Vitima da Crise
25.11.03
  Intervenção Técnica (II) - Quem Mexeu no meu Queijo

Usou primeiro o argumento "aqui trabalha-se": o IEFP não é função pública, é um instituto público e os seus trabalhadores têm contrato individual de trabalho. Seguiu depois para a explicação de como está organizada a estrutura. Sede em Lisboa, 5 delegações regionais sendo esta a de Lisboa e Vale do Tejo e finalmente os Centros de Emprego locais, neste caso abrangendo dois concelhos. Há duas áreas principais de actuação: o emprego e a formação (DAH!). Na área de emprego a função principal, em termos gerais, é a gestão da oferta e da procura. Na área de formação gerem-se os centros próprios do IEFP e os protocolos com empresas de formação privadas ou os centros pertença de associações empresariais, como a AECOPS ou o CENFIC. Será esta última a área que deverá ser afectada com o final das transferências de dinheiro da UE e que poderão levar ao desemprego as TOP e as "dezenas" de outros colegas que, há muitos anos, desempenham funções no IEFP relacionadas com a formação profissional.
Lamentou-se sobre o fim dos QCA, vociferou contra a entrada de novos países na UE, argumentou sobre o secar das tetas da vaca. Mas nem uma palavra sobre o que pensavam fazer para a reconversão desses serviços, sobre planos de adaptação a essa (aparentemente) inevitável nova realidade. Uma desgraça, trabalhadores qualificados e experientes que perderão os seus empregos por causa dos burocratas da UE. Esqueceu-se foi que foram esses mesmos burocratas que lhe deram emprego até agora por via de um programa de fomento do emprego, que à partida já tinha um carácter temporário. Esqueceu-se também que o alvo da sua missão, os desempregados, serão, esses sim, os verdadeiros prejudicados pelo fim dos subsídios para formação profissional.
Proponho com carácter de urgência a criação de uma formação sobre "Como lidar com a mudança" para auxílio a estes futuros desempregados. 
  Intervenção Técnica (I) - Primeiras impressões

Foi hoje. Para não ficar à porta, como da outra vez, cheguei 5 suficientes minutos antes da hora mas agora seria a funcionária a chegar atrasada em 10 minutos. Não começavamos bem...
Entrámos 15 pessoas para uma sala com uma enorme mesa de reuniões, desconhecendo que teriamos a partir dali uma experiência kafkiana. A funcionária, que se apresentou como Dra. Paula Maria (nome fictício), Técnica de Orientação Profissional (doravante designada TOP) licenciada em Psicologia, fez questão de frisar que tirando a sua área de estudo "não percebe nada de nada" de economia, política, ou qualquer outra área que pudesse eventualmente gerar discussão entre os participantes. A TOP, uma senhora descuidada de cabelo sujo e despenteado e com umas olheiras de meter medo ao Susto (lembram-se do cão que escondia a cabeça com uma casota?), faz a primeira pergunta.

- Sabem porque é que estão aqui?
- Porque fomos convocados?


A resposta foi dada pelo meu vizinho do lado, o mais falador de todos nós. A profissão, caso não a tivesse revelado, seria fácil de adivinhar: vendedor de automóveis.
Sim, tinhamos sido convocados, mas porque é que tinhamos sido convocados? Fomo-lo no âmbito do Plano Nacional de Emprego, medida que até já passou do prazo de aplicação mas que tem sido prolongada para aproveitar os fundos estruturais enquanto estão disponíveis. Em 2006, com a entrada de novos membros na UE, acabam-se os quadros comunitários de apoio (QCA) e dessa forma acaba-se o trabalho para muitos funcionários do IEFP, possivelmente para a TOP também.

- Um dia destes poderei estar aí sentada.

