trabalhou a sua vida praticamente toda. Apesar de, por via da experiência e da (permitam-me dizê-lo) excelência, ter demonstrado estar habilitado e capacitado para assumir o lugar de Director Financeiro (deixado vago por mais de um ano) por motivo de reforma do anterior, a empresa nunca o fez porque o meu pai é bacharel e não licenciado. Apesar de ter relações pessoais com o presidente da empresa, um dos maiores industriais deste país, para quem continua até hoje a elaborar a escrita do condomínio de luxo em onde mora, para além de apesar de reformado continuar a ser convidado para as festas de Natal através de postais escritos à mão, não conseguiu afastar a discriminação formativa da empresa, a qual preferiu contratar um recém-licenciado com uma péssima formação ao qual o meu pai teve que ensinar tudo.
Tal pai, tal filho? 
  Requisito: Licenciatura

No Expresso de hoje, no editorial (?) do seu caderno de emprego Vítor Andrade dá destaque ao facto de na edição anterior só 36,1% das ofertas de trabalho fazerem uma referência clara à licenciatura como requisito. Que não é dada muita importância ao canudo, é a conclusão a que chegou.
É um facto que a licenciatura não abre portas, que não é uma garantia de emprego, mas isso é quando se trata de ofertas de emprego com esse requisito. Se um licenciado concorrer com uma pessoa com o ensino secundário completo a uma oferta de emprego em que a licenciatura não é requisito, é para mim claro que o licenciado está em vantagem. Vi isso acontecer muitas vezes e a pessoas que em comparação com o licenciado até tinham experiência na função. A esse nível, os empregadores preferem contratar quem tem mais formação, mesmo que essa formação não seja em nada relacionada com o trabalho a desempenhar e em alguns casos até dispensável. Talvez achem que poderão tirar daí mais-valias futuras para o negócio ou para a empresa, embora na realidade que eu conheço isso nunca tenha acontecido.
Já concordo quando dizem que, quando a disputa por um emprego ocorre entre licenciados, os que conseguiram outras competências através da experiência profissional ou da formação focada em outras matérias partem em vantagem em relação aos que não as têm. É exactamente por esse motivo que, mesmo já não tendo grande capacidade financeira, me vou inscrever num curso em modalidade e-learning na Evolui.com ou na Academia Global, só não decidi ainda em qual. Também não sei se as empresas valorizam este tipo de cursos à distância, mas pelo menos a nível pessoal ficarei a ganhar.
Outro assunto relacionado com este tema, é a facilidade de progressão de carreira numa empresa. Fui mais que uma vez preterido para uma função de nível hierárquico mais elevado por ter apenas frequência universitária, sendo o lugar atribuído a outros com a formação superior completada. A justificação foi sempre que seria difícil "explicar ao director e ao administrador" a minha escolha, apesar de me garantirem estar perfeitamente habilitado e capacitado para o trabalho. Para alguém não licenciado como eu, é necessário apresentar mais e melhores resultados, esforçando-se e trabalhando muito mais, para que a escolha seja mais fácil de "explicar". Eu consegui sempre atingir os meus objectivos a médio prazo, mas nunca à primeira oportunidade devido ao que expliquei. 
23.7.03
  Good for nothing

Hoje fui surpreendido por uma chamada. Uma empresa de recrutamento, na posse dos meus dados curriculares, contactou-me oferecendo uma oportunidade de emprego a começar já na segunda feira, vejam bem o desespero. A função seria Técnico de Help Desk em Call Centre, mas o horário era de part-time, fazendo 4 ou 6 horas conforme eu quisesse.
Mas será que o meu CV não está explícito o suficiente? Será que não sabem ler, será que não sabem interpretar o que lá está escrito, será que não percebem que a minha experiência profissional, resumida a custo, me qualifica para funções bem mais valorizadas?
Isto lembra-me quando mandei o meu CV para a Cabovisão em resposta ao anúncio que procurava um Coordenador de Suporte Técnico Internet e me telefonaram de lá a perguntar se queria ser telefonista na recepção.
Detesto quando sou subestimado, indigna-me o julgamento que fazem de mim. Não procuro um trabalho para ganhar uns trocos enquanto estudo como os universitários, mas sim um verdadeiro emprego, tipo como os das "pessoas normais", que me permita fazer e ter uma vida. Quero um full-time, porra! E respeito, já agora. 
  Esclarecimento (in)Dispensável

