Vitima da Crise
29.9.03
  Como obter reconhecimento pela via do insulto gratuito

Tomei conhecimento pelos Marretas da existência de um Solipsista que oferece duas sugestões aos desempregados, não para vencerem a situação, mas para se manterem ocupados enquanto a dita perdura. Primeiro sugere que os desempregados passem pelo desemprego alienados, drogando-se com qualquer substância entorpecente, complementando a sugestão com a encorajamento do suicídio no seguimento de uma "sessão solitária com ácidos na varanda de um vigésimo quinto andar". Em segundo lugar, num "maior esforço pedagógico" sugere que os desafortunados aproveitem o demasiado tempo livre que têm em mãos para meditar sobre questões universais, em vez de vaguearem por aí­ em "choradeira materialista", receando a fome e lamentando o desemprego.

Fique sabendo, Sr. Solipsista, que a única droga recomendável a um desempregado é a força de vontade. O único produto que um desempregado deseja chutar é o produto do seu trabalho na forma de um cheque a depositar no banco. A única trip procurada por um desempregado é a que dure 8 horas diárias, 5 dias por semana, com uma interrupção de 22 dias por ano. A solução reside no querer, não no desistir.
Este "filósofo", como desadequadamente foi apelidado pelo (distraído?) Animal dos Marretas, nunca passou pelo desemprego, não pode ter passado por isso, porque de outra forma não sugeriria de seguida que o desempregado aproveite para meditar sobre os problemas do mundo. Mas será que os olhos dos seus amigos, apáticos, focados no infinito não lhe dão nenhuma pista? Será assim tão difí­cil compreender que é impossível pensar noutra coisa senão em como pagar as despesas do mês e que o conceito da fome para um desempregado é REAL? Será complicado mesmo para um solipsita, um egoísta por definição, entender que um desempregado não consegue senão pensar em si e na sua situação?
Não sei como pode chamar aquele monte de idiotices uma homenagem aos amigos desempregados. Aliás, o que parece é que está farto das conversas dos amigos, que já não os pode ouvir a falar sempre do mesmo. Com amigos destes...

Esta ridícula criatura regozija-se pela descoberta da liberdade de poder dizer foda-se e caralho à vontade no seu blog e pergunta-se se "o rego do cu dos pretos é pigmentado".
Sendo o solipsista que diz ser, viverá numa realidade que só existe na sua própria mente. Então porque não muda ele a sua realidade para que não hajam desempregados chorosos? Porque não faz para que se descubram os "mecanismos com função de solário existentes no útero das pretas"? Simplesmente porque o Solipsista não passa de mais uma criação "artística", combinando a imbecilidade de João Hugo Faria com a brejeirice culta de O Meu Pipi, com a diferença de que o Solipsista não passa de uma reles imitação, optando pela graça ofensiva e dessa forma com a semelhança de procurar notoriedade pela forma mais fácil na já congestionada blogosfera portuguesa .

Para que não pensem que sou do tipo de achar que com coisas sérias não se brinca, dou um exemplo. Recordei-me de uma polémica entre Ricardo de Araújo Pereira do Gato Fedorento e Nélson de Matos do Textos de Contracapa, em que o segundo escreveu "há quem considere que se deve fazer graçolas acerca de tudo" no seguimento de um post em que o primeiro fazia humor com o tí­tulo de um livro com que Lídia Jorge ganhou um prémio. A diferença entre as graçolas de RAP e as do Solipsista, para além da minha capacidade de indignação não ser tão fácil como a de Nélson de Matos, é que as do Gato Fedorento não agridem ninguém dada a inteligência com que são escritas, enquanto que as do Solipsista têm o objectivo contrário, chocar de forma primária quem lê.

O desemprego é um assunto sério que afecta pessoas de verdade e que merecem o apoio e respeito de todos, não o desdém, a ligeireza ou a troça. Quando não se sabe brincar, não se brinca. 
28.9.03
  Balanço Semanal

2 (duas) respostas pendentes a entrevistas realizadas.
1 (uma) candidatura a anúncio de emprego publicados na Internet. (PING?)
0 (zero) candidaturas espontâneas. (PING?)
0 (zero) candidaturas a anúncios de emprego publicados nos jornais. (PING?)
0 (zero) notificações de entrega (PONG!)
0 (zero) notificações de leitura (PONG!)
0 (zero) respostas recebidas no seguimento de candidatura (PONG!)
0 (zero) propostas de emprego recebidas.