Estava dado o mote para o discurso corporativista que se seguiria. Só lhe faltou dizer "estavamos tão bem sossegadinhos"... 
18.11.03
  É Natal na Segurança Social

Nunca tinha estado tanto tempo em espera como hoje para falar para lá: mais de 40 minutos. A música infelizmente mudou, já não é Madredeus. Agora são as músicas de Natal (em alemão) dos Pequenos Cantores de Viena. Esse CD felizmente acabou mas depois começou um horrível Coro Gregoriano português que não consegui identificar que até o Last Christmas dos Wham cantavam... AARRGHH!!! 
  Rol de despesas imediatas

Os últimos 2 meses foram os mais difíceis. Como implicavam o dispêndio de um dinheiro que não tinha, vi-me impossibilitado de fazer algumas coisas de que necessitava mas que podem ser consideradas supérfluas e, pior do que isso, fui obrigado a pedir dinheiro emprestado para as despesas que não podiam esperar, algo humilhante e sobretudo desnecessário se os serviços da Segurança Social funcionassem correctamente. Por isso, já tenho destino para uma parte do dinheiro.

1. Acertar as minhas dívidas
2. Como prémio pela paciência que tiveram comigo nos momentos de maior desânimo e desespero, vou levar a minha namorada e pais a jantar fora
3. Marcar o arranjo do elevador do vidro do carro, que se partiu, fazendo com que este se abra sozinho em andamento
4. Comprar um novo relógio despertador para o quarto devido à avaria do actual no mês passado 5. Comprar pilhas para os meus 2 relógios de pulso que decidiram parar quase ao mesmo tempo, para que possa deixar de ver as horas no telemóvel
6. Comprar algumas prendas natalícias aproveitando o menos inflacionado Novembro para o efeito
7. Fazer o único reforço do ano na conta Poupança Habitação

Depois disto, volto obrigatoriamente ao modo "forreta".
Já agora explico o destino 7. Da indemnização não separei dinheiro por contas a prazo, não comprei obrigações nem acções, não fiz amortizações de créditos, nada. Deixei todo o dinheiro à ordem para a eventualidade de dele vir a precisar, o que infelizmente se confirmou. Poupei e estiquei-o até ao limite do possível. Se não tivesse procedido assim, as minhas dificuldades teriam começado muito antes dos últimos 2 meses. É portanto um consolo para mim saber que tomei a atitude correcta e é também por isso que, agora que posso, vou transferir para a CPH o valor que me permite obter o benefício fiscal máximo. Como recebi indemnização, penso que estou "habilitado" a ter que pagar imposto sobre esse montante. Já agora só faltava pagar IRS tendo estado desempregado o ano inteiro... Não há por aí um contabilista amigo que me possa esclarecer? 
  JÁ RECEBI!!!

Abri a página do homebanking sofregamente. Contas à Ordem, Consultas, Saldos... YESSSSSSSS!!!!!!!! A primeira tranche já cá canta. Sem acertos, com base no valor incorrecto, mas mesmo assim está lá, desde ontem. No total demorei 9 meses e 6 dias a receber... 
  Pagamentos, acertos e tranches

Mas ontem restou-me uma outra dúvida. Só mais tarde me apercebi que poderia sem querer ter travado o processo, impedindo que, por causa da reconhecida necessidade de refazer os cálculos, a Segurança Social me pagasse já neste mês o valor que tenho a haver. Por isso hoje liguei de novo e, embora não tivesse conseguido falar com Fátima Brás, fui informado por uma sua colega que o acerto necessário só será feito no mês que vem exactamente para prevenir que viesse a acontecer o que eu temia. É uma prova de bom senso da ex-disléxica funcionária. Mas melhor do que isso foi saber que, afinal, o que tenho a haver me é pago em duas tranches. A primeira, já processada e enviada para o banco diz respeito ao valor acumulado até Outubro e a segunda refere-se à prestação do mês de Novembro. Ao contrário do que eu pensava não me pagariam o valor por inteiro e desta maneira havia possibilidade da primeira tranche já estar depositada no banco, pelo que me aconselharam a confirmar o meu extracto. E foi o que fiz, fui ver se tinha Natal este ano. 
17.11.03
  Descoberto o erro