Para quem tenha dúvidas, esclareço que não é que não queira trabalhar, antes pelo contrário, tudo o que quero aliás é trabalhar. Mas enquanto eu tenha esperança de encontrar um emprego que mais facilmente me pague as contas, falo-ei, nem que para isso tenha que estar "à mama" da Segurança Social como alguns provavelmente pensarão que estou a fazer. Esses que façam as contas e que tentem fazer uma vida pagando ao banco, como eu, os 425€ que me comprometi pagar mensalmente com os 600€ brutos mais subsídio de refeição que me ofereceram. 
  A Coisa Gira

Ontem à noite lá fui, mais curioso que ansioso, encontrar-me com o tal amigo que me queria oferecer uma "coisa gira" para fazer. Ao contrário do que eu esperava, era uma oferta de trabalho real e não para o desenrascar numa coisa qualquer.
No próximo mês ele em conjunto com dois outros sócios deverá abrir uma agência de viagens e decidiu propôr-me trabalhar lá, apesar de eu não ter qualquer currículo nessa actividade. Disse-me que depois de uma formação adequada, tornar-me-ia agente de viagens com a responsabilidade acrescida de, à falta de gerente de loja, partilhar a gestão da agência com um colega que, por acaso, conheço e que iria desempenharia a mesma função que eu. Ainda sem ter certezas sobre o valor correcto do salário, adiantou que seria à volta de 600€ brutos mais subsídio de refeição, trabalhando de segunda a sábado em horário de centro comercial.
Não aceitei. Para não desiludir um amigo, da forma mais diplomática que consigo expliquei que nunca poderia assumir um compromisso com ele, visto que mesmo que aceitasse continuaria à procura de um emprego mais bem remunerado e/ou que estivesse directamente relacionado com a minha experiência profissional e que se o encontrasse, o investimento em formação que ele iria fazer comigo podia-se considerar perdido. Eu não queria isso. Mas ainda antes de esse problema se colocar, há a questão da perda do subsídio de desemprego, que tem um valor mais elevado do que o número que me apontou como remuneração. Mesmo que me contratasse sem o declarar, há sempre a questão da formação e da perda que representaria a minha saída para outro emprego, pelo que descartámos essa hipótese imediatamente.
Ele compreendeu a minha posição e elogiou a minha sinceridade. Acabámos a noite a conversar e a beber uns whiskies, oferta da casa. Vim-me embora de consciência tranquila, sentindo que o único prejuízo que lhe causei foi na garrafa de Cutty Sark que ficou com menos alguns centilitros para servir aos clientes. 
  Vénias prolongadas

Agradeço aos blogs Janela Para o Rio e ao Veto Político por considerarem este blog como um serviço público e como indispensável, respectivamente. Muito obrigado. 
21.7.03
  Sete calos nas mãos