Total de 1 (uma) candidatura de emprego enviada.

Avaliação da Semana: 2/5

Péssima a evolução desta semana, que só não é avaliada com 1 porque tive uma entrevista, fazendo com que agora aguarde resposta a duas. Continuarei "esquisito" por mais uma semana e isso reflectir-se-á nos resultados da próxima, tal como se reflectiu nesta.
O caderno de emprego do Expresso baixa o número de páginas para 16, o que me leva a ter agora certeza de que a Crise ainda não passou. Não estou nada optimista e a preocupação está a dificultar-me o sono. Alguém me paga um copo para eu desanuviar? 
  Salvé, Séc. XXI

Desde que comecei na busca por um novo emprego, respondendo a anúncios, ainda não tive necessidade de enviar qualquer candidatura por correio, o que me permitiu alguma poupança de dinheiro. Pensei que esta semana seria a primeira vez, pois uma oportunidade que me despertou a atenção exigia envio de resposta ao jornal. Por acaso isso acabou por não ser verdade, já que o jornal através do seu site especializado permite a resposta por meio electrónico enviando inclusivamente ao candidato uma cópia da sua candidatura por e-mail. Mas se o anúncio tivesse sido publicado em qualquer outro jornal não teria essa possibilidade.
Por outro lado, um anúncio do Centro de Engenharia e Desenvolvimento do Produto exige a consulta ao site para obtenção de informação e o envio de candidatura por e-mail.
Há ainda várias empresas que preferem receber as candidaduras de forma mais antiquada, por correio, e outras querem mesmo que se envie (AARRRGGHHH!!!) carta de apresentação e/ou CV's manuscritos, talvez para que uma responsável dos recursos humanos mais dada a assuntos místicos, possa treinar o que aprendeu num curso de grafologia.
Só uma ínfima minoria ainda assenta a sua selecção em apreciações subjectivas sobre a escrita dos candidatos ou em outros métodos anacrónicos. Que desapareçam essas empresas tradicionalistas, que consideram que evolução é constar o signo do candidato no CV.

Mas felizmente a maioria das empresas parece ter evoluído no que diz respeito ao processo de candidatura e permite o concurso por meios electrónicos, poupando tempo e dinheiro a elas próprias e aos candidatos. Já são poucas as empresas que não dispõem de acesso à Internet e portanto nem no caso de pretenderem o anonimato têm a desculpa de obrigar ao envio de correspondência, já que podem criar caixas de correio gratuitas. O espaço oferecido é pouco? Há no mercado opções muito económicas. Não aceito justificações em contrário, porque se não aproveitam o que lhes oferece o presente não estão preparadas para o futuro. 
26.9.03
  Não há crise nos agradecimentos

Tem graça que boa parte dos inbound links para este blog sejam de blogs considerados ou auto-denominados de direita. Talvez queiram conhecer na prática o efeito das medidas de Bagão Félix e do governo de coligação, não sei nem interessa pois são todos bem vindos. No parlamento blogosférico, Manuel Alçada linka-nos e as coisas equilibram-se. Mas não consigo deixar de lamentar este blog ter perdido o link no Cruzes Canhoto, desde que este ficou coxo. Nada que uma breve temporada no Outão não cure.
Agradeço também a quem quer que seja que nos observa fielmente a partir do European Southern Observatory. Já agora, se vir um emprego noutro planeta, galáxia ou mesmo buraco negro, avise-me que eu estou por tudo. 
24.9.03
  Só me faltava esta

Tinha já começado a escrever uma entrada que se tornava grande sobre a minha entrevista de ontem, mas desisti e apaguei-o. Não tenho forças para tanto. Portanto cá vai um resumo daquilo que os entrevistadores me disseram:

- O emprego é redutor das minhas capacidades
- O salário nem de perto roça a "remuneração milionária" que tinha
- Tenho qualificações a mais para o lugar
- Gostaram muito de me conhecer e o meu CV fica "em base de dados"