Afinal a senhora não era disléxica. Quando consegui falar com ela disse-me que já tinha uma explicação para o motivo do subsídio de desemprego ter um valor bastante abaixo do dos meus cálculos: não tinha somado o mês de Novembro de 2001, logo um mês em que para além do ordenado se recebe o subsídio de Natal, daí a diferença ser tão grande. Não o somou porque para fazer os cálculos usou "a Internet" (?) e não o sistema antigo, e na "Internet" esse mês não estava lançado. Agora não pode ser ela a refazer os cálculos, é obrigatório que seja outra colega, uma regra que me explicou existir no seu departamento. Já passou o processo e diz que até dia 20 (data dos processamentos dos subsídios de desemprego) isso deve ficar feito mas que só pode ser confirmado no sistema uns dias depois, 3 no mínimo, antes não aparecem as alterações.
Mais uma vez decidi não hostilizar a funcionária. Poderia ter-lhe perguntado que raio de segurança tem um beneficiário quando os sistemas informáticos apresentam disparidades entre si, que merda de sistema informático é aquele que não valida as condições obrigatórias para o pagamento de prestações de desemprego como os dias de trabalho necessários para se ser elegível para esse efeito e que raio de competência se pode esperar do factor humano desta cadeia quando ela aprova e faz seguir como correcto um cálculo com base em 11 e não 12 meses como obriga a lei. Fica a dúvida: quantos mais estarão ser enganados nos valores a que têm direito receber? 
  Oportunidade Kaput!

Com o tempo previsto para o final do processo de recrutamento ultrapassado sem receber notícias, vejo-me obrigado a ligar para saber se fui ou não seleccionado. Sou recebido com uma conversa esquiva, que se furta a informações concretas e à transmissão de más notícias. Apesar do pudor da interlocutora, não é difícil perceber que quando nos dizem que vamos receber uma carta em casa é porque não pensam em contratar-nos.Tendo essa certeza, perguntei porquê, informando que não procuro tirar desforço mas sim melhorar o meu nível, eliminando pontos fracos que tenho para as entrevistas que possam estar por vir. "Os recrutamentos são sempre subjectivos", explicaram-me, mas no meu caso, que até era um candidato bem colocado, traíu-me a falta de experiência em processos de certificação de qualidade, um requisito que não estava explícito no anúncio.
Mais um exemplo da tal história de que falei ontem sobre as diferenças de métodos e atitudes entre as empresas nacionais e internacionais.
A reter: já só tenho uma oportunidade em aberto
  Estou convocado

Ao contrário do que eu pensava, não demorou 8 meses. Já tenho o postal que me comunica a nova data para a intervenção técnica. Conseguiram remarcar para o mesmo mês, um progresso assinalável! 
  Para os mais impacientes

Já o disse por várias vezes: independentemente de serem empresas especializadas em RH ou os próprios departamentos de RH das empresas a tratar do recrutamento, há uma grande diferença de comportamento entre as empresas portuguesas e as estrangeiras. As primeiras desprezam o candidato, dão-lhe pouco ou nenhum feedback, após resultado negativo na selecção não informam o candidato desse facto, não respondem a envios espontâneos de CV's, etc. As segundas são polidas, atenciosas, primam por explicar todos os passos do processo, informam pormenorizadamente dando feedback completo mesmo em caso negativo, têm enfim uma atitude completamente oposta. É uma evidência que me entristece, porque sendo os funcionários portugueses em ambas as empresas chega-se à conclusão de que isso poderia não ser assim.
Na passada 6ª feira tive uma nova prova de que a filosofia das empresas estrangeiras assenta em princípios de objectividade, transparência e respeito para com o candidato, inexistentes nos processos de recrutamento feitos pelas empresas nacionais. Recebo uma chamada a avisar que mais para o fim da semana que vem, ou seja, para o fim desta semana, devo receber um convite para uma 2ª entrevista relativa a esta oportunidade. Ao permitirem preparar-me com bastante antecedência para a dita entrevista demonstram que, ao contrário das empresas nacionais (de RH neste caso), as estrangeiras sabem que o foco da sua actividade é o candidato e que, apostando nele, poderão apresentar às entrevistas pessoas teoricamente mais capazes e dessa forma criar condições para continuar a ter as empresas que recorrem aos seus serviços como clientes.
Neste caso particular, de empresas multinacionais de serviços de RH, conseguem conciliar a seriedade com um objectivo comercial muito bem definido. É deste tipo de características que as empresas nacionais precisam; são características como estas que definem o grau de sucesso de uma empresa tornando-a ou não numa vencedora. 
  Regra: não dar o braço a torcer

Falei com a "disléxica" na 6ª feira. Como esperava, tinha desvalorizado a importância do meu fax.