Cada vez mais o dinheiro faz-me jeito, a indemnização que recebi é agora uma pálida amostra daquilo que antes era, pelo que não receio meter as mãos à obra como antes fiz. Já falei da minha experiência como empregado de mesa e balcão, mas essa não foi a única. Já em outras alturas da minha vida fiz trabalhos não especializados - chamemos-lhes assim - como forma de ganhar algum dinheiro no Verão ou enquanto estava a estudar. O primeiro, com contrato e tudo, a fazer um inventário num armazém de uma fábrica de tintas, o que me permitiu comprar a aparelhagem Pioneer que tanto queria e que os meus pais não me podiam oferecer. Ainda a tenho, muito estimada. Neste preciso momento faz-me ouvir o programa do Roger Sanchez na Voxx enquanto vou escrevendo.
O segundo, em regime de contrato de trabalho temporário pela Creyf, numa companhia de seguros inglesa chamada Royal Insurance, a envelopar avisos de pagamento.
O terceiro, a dar formação em informática a uma senhora viúva com quase 60 anos num sistema UNIX com uma manhosíssima aplicação de contabilidade, numa empresa que estava onde hoje está a Select na Praça do Chile. A senhora engraçou comigo, pagava-me o lanche todos os dias, mas não lhe consegui ensinar nada, ela só queria conversar e contar-me tudo acerca das filhas e dos netos.
O quarto, novo inventário, desta vez na secção de peças de um concessionário da Mitsubishi. Vocês nem fazem ideia da ciência que é preciso para contar gavetas e gavetas de minúsculos parafusos, roscas e anilhas!
O quinto, com um familiar, a fazer distribuição e venda de produtos informáticos em lojas do ramo. Este foi o mais mal pago de todos e o que gostei menos porque na altura não tinha a mínima vocação comercial e tornava-se penoso abordar os responsáveis pelas aquisições.
O sexto, a fazer as férias do mandarete numa empresa de arquitectura. Era homem para de manhã estar a pagar impostos na repartição de finanças e à tarde a levar projectos ao MARL. Se era para ir, era comigo. Pelo menos não estava fechado o dia inteiro...
Finalmente o sétimo, o mais hardcore que tive e provavelmente terei, a fazer madrugadas numa bomba de gasolina muito especial, das 21h às 7h mais concretamente. Tinha um snack bar e funcionava de portas abertas para todos os que quisessem abastecer de combustível os veículos e os estômagos. Apesar de estar situada numa zona predominantemente rural, não era propriamente seguro estar ali sozinho, apenas com um pau debaixo da bancada e uma espingarda no escritório. Tinha que trabalhar na caixa, meter mistura nas motorizadas, fazer hamburgers ou sandes de bucho (estômago do porco, ARRRRGHHH!!!), servir Super Bocks e ainda resolver cenas de pancadaria entre matarruanos já muito encharcados. Ou andar eu próprio à porrada, como aconteceu uma vez com um ladrãozito de tabaco.

Destas sete experiências, só em três fiz descontos para a Segurança Social e tive contrato de trabalho. Não me importava de ter outra experiência do tipo, desde que não ponha em causa o subsídio de desemprego. De qualquer forma volto a dizer que se puder evitar fazer qualquer uma destas funções outra vez, ou similares, e puder voltar a fazer aquilo que fazia ou similar, recebendo como recebia, evito, preferindo receber o subsídio de desemprego enquanto a ele tenho direito. E se a ele tenho direito, foi porque trabalhei.
A expressão "vai trabalhar, malandro!" nesta Vítima não cola. 
  Amigos, amigos, negócios à parte?

Parece que adivinhava quando lá mais embaixo falei no sentido figurado de clubes de futsal para onde poderia ir jogar a troco de Sumol e sandes de coirato. Agora aparece-me uma "coisa gira" para fazer.
Já trabalhei para este amigo, quando estava entre cursos na faculdade. Durante quase dois meses, trabalhei doze a catorze horas por dia com uma folga semanal à segunda feira no café/bar/esplanada que ele possui e às vezes ainda ia pôr mesas para o casamento do dia seguinte no restaurante que ele também possuía na altura. Sem contrato, sem descontos, por 70 contos por mês e tudo o que conseguisse beber no fim da noite. Por isso estou curioso sobre se a ideia dele é contratar-me a sério ou apenas para me dar algo que fazer enquanto não arranjo melhor, pagando-me em amizade e mais alguma coisa. A única coisa que sei é que não é para o bar, talvez seja para a empresa de publicidade que ele tem.
Duvido que, querendo-me contratar definitivamente, esteja disposto a chegar aos valores que antes eu recebia, por isso já sei que se for esse o caso, me vou sentir mal e me vai custar muito ter que lhe dizer que não. É muito aborrecido, um amigo estende a mão a ajudar e o aflito recusa, mas não me posso dar ao luxo de perder o subsídio de desemprego (que ainda está por vir mas que deverá estar muito perto ou igual ao valor máximo de 3 salários mínimos) por amizade, se bem que preze muito a amizade, a empresa fique perto de casa e esteja a necessitar de liquidez. Por isso preferia que ele me abordasse de novo com a conversa das sandes de coirato; eu trabalhava e recebia alguma coisa sem haver vínculos oficializados. Quando aparecesse melhor, agradecia-lhe pela ajuda e procurava retomar a minha vida a partir do momento onde tinha sido interrompida. Sem constrangimentos, apenas com a felicidade de ter amigos assim. 
  Curva Ascendente