Detesto perdas de tempo e dinheiro. 
22.9.03
  Dá a fome em fartura

Quando se faz, como eu, o envio de CVs em massa, corre-se o risco de ser chamado para entrevistas em datas muito próximas. Considerando que as empresas costumam apresentar um prazo máximo de 15 dias para dar uma resposta ao candidato, é possível que mais do que uma empresa convide o candidato para colaborador praticamente na mesma altura. A entrevista a que fui e aquela à qual irei são para funções com as quais me identifico e em que tenho experiência, não no todo mas em parte. Imaginando a possibilidade de uma outra empresa mais rápida no seu processo de recrutamento me chamar durante esta semana para entrevista e depois para me empregar numa função em que não tenho experiência e talvez nem perfil, tipo Delegado de Informação Médica, assusta-me. Não quereria aceitar para depois descobrir que uma das tais em que tenho preferência também estava interessada nos meus préstimos. Ou as duas... Ou mesmo aceitar uma das minhas preferências para depois descobrir que a outra, igualmente interessada, me ofereceria melhores condições.
É por isso que, apesar de tudo, para evitar confusões deixarei de enviar candidaturas a anúncios não relaccionados com a minha experiência anterior, voltando provisóriamente a ser "esquisito". Ou então não estou a ver bem isto e estou a ficar paranóico. Não haverá por aí um consultor em Recursos Humanos, não? 
  Balanço Semanal

1 (uma) resposta pendente a entrevista realizada.
0 (zero) candidaturas a anúncios de emprego publicados na Internet. (PING?)
1 (uma) candidatura espontânea. (PING?)
0 (zero) candidaturas a anúncios de emprego publicados nos jornais. (PING?)
1 (uma) notificação de entrega (PONG!)
1 (uma) notificação de leitura (PONG!)
2 (duas) respostas recebidas no seguimento de candidatura (PONG!)
0 (zero) propostas de emprego recebidas.

Total de 1 (uma) candidatura de emprego enviada.

Avaliação da Semana: 3/5

Houve uma diminuição no número de páginas no caderno de emprego Expresso de 24 para 18, o que me prova certo em em ter cautela antes de festejar o fim da Crise. No DN e no CM, o número de anúncios não parece flutuar muito nas últimas 3 semanas.
A grande variação da semana foi no número de candidaturas, provocada pela não adequação das funções a concurso ao meu perfil. Os únicos dois anúncios para os quais poderia ter concorrido eram para Delegado de Informação Médica, mas decidi não o fazer e aguardar pelos resultados da entrevista a que fui e a outra para a qual fui convidado a ir nesta semana que entra. O motivo explico no próximo post. 
21.9.03
  Novas recomendações e novo agradecimento

Agradeço a recomendação que é feita pelo PurPrazer à leitura destes postais enviados da Crise. Agradeço também à minha professora da primária, a D. Beatriz, pois sem ela não seria possível o elogio que me fazem no Galo de Barcelos e no Fumaças.

Bem hajam, vocês ambos os quatro. :) 
  Tristezas não pagam dívidas

Estes meus humores andam uma desgraça. Estava tão bem disposto e hoje deu-me para isto. É demasiadamente fácil para um desempregado deprimir-se. Nem sequer tenho grandes razões para isto, pois fui a uma entrevista (que me correu muito bem) e até já fui convidado para outra (noutra empresa).
Tenho saudades da namorada com quem não estou há 2 dias e dos meus amigos a quem não vejo há 2 meses. No caso da namorada o problema é resolvido amanhã, dia de folga. No caso dos amigos é mais difícil. Isolei-me voluntáriamente, só falando com eles por telefone de forma esporádica quando calha ligarem-me para saber "se morri". Desde que me tranquei em casa, dois casais amigos divorciaram-se e um está em vias de, uma amiga marcou casamento, um amigo foi pai e outro anda nos "treinos" para o ser, outro já teve duas novas namoradas e alguns fizeram viagens de que tenho curiosidade ouvir o relato.
Já não ligo o Trillian e nem requer respondo aos e-mails devido a uma inexplicável falta de paciência para conversar. Tenho vontade de sair mas não tenho vontade de $air. Não sei se será esta a explicação, mas penso que seja a falta de contacto pessoal que me está a fazer muita falta. É capaz de ser isso.
Por isso, já decidi: se não houver conclusão positiva no seguimento destas duas entrevistas, vou aproveitar a tal possibilidade que descobri há pouco tempo (ver final deste post) de trabalhar em part-time e receber a diferença do ordenado para o subsídio de desemprego.