- Sim, já vi para aí o seu fax no meu monte de correspondência.
- E?
- E o senhor deve ter feito os cálculos pelos montantes que constam nos recibos de vencimento.
- Não, fiz os cálculos pelos montantes que constam nos comprovativos que as suas colegas do atendimento me forneceram, impressos directamente do vosso sistema.
- Mas alguma coisa deve ter feito errado. De qualquer forma, hoje não posso. Trato disso na 2ª feira.


Mesmo que eu tivesse feito os cálculos pelos valores que estão nos recibos de vencimento teria obrigatóriamente que chegar ao montante correcto do subsídio, porque naturalmente esses valores têm que ser iguais aos valores declarados à Segurança Social. Mas nem lhe disse nada, é melhor não hostilizar porque o resultado pode ser imprevisível. Admitir que se cometem erros não é uma das características fortes no funcionalismo público. Até faz pensar que isso deve fazer parte dos requisitos de carácter obrigatórios para se ser funcionário público... 
12.11.03
  Hoje

Recebo a tal carta.

"Pelo presente ofício informa-se V. Exª que o requerimento de SUBSÍDIO DE DESEMPREGO foi deferido com efeitos a partir de 11/02/2003..."

Vejamos o artigo 22.º da Lei 119/99:

Montante do subsídio de desemprego

1 – O montante diário do subsídio de desemprego é igual a 65% da remuneração de referência e calculado na base de 30 dias por mês.
2 – A remuneração de referência corresponde à remuneração média diária definida por R/360, em que R representa o total das remunerações registadas nos primeiros 12 meses civis que precedem o 2.º mês anterior ao da data do desemprego.
3 – Para efeitos do disposto no número anterior, só são consideradas as importâncias registadas relativas a subsídios de férias e .de Natal devidos no período de referência.


O valor diário a pagar que agora me apresentam é 5€ menor do que aquele que apurei com os meus cálculos. Só me faltava esta...
Fiz os cálculos ao contrário partindo do valor diário para chegar ao valor das remunerações no período de referência totalizado pela Segurança Social. Depois tentei retirar parcelas dos meus salários mensais que pudessem explicar a diferença, mas não consegui. A diferença não tem explicação.
Liguei para o Atendimento Geral para confirmar se haveria alguma parcela que eu estivesse a somar e que não devesse fazer, mas não, dizem-me que estou a fazer os cálculos correctamente. A explicação para a diferença, diz a funcionária, pode ser a inexperiência de algumas colegas que foram integradas à pressa no departamento de desemprego e uma possível "dislexia visual". Pelos vistos a dislexia é uma doença relacionada com o desemprego...

Lá vou ter que preparar um fax com carácter urgente para apresentar a minha reclamação. Vamos ver quando tempo é que demorará agora. 
  Ontem

Comemorei em conjunto com S. Martinho a data em que decorreram 9 meses desde a data do meu pedido de subsídio de desemprego.
Recebi nova chamada de Ana Moura da Segurança Social, repetindo aquilo que já tinha dito (ver ponto 3): o subsídio foi processado, vou receber uma carta que indica os valores, não pode dizê-los pelo telefone. O facto de repetir esta chamada diz muito da organização da SS. 
10.11.03
  O Fórum da Vergonha

Mais uma boa ideia que é desperdiçada sem resultados práticos. O Ministério da Segurança Social e do Trabalho tem um fórum online na sua página. O conceito é copiado dos fóruns de suporte das empresas, como a Microsoft por exemplo, que tantos de nós utilizamos para procurar informação e tirar dúvidas na utilização de aplicações, equipamentos, etc. A utilidade desse tipo de serviços é inegável, na minha opinião. Só que as perguntas colocadas no fórum do MSST não têm nem nunca tiveram resposta por ninguém ligado ao Ministério...
Viva o e-Government!!!