Hoje preparei e enviei 3 candidaturas. Uma é para um trabalho que não tem muito a ver comigo, outra para um trabalho que tem a ver comigo e outra para um trabalho que, decididamente, tem tudo a ver comigo. De notar que nenhuma delas é para a função exacta que antes desempenhava e para a qual não vejo anúncios há muitos meses.
A que tem mais a ver comigo pede qualificações que não tenho, mas pode ser que uma experiência que já tive no âmbito de um projecto integrado nas minhas funções em que fiz algo muito parecido à função para que contratam, possa arregalar os olhos dos Recursos Humanos da empresa para onde mandei o CV.
Para além disso, o meu cunhado ontem ligou-me. Um amigo comum, (muito) mais dele que meu, sabendo da minha situação, quer falar comigo para me propôr uma "coisa gira" para eu fazer, conforme me disse quando lhe telefonei para saber do que se tratava. Vou hoje à noite encontrar-me com ele e saber o que me quer oferecer.

Mesmo que nada disto se venha a concretizar e eu continue desocupado, pelo menos estou mais animado. É aproveitar estes últimos dias de Julho, que em Agosto o costume é as ofertas de emprego se reduzirem a pouco mais que nada. 
18.7.03
  E agora, os anúncios

Merda, merda, merda. Só aparece merda. Mas há merda e merda. O primeiro anúncio de merda que gostaria de destacar (foto tem as letras ilegíveis, vou tentar tirar outra vez) é o anúncio de mais um esquema em pirâmide, bem identificado (espanto!) com as letras MLM (Multi-Level Marketing), chamado Star Box. Nem sequer interessa qual o produto a vender, o que há a destacar no anúncio é a frase "Oferta Carro Mercedes". Muito credível, como podem imaginar.
Em seguida, a constatação de que Filipe La Féria não tem qualquer pejo em publicar no jornal um anúncio onde assume claramente ser um explorador de menores. A pobre criança terá de cantar o fado durante 5 anos ininterruptos, vejam bem... Haja coragem para juntar este homem aos outros na cadeia.

EXPLORADOR!

Por último, uma ideia fabulosa sobre a qual nunca tinha pensado. Tendo em conta o quanto os homens em geral são promíscuos, gostam de beber copos e de conversar com mulheres com a intenção de as levar ao castigo, esta é a profissão para o qual não deverão faltar candidatos. Talvez esteja aqui a resposta ao meu apelo, isto é capaz de ser um negócio milionário!

Começo para a semana

 
  Grito do Ipitanga

Depois do apelo, o apelo. Como relatei, é uma possibilidade criar um negócio. Sugestões para a actividade são bem vindas. Sócios ou business angels também. 
  Aumentar o desemprego

Este blog até hoje só recebeu dois comentários, muito escasso para o número de visitas. Já estive a pensar no porquê disso acontecer e talvez seja pelo mesmo motivo pelo qual eu não consigo deixar comentários no xpto2K3, porque me sinto tão chocado pelas experiências narcóticas que ali são contadas de uma forma crua e tocante ao mesmo tempo pelo Nuno Centeio que o constrangimento me impede de o fazer.