- Ó faxavor! Traga um psicólogo, fresquinho.
- Com ou sem gás? 
  Saturday Night Delerium Tremens

Mais uma noite de sábado em casa. Mais uma noite em que poupei uns euros em copos, cigarros e no tradicional cachorro quente de fim de borga. Mais uma noite em que perdi o prazer da companhia dos meus amigos. Mais uma noite em que me interrogo porque o telemóvel não toca com um convite deles, porque assim sempre tinha uma desculpa. 
18.9.03
  Resumo da entrevista

Quando uma entrevista para emprego é, surpreendentemente, feita por alguém conhecido, o desempregado relaxa e consegue uma muito melhor prestação. Quando essa entrevista é feita, ainda por cima, por alguém que lhe conhece as capacidades profissionais e sabe na prática o que ele realmente vale, o desempregado enche-se de esperança.
Nota-se que estou bem disposto? 
  Este é um blog com muitas connections de um desempregado sem uma rede de contactos

Estava para aqui a disfrutar de uns dos poucos prazeres livres, ou seja, praticando mapling enquanto bebo uma tónica com ginger ale e largo umas fumaças para a atmosfera quando me dei conta da anarquia ranhosa que reina na minha memória.
- Meu Zeus! - disse eu - Se me volto a esquecer de agradecer ao João Fernandes, ao Gabriel, ao Piotr, ao Nélson e ao Beefeater com Schweppes ainda vou parar ao inferno!
Será que fui a tempo? 
17.9.03
  Ramadão do desempregado

Amanhã termina um jejum de 4 longos meses sem entrevistas. Estou a preparar-me - como talvez nunca tenha feito antes - para fazer boa figura. Depois direi como correu.
De notar que me candidatei a esta oportunidade em Junho e só agora começa a selecção e recrutamento... 
16.9.03
  Querida, estou rico!

Não foi a mim que mandaram, mas é como se o tivessem feito durante todo este tempo. Nem é preciso fazer comentários.

ESTOU RICO! 
14.9.03
  Agradecimento sentido pelos links

Nuno, por acaso não serás editor? Vinha mesmo a calhar... :)
El Coronel, vai um Melhoral? Só faz bem e não faz mal. 
  A semana da viragem

Com a conta bancária a atingir níveis verdadeiramente perigosos, está cada vez mais presente o risco de deixar de conseguir honrar as obrigações que assumi junto do banco. Pelos meus cálculos, se não gastar dinheiro nenhum tevo conseguir aguentar-me com o que ainda me sobra da indemnização durante mais 3 meses. É muito pouco. Chegou, portanto, a altura de deixar de ser "esquisito". Começo agora de forma mais frequente a responder a anúncios não relaccionados com a minha experiência anterior, como para Delegado de Informação Médica ou para Gerente de Loja, por exemplo. Esta é uma das razões para o envio de um número acima do normal de candidaturas de emprego, já que só três das que enviei tinham a ver directamente com as minhas funções anteriores.
É óbvio que outro motivo é o facto do número de ofertas ter crescido bastante. É um muito bom sinal, que pode prenunciar que a nível económico o pior já terá passado. É cedo para lançar foguetes - até porque o Governo agora obriga a licenças e inspecções dos bombeiros - mas dá alento a quem, como eu, não tem tido muitas razões para se sentir tranquilo com o futuro. Mas é o suficiente para já conseguir sonhar com o dia em que me juntarei com os amigos e a namorada em volta de umas garrafas de whiskey com o simples objectivo de comemorar o meu novo contrato de trabalho e de beber tanto quanto for preciso para esquecer o que passei até agora. 
  Balanço Semanal

0 (zero) respostas pendentes a entrevistas realizadas.
10 (dez) candidaturas a anúncios de emprego publicados na Internet. (PING?)
1 (uma) candidatura espontânea. (PING?)
5 (cinco) candidaturas a anúncios de emprego publicados nos jornais. (PING?)
4 (quatro) notificações de entrega (PONG!)
1 (uma) notificação de leitura (PONG!)
0 (zero) respostas recebidas no seguimento de candidatura (PONG!)
0 (zero) propostas de emprego recebidas.