Portugal em Acção 
  Mais emprego público

O site do IEFP tem mais ofertas de emprego na Administração Pública, sobretudo para Câmaras Municipais e Universidades. Os anúncios, como concursos públicos que são, têm publicação obrigatória na II ou III Série do Diário da República (dependente do tipo de concurso ou entidade) onde são descritos os requisitos e métodos para a realização de candidatura. E até há um link para o Diário da República Electrónico para que se possa consultar essas informações imprescindíveis. Parece-me tudo bem, menos o facto do acesso a essas séries ser só por assinatura e os preços não serem nada meiguinhos...

INTERNET - NOVAS ASSINATURAS (IVA 19%)
1.ª Série
100 Acessos 120,00 €
200 Acessos 215,00 €
300 Acessos 290,00 €
2.ª Série € 120,00 € 215,00 € 290,00
Concursos Públicos, 3.ª Série € 120,00 € 215,00 € 290,00
Actos Societários, 3.ª Série 100 Acessos 250 Acessos 500 Acessos Ilimitado * € 22,00 € 50,00 € 90,00 € 550,00

* Até 31/12/2003 
  BEP

A Bolsa de Emprego Público já funciona e tem ofertas. São só 5 mas é melhor que nenhuma. O link está na coluna da direita. 
9.11.03
  Finalmente os comentários

O Ginger Ale pergunta, optimista, qual vai ser o novo nome do blog, no que é secundado pelo Altino Torres que afirma ser natural que quando eu comece a trabalhar o tema passe da problemática do desemprego para a do emprego. Um anónimo, prestes a tornar-se uma nova vítima da crise, pede-me que resuma o que se passou para que eu ficasse no desemprego de maneira a que ele possa ter uma ideia do que o espera. Respondo aos três ao mesmo tempo.
Optei por editar este blog de forma anónima porque há quem possa julgar que eu posso estar a quebrar alguma regra ética na divulgação de episódios relacionados com a Segurança Social e sobretudo sobre a minha carreira profissional e empresas onde trabalhei, partilhando informação interna na Internet. Evitei sempre naquilo que escrevi poder ser acusado disso, mas essa (sei por experiência própria) é uma possibilidade. Perdoem-me a mania da perseguição mas quem já foi prejudicado profissionalmente pela sua chefia que mesmo tendo aprovado a elaboração de uma brincadeira por ocasião do aniversário da empresa considerou que, tendo essa brincadeira sido tornada pública por intervenção de outrém, se não a tivesse feito nada daquilo teria acontecido (lógica da batata: se a minha avó tivesse rodas era um camião). Ou seja, para resumir aquilo que se passou teria que ser muito concreto e isso não posso fazer online. Portanto, Altino, também pela especificidade dos assuntos que podem decorrer de uma nova actividade julgo não poder manter um blog relacionado, sob pena de poder ser mal interpretado e enviarem-me de volta à condição de vítima. Logo, Ginger Ale, este blog não mudará de nome, simplesmente cessará a sua actividade assim que consiga um novo trabalho. Não o vou apagar, ficará online e continuarei disponível no e-mail e a visitá-lo para ver se há novos comentários mas terminarei a sua edição.
A Gotinha pergunta se já pensei escrever um livro sobre as minhas desventuras e até nem foi a primeira pessoa a fazer essa sugestão. Isto, é claro, deixa-me muito lisonjeado, mas não acho o que escrevo aqui tenha qualidade literária, não sou nenhum Pipi. Apesar disso penso que um livro com este tema poderia provocar alguma curiosidade nas pessoas e até, quem sabe, vender bem. E bem me dava jeito o dinheiro. Talvez se a Sra. Dona Bomba achar que é caso para isso, mas não creio.

Agradeço também a Jordi, Trio de Ases, D, Nelson Gonçalves, Susa, Canzoada e à Blond Girl pelos comentários simpáticos e pelos desejos de boa sorte. Um obrigado muito especial à Mitómana e à Maria da Fé (continue a desabafar que faz bem), ambas também no desemprego, para as quais desejo em dobro o que desejam para mim. 
7.11.03
  Sinto-me estranho em fazer isto pt II

Não me esqueci das respostas que quero dar aos comentários, mas agora tenho que sair, terão que ficar para mais tarde. Até já. 
  A segunda e a nova oportunidade