Mas bolas, ainda não ando ao papelão. Toca a tocar no link Taxa de Desemprego para subir de 0% para valores mais altos! Agradecido. 
  Sem fundos

Chegado ao Centro de Emprego a primeira contrariedade: não havia senhas para marcar a vez, tinham acabado. Talvez queira dizer que o centro tem sido muito concorrido ou talvez signifique que o centro é mal gerido e que não se compraram senhas com antecedência prevendo uma maior distribuição das ditas. Uma das duas adivinho que seja a correcta.
Esperei, sem saber quem tinha à frente, que uma das duas funcionárias me atendesse. Com o passar do tempo apercebi-me que uma delas, a mais nova com aspecto de hippie, chamava pelo nome de algumas pessoas e a outra estava no atendimento geral. Olhei bem para as pessoas para não passar à frente de ninguém e para ninguém me passar à frente e fui espreitar o quadro das ofertas. Lembro-me destas: Ajudante de Cabeleireira, Mecânico e Electricista Auto de 1ª, Empregada/o de Balcão para Churrascaria e Empregados de Mesa para Café Restaurante com Esplanada. No geral as ofertas andavam todas à volta disto, pessoal não especializado ou pessoal com função técnica nada relacionada com a minha experiência.
Já sentado, pego no jornal (de distribuição gratuita) Notícias do Barreiro e fico a saber que no meu concelho a taxa de desemprego é de uns assustadores 11%, segundo dados da Comissão Concelhia do PCP. Belas notícias para distrair os desempregados em espera de vez no Centro de Emprego...
Ponho o jornal de parte e leio na parede que posso pedir para receber a totalidade das prestações de desemprego se apresentar um projecto para criação de emprego próprio, desde que viável. É exactamente nisso que tenho vindo a pensar ultimamente. Não que tenha aquela coisa de querer ser patrão de mim próprio como boa parte dos portugueses mas porque é uma oportunidade que o estado me dá, que posso aproveitar e mal não fará saber as condições. Até vem a calhar que Bagão Félix tenha anunciado um Plano de Intervenção na Península de Setúbal (PIPS), antibióticos em vez de aspirinas no dizer do ministro, o qual espero que ofereça condições reais para que pessoas como eu possam criar um negócio, porque como poderão calcular, o valor de um ano de subsídio de desemprego não é suficiente para começar uma actividade. Por isso quis saber mais informações.
Calhou a chefe do serviço estar presente quando fui atendido. Ninguém ali sabe do PIPS e pior, nunca ouviram falar de tal coisa. Mas garantem-me que "se for verdade", é de facto ali que devo tratar do assunto.

Encantado com qualidade do apoio que recebi no Centro de Emprego, lá me fui embora. Destino: café, para como de costume poder poupar na compra e ler os classificados nos jornais à borla. 
17.7.03
  Insegurança Social

Como sou optimista, só pedi o subsídio de desemprego em Fevereiro, um mês depois de ter ficado desempregado. Pensava que não teria dificuldades em conseguir novo emprego, pelo que decidi esperar um pouco para ver no que dava. Hoje percebo o quanto estava enganado e estou bastante arrependido de não ter tratado do assunto no mesmo dia em que me deram o fantástico Modelo n.º 346 da INCM (Declaração de Situação de Desemprego) preenchido e carimbado pela minha entidade empregadora.
Como até hoje ainda não recebi nem um tostão, decidi ir à Loja da Segurança Social aqui da terra. Não esperei mais de 20 minutos para entrar e dizerem-me logo que eu devia era ter ido a Lisboa, que era para onde descontava, numa típica atitude de despachar o utente. Insisti e reconheço que a senhora que me atendeu até se revelou razoávelmente simpática ao tentar averiguar o motivo para a demora, embora para o final, como verão, me tenha deixado completamente desconsertado. Verificou no sistema informático que tenho os salários todos lançados e deu-me os respectivos comprovativos, mas quando olhei para eles entrei num estado entre o pânico e o espanto. Há várias entradas de valores iguais, umas positivas outras negativas a anulá-las. O mês de Fevereiro de 2002 é o recordista absoluto em número de parcelas, tendo contabilizado 11, das quais só uma não é anulada, tendo a maioria das parcelas entrado no sistema da Segurança Social 10 meses depois de me terem sido pagas! A Segurança Social usava 4 sistemas distintos, os quais têm vindo a ser integrados num só. Segundo a explicação da funcionária, é este o motivo para tão grande multiplicação de valores nos meus dados de beneficiário, a má ou incompleta integração entre os sistemas. De qualquer maneira, uma observação cuidada permitiu verificar que os positivos são ímpares e os negativos pares, ou seja, por cada mês tenho sempre mais créditos que débitos na S.S. e consequentemente a coisa deve estar certa, pelo menos assim o espero.
Depois pedi-lhe que me calculasse o valor que devo passar a receber de prestação de desemprego pensando que o computador que a senhora tinha à frente teria uma opção no software para fazer esse cálculo automáticamente. Que não, não há opção, botãozinho para carregar, nada do género, só mesmo uma calculadora para fazer a conta à unha.