Total de 16 (dezasseis!!!) candidaturas de emprego enviadas.

Avaliação da Semana: 4/5

De longe a minha melhor semana como candidato a um emprego. Há várias razões para isso, as quais explicarei num post à parte.
Como já tinha dito, durante esta semana comecei a receber notificações de entrega dos meus e-mails de candidatura, juntei mais um parâmetro à avaliação da semana.
Esta semana só não é avaliada com um 5 porque há ainda alguns critérios a zero, sendo o mais importante o das propostas de emprego que venha a receber. Só no dia em que o valor passe de nulo a positivo é que vai haver um 5 na avaliação. Da maneira como vejo as coisas melhorar, espero que não demore muito tempo. 
  Coluna de ligações

Fiz uma limpeza à coluna lateral, retirando o sempre vazio Net Jobs (Público Emprego), o falecido E-Jobs e os misteriosamente desaparecidos Classificados do Sapo.
Coloquei novas ligações para algumas intituições do estado com informação importante relativa ao tema do desemprego. Juntei também links para mais empresas de Recursos Humanos, mas só das que colocam online os seus anúncios de emprego. Se alguém conhecer mais alguma empresa de RH com anúncios online, avise-me por favor. 
12.9.03
  Saga V - Os motivos e as conclusões

Estes 7 meses de espera pelo subsídio de desemprego (SD) têm não um, mas vários motivos:

1. Os meus salários, segundo a relação que a Segurança Social (SS) me entregou, só ficaram todos lançados em sistema em Abril de 2003. Um exemplo disso é o mês de Julho de 2002, o qual só deu entrada na data anteriormente referida.
2. O mau processamento ou a má integração dos meus salários no sistema criou uma cadeia de repetições de valores, que se anulam entre si. Este problema parece ser da responsabilidade da última empresa onde trabalhei, já que nada disto acontece na relação de salários da empresa anterior.
3. Para agravar, comparando os meus recibos de vencimento com a relação de salários da SS, há várias situações de valores que recebi num determinado mês mas que aparecem movimentados na SS num mês completamente diferente. Mais um motivo para acreditar na responsabilidade da empresa.
4. Num dos meses, o valor que sobra positivo tem o código H (horas extraordinárias) em vez do código T (trabalho realizado). Poderá residir aqui a causa para a justificação dada na SS de que faltam ainda lançar remunerações. No atendimento geral a Sra. D. Ana Moura nem sequer sabe o que significam os códigos...
5. Quis já por mais de uma vez entregar cópias dos meus recibos para tentar facilitar os cálculos, mas a SS não os aceita de forma alguma. "O que interessa é o que está no sistema"...
6. O aumento da taxa de desemprego não pode ajudar à celeridade no tratamento do processo.
7. Não tenho nenhuma cunha na Segurança Social.

Como não quero acreditar que ponham o meu processo para o lado devido à confusão e à trabalheira que dá analisá-lo, tenho que acreditar que, tal como os incêndios que assolaram o país no mês passado, esta demora é provocada por uma conjugação anormal de factores negativos. Acredito que se as funcionárias da Segurança Social tivessem a sofisticação do responsável pelo inquérito ao acidente do IC-19, justificariam a minha situação com o "bater de asas da borboleta". Não há dúvida que a Teoria do Caos assenta bem na Segurança Social que temos... 
  Saga IV - O atendimento