- É fácil, é só tirar os dois últimos meses, somar os salários dos 12 meses anteriores mais o subsídio de férias e de Natal, dividir por 360 e multiplicar por 65%. Mas se não se importa, agora que tem os comprovativos faça isso em casa que eu ainda tenho muito trabalho a despachar hoje.

Boa. Então e a prestação provisória que o ministro Bagão Félix anunciou em Março? Posso ou não começar a receber?

- Como pediu o subsídio em Fevereiro não pode. Se tivesse esperado um mês já era elegível para as prestações provisórias.

Fantástico, não sabia que um desempregado tinha que ser bruxo e adivinhar que o ministro andava a cozinhar apoios excepcionais. Então e o que ele anunciou há pouco tempo, sobre os incentivos monetários para a criação de emprego na região de Setúbal, já há informação sobre isso?

- Desconheço. Explique-me lá o que é que o ministro disse, que aqui ainda nada foi comunicado.

Expliquei e fiquei a saber que de qualquer maneira isso seria sempre tratado no Centro de Emprego. Antes de me ir embora pedi um conselho sobre o meu próximo passo.

- Acha que devo ir a Lisboa tratar disto, para ver se começo a receber?
- Não faça isso. Tente ligar para o 218424200 e peça informações sobre o seu processo. Mas desejo-lhe boa sorte e muita paciência, porque quando eu ligo para lá nunca consigo tratar de nada.
- Não...?
- Se atender alguém já tem sorte. Não lhe garanto é que tratem da sua situação por telefone, demoram muito tempo até identificar o problema e a passar a chamada para quem o resolve. E depois ainda tem que esperar e rezar que essa pessoa atenda o telefone.
- Então é melhor ir lá...?
- Pois. Talvez. Pode ir lá, pode ser que analisem o seu caso.

Maravilhado com a eficácia da nossa Segurança Social, lá me fui embora. Destino: Centro de Emprego. 
16.7.03
  Sem surpresa

Chegou-me hoje em Correio Azul uma carta datada de dia 10 de Julho referente a uma entrevista a que fui em Abril. Bonito desfasamento temporal, não acham? Já não esperava respostas positivas, quanto mais negativas. Mas não me surpreendeu que "... em função do perfil associado à vaga em questão não será possível a sua integração nesta empresa...", pois esta entrevista correu-me realmente mal. Estava tão nervoso que tremia como se estivesse possuído por um tremor de terra, transpirei como se estivesse mascarado de esquimó numa barraca de zinco no meio de África, gaguejei palavras e balbuciei ideias mal articuladas. A entrevista, em grupo com mais 5 candidatos, foi longa de quase 5 horas, o que me deixava mais e mais constrangido na frente dos entrevistadores mas também incrédulo com o que me estava a acontecer, a mim que sempre fui seguro a falar para "plateias" mas que ali, naquela situação, não me conseguia acalmar. Não havia motivo para inquetação, excepto o facto de estar desempregado, de precisar e querer realmente aquele emprego que oferecia condições bastante atraentes. Isto parece ter sido o suficiente para me descontrolar.
Portanto, a confirmação do resultado não foi nada que não estivesse à espera. 
  O meu desporto

No Cruzes Canhoto sou referido (obrigado pelos links) em resposta irónica à Liberdade de Expressão e à Causa Liberal como praticante de um desporto muito comum nos dias que correm, o envio de cartas de candidatura. É verdade, embora já não me considere um desportista amador, mas sim um profissional. Mas imaginando que o meu desporto era o de jogador no futebol português e não o de profissional da procura de um emprego condizente com as minhas capacidades, desculpem o pretensiosismo, então seria qualquer coisa como isto:

- Antes jogava em clubes da primeira divisão
- O meu salário era bastante superior à média dos salários em Portugal
- O meu trabalho era apreciado pela técnica e experiência que demonstrava e não por qualquer curso que tivesse tirado
- Estou entre clubes com o passe a custo zero
- Com a crise económica, os clubes da primeira divisão estão em contenção de despesas e não me contratam nem pelo valor que antes ganhava
- Tenho a possibilidade de ir jogar para clubes da 2ª B ganhando menos de metade do que ganhava e sem objectivos senão a manutenção na mesma divisão
- Poderei enquanto a minha situação não se define ir treinar e jogar para um clube de Futsal aqui do bairro, onde não se declaram os rendimentos e o pagamento é feito em Sumol de laranja e uma sandes de courato no final do jogo.

Na realidade não faltam sítios onde jogar e onde sei que me receberiam de braços abertos, mas sei que não ficaria satisfeito profissionalmente e que nem sequer me compensariam devidamente pelo que sou capaz de fazer ou onde me colocariam a jogar a defesa central quando antes era médio atacante com responsabilidades na distribuição de jogo. 
  Contactável e Contratável

Diz o Tchernignobyl (obrigado pela visita!) nos comentários a este post que aqui poderia ter mais dados pessoais e mesmo o meu C.V. disponível na esperança de que alguém ao vê-los me pudesse contratar. Tem razão, podia sim senhor, mas não o fiz devido ao teor dos meus posts, muito pessoais, com juízos de valor, informações e relatos da minha anterior experiência profissional e vida. Embora nunca nomeie pessoas ou empresas, sei que o que aqui escrevo pode ser mal interpretado ou interpretado como inconfidências, pelo que escolhi fazê-lo anonimamente. Contudo, isto não invalida que alguém que não faça um julgamento negativo dos meus desabafos e na capacidade de recrutador me possa querer conhecer e oferecer uma oportunidade de trabalho. Tenho o endereço de e-mail logo ali ao lado direito para quem me queira contactar, seja por que motivo for. Se for para me contratar, então ainda melhor. 
  Voltei de lá

Já lá não estou, estou aqui, com uma côrzinha agradável na pele mas com o saldo bancário com um verdadeiro escaldão: vermelho. Não que tivesse gasto muito dinheiro, gastei muito menos que antigamente aliás, mas foi o suficiente para voltar a apertar o cinto que teve dois furinhos de folga durante estas duas semanas. Agora ao apertá-lo, aperto três furos porque tenho o seguro do carro, a revisão e a inspecção periódica todos para fazer este mês. Se depois de cumprir os meus compromissos não o fizer, estou metido numa alhada. Já referi que até hoje ainda não recebi o subsídio de desemprego? Pois é, para além do cinto a corda no pescoço também se aperta.

Não deixei de ler no DN, no CM e no Expresso os classificados. Perdi no total cinco oportunidades às quais poderia ter respondido apesar de não serem em nada relacionadas com o que fazia antes. Talvez por isso não me sinta mal por as ter desperdiçado.

Agora que já arrumei a geleira, o cantil, a toalha e o chapéu de praia, regresso à minha pesquisa por uma ocupação profissional e a este diário. 
Diario de um Desempregado

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