Quando chegou a minha vez já dava tudo para sair daquele pesadelo. Estava transpirado, doíam-me os pés, sentia-me desconfortável e a dôr de cabeça estava no seu auge. Foi sem paciência nenhuma que me sentei em frente da funcionária para expôr o meu caso. Começámos mal e ficámos pior assim que a senhora tentou usar a técnica do despachanço. O meu caso teria sido analisado há uns dias apenas, no dia 23 de Julho, e quem o tinha feito colocou a nota de que no sistema ainda não constavam todos os meus salários. Que aguardasse, não havia outra solução. Felizmente não foram precisos muitos murros na mesa para que a senhora entendesse que não desistiria tão facilmente. Lá imprimiu do sistema a minha relação de salários, numas folhas A5 (porquê este formato?) iguais às que já tinha recebido na LSS da minha zona, engraçadas mas pouco funcionais por quase encavalitarem os caractéres devido à falta de espaço.
A enorme confusão dos registos, provocada pelos valores duplicados, uns positivos e outros negativos a anulá-los, não ajuda a uma análise que tanto ela quanto eu desejavamos rápida. A funcionária lá foi cortando valores para ficar apenas com os que sobravam positivos, confirmando dessa maneira que de facto todos os meus salários constam no sistema, ao contrário do que dizia a nota que estava no meu processo.
A segunda tentativa de despachanço não demorou. Como os meus salários já estavam todos no sistema já seria possível efectuar o cálculo e pagar o subsídio de desemprego - agora teria mesmo que esperar. Insisti que passasse essa informação para o departamento onde se procede aos cálculos e respectivos pagamentos. Não, porque devido ao enorme aumento no desemprego foram proibidas de ligar do atendimento geral para o departamento de desemprego, pois essas funcionárias acabavam por passar o dia ao telefone. Não, porque informáticamente não há maneira de, no atendimento geral, escreverem no processo qualquer informação. Então e correio interno, esta merda não tem? A senhora, sem mais uma palavra escreveu num papel os dados do meu processo e um pedido de reanálise urgente. Duvido da sua utilidade prática, mas foi o que consegui.
Saí como entrei, de mãos a abanar. O cálculo sobre o valor que vou receber ficou mais uma vez por fazer porque "o atendimento geral não efectua cálculos, o departamento de desemprego sim e o computador só o faz automáticamente a quem seja desse departamento, mas podemos informá-lo qual a fórmula a utilizar". Se melhores informações não consegui, foi porque "o atendimento geral não é especializado, informa sobre tudo o que tenha a ver com segurança social, desde o abono de família ao rendimento mínimo garantido". O problema não ficou resolvido porque "o atendimento geral não resolve problemas, informa".
Uma certeza: não me ajudaram mais presencialmente do que telefonicamente. 
  Saga III - A origem da cefaleia

Resignado à espera, procurei e encontrei um lugar para me sentar na fresca sala de espera. Não aguentei muito tempo, porque o barulho provocado pelas muitas dezenas de pessoas à conversa e sobretudo pelas crianças que faziam daquilo o recreio, gritando, correndo, chorando depois das estaladas correctivas das mães, fizeram-me preferir ficar na rua, em pé a maioria do tempo, à mercê da vaga de calor, ouvindo o doce chilrear das sirenes das ambulâncias, o suave trinado das buzinas e o batuque ritmado dos carros a passarem em claro excesso de velocidade pelas lombas do final do túnel da Av. João XXI.
De vez em quando entrava para ver se faltava muito e quando só faltavam 20 pessoas para chegar a minha vez, achei melhor já não sair e esperar ali mesmo. A sala de espera fica de frente para a zona de atendimento, não há qualquer porta que proteja as funcionárias do ruído. As crianças continuavam a correr e a gritar desenfreadamente, as mães despreocupadas permitiam, dezenas de conversas sobrepunham-se, o barulho era insuportável. Se esperar ali era um calvário, imagino que trabalhar ali seja uma descida diária ao inferno.
A cabeça já me doía um pouco, mas agravou-se sériamente quando se despoletou uma discussão entre um grupo de senhoras e um homem. Este último decidiu defender uma funcionária que era acusada pelas ditas mulheres de não chamar imediatamente o próximo número assim que despachava um utente, com o argumento de que provavelmente teria algum trabalho administrativo para fazer relativo ao caso que tinha acabado de atender. O que ele foi dizer... Que toda a gente sabe que elas ali não fazem nada, e quanto menos fazem menos querem fazer. Que só sabem é ir mijar, beber copos de água e tomar cafézinhos. Que com tanta gente à espera, ir lanchar era uma falta de respeito.
Uma delas, que também era funcionária pública, gritava que no serviço dela as coisas não eram assim, lá é que se trabalhava a sério. Ai se ela mandasse, punha todas a piar fininho. Nesta altura uma das funcionárias comete o erro de olhar para a que gritava. "Ai estás a olhar? Pensas que não te vi, fostes à cabeleireira fora da hora de almoço! A mim não me enganas tu!"
A coisa só acalmou quando um dos dois polícias de serviço ao Centro de Segurança Social, entrou na sala e ficou de plantão. E o meu número nunca mais chegava. 
  Saga II - A interminável espera

Depois de tirada a senha fui ver quantas pessoas o quadro electrónico dizia que tinha à frente - mais de duzentas. Pensei que demorasse 2 a 3 horas até ser atendido, que com a hora de almoço de permeio muita gente desistiria e iria para casa. Esqueci-me que as pessoas que esperavam vez procuravam, invariavelmente, auxílio social, não tinham tirado senha para comprar bolo rei no hipermercado no Natal. Tal como eu, não arredaram pé. Esperei 6 horas. 
  Saga I

Num dos dias mais quentes de Agosto fartei-me de ter sempre a mesma resposta e meti-me ao caminho para a Segurança Social, desta vez para os serviços centrais no Areeiro, em busca de justificações e, preferencialmente, de uma solução para o problema. Saí de lá depois de uma espera que parecia não ter fim, a saber o que sabia antes, com o bónus de uma enorme dôr de cabeça. Vamos por partes. 
  Informamos de que não temos informações

Segui o conselho que me deram na Loja da Segurança Social (LSS) da minha zona e liguei por várias vezes para o número informativo 218424200, todas sem sucesso. Uma vez, já irritado com o facto de não me atenderem a chamada, decidi experimentar números. Foi com surpresa que me atenderam à primeira do dito serviço informativo assim que liguei 218424201. Ou seja, bastou-me incrementar um dígito para finalmente uma voz se ouvir. Tendo-me sido dada finalmente a oportunidade de inquirir sobre o meu processo, nem quis saber porque raio não me atendiam no número que é fornecido ao público. Aqui inicia-se uma série de telefonemas, terminando todos com a mesma informação: o processo está pendente para análise, devo aguardar e ter paciência porque há uma enorme sobrecarga de trabalho sobre as funcionárias. 
  Vejo tudo negro

A Segurança Social continua sem me pagar o subsídio de desemprego, pedido no início de Fevereiro. Relembro que por ter pedido nesta data e não em Março não sou elegível para receber o subsídio provisório. 
  Out of Office AutoReply

Desde que decidi borrifar-me para a netiquette que não me esqueço de utilizar a funcionalidade do Outlook que me permite saber se a mensagem foi entregue no servidor de correio e depois lida pelo destinatário. Já me tinha queixado que não recebia notificações de entrega, desconfiando que se tratava de algum quid pro quo informático. Por qualquer razão, todos os emails que enviei hoje com essa opção começaram a ter feedback do servidor a acusar a sua recepção. Um desses servidores, para além da notificação de entrega enviou-me também um Out of Office AutoReply da parte do destinatário, o qual me informava estar de férias, prometendo ler a minha mensagem quando regressasse ao trabalho. Até aqui tudo bem. A minha dúvida é: qual a lógica de publicar um anúncio no jornal com um endereço de e-mail para resposta quando o proprietário dessa caixa de correio, aparentemente responsável pela selecção, se encontra ausente para gozo de férias? 
  Aposto...

... que a palavra esperança e respectivas variações foi das que mais utilizei neste blog até ao momento. 
  A ver vamos

Em Setembro regressaram os anúncios aos jornais. Os cadernos de emprego, sobretudo os de fim de semana, estão bastante mais recheados. Há muitas e boas ofertas de trabalho, principalmente no Expresso. Ainda estamos longe dos tempos áureos pré-11 de Setembro de 2001 em que o caderno de emprego chegou a ter tantas ou mais páginas que o caderno de economia, mas a diferença é muito positiva e assinalável.
Já há muito tempo, demasiado tempo, que ler o caderno de emprego só me trazia mais desânimo. Neste fim de semana as coisas pareceram querer mudar e assim sorri, esperançoso, imaginando-me a trabalhar de novo.
Teremos ultrapassado a crise? Será isto um sinal da retoma? A confirmar nas próximas semanas. 
  Bronzeado actualizado

Ora, recomecemos. 
Diario de um Desempregado

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