Foi uma entrevista light, muito light, durando pouco mais que meia hora. Pouco mais do que fazer o meu resumo profissional e receber uma descrição da função. No final, o desvendar do nome da empresa que está a contratar, anónima até aí. Só que essa empresa e a função são exactamente as mesmas da "nova oportunidade". Isto significa que estou a participar em dois processos de recrutamento distintos, em duas empresas de RH diferentes, mas para a mesma vaga.
O meu entrevistador não gostou muito, nem eu aliás, mas de qualquer forma disse que ia avançar com a minha candidatura, pelo que presumo que também aqui já passei a primeira fase.
Apesar disto, deu para perceber uma coisa. Há urgência na contratação, o que leva a empresa a usar pelo menos duas recrutadoras, em que uma delas me faz uma entrevista menos exigente e a outra nem sequer faz uma nova entrevista. Isto pode ser altamente positivo para quem, como eu, tem disponibilidade imediata.
Tenho pena que a nova oportunidade afinal não seja nova, o que me deixa uma "not so good feeling", mas por outro lado estou mais optimista do que alguma vez estive. 
  A primeira e a nova oportunidade

Quando estava a chegar à primeira entrevista, pouco antes de entrar na empresa, recebo um novo telefonema, a tal nova oportunidade que referi ontem. Tinha sido entrevistado por essa pessoa em Maio, antes ainda da existência deste blog, mas não consegui o lugar por falta de competências académicas e profissionais num dos requisitos, tal como me explicou detalhadamente fugindo ao tradicional secretismo imposto pelas empresas de RH sobre os motivos da não-selecção. Aparentemente agradei, de tal forma que se lembrou de mim e ligou a saber da minha disponibilidade, questionando-me sobre se estaria interessado numa vaga que abriu na mesma empresa, embora seja para uma função de menor responsabilidade. Óbvio que respondi que sim e sem mais disse-me que ia imediatamente promover o meu CV junto da empresa. Ou seja, nem preciso de nova entrevista, a primeira fase já está ultrapassada.
Isto naturalmente motivou um constrangimento para a entrevista que se seguiu. Ofereceram-me um part-time de 5 horas diárias, precedido por uma formação em full-time remunerada mas não declarada oficialmente (se fosse perderia o direito ao subsídio) e posterior contrato a prazo renovável de 7 meses. Os prazos para o início da actividade eram curtíssimos, por isso tive que explicar as razões do meu constrangimento. Se aceitasse imediatamente, havia a possibilidade de poder vir a ser entretanto convidado por uma das outras empresas que neste momento me oferecem vagas mais interessantes e dessa forma deixaria mal vista a minha ex-colega que me recomendou e prejudicaria a empresa ao fazê-la perder tempo e dinheiro comigo formando-me com a expectativa de me tornar seu funcionário. Desta forma acordei em deixar a minha candidatura em stand by.
Se as coisas não se definirem nos próximos 3 dias, esta foi uma oportunidade perdida. 
  Prometo e cumpro... amanhã

Sinto-me um bocado estranho em fazer isto, não quero deixar que o blog mande em mim, mas não ficaria de consciência tranquila. O contador acusa visitas repetidas devido à minha promessa e recebi várias mensagem de apoio e de desejos de boa sorte (às quais pretendo responder), por isso acho que devo justificar-me.
Espero então que compreendam mas vou deixar o relatório para amanhã porque eu ontem, talvez devido à excitação causada por tantas novidades, só consegui dormir 3 horas. Acho melhor contar tudo depois, até porque as frases que escrevesse agora provavelmente não fariam sentido. Já tenho a cabeça a cair em frente ao monitor e sinto o queixo molhado, é possível que já não consiga reter a baba. Durmam bem, até logo. 
6.11.03
  Relatório preliminar

A primeira entrevista já está. E há uma muito boa notícia, uma nova oportunidade! Pormenores lá pela hora de jantar, que eu agora vou entrar em estágio para a segunda. 
5.11.03
  Passam-se semanas sem nada e de repente...

Recebo 5 chamadas hoje, quase de rajada, com uma diferença não superior a 30 minutos entre elas.

1. Uma ex-colega para saber se estou vivo. Ela já está a trabalhar, mas eu não sabia. Conto-lhe acerca do subsídio de desemprego parcial e ela diz-me que estão a contratar para lá. Vai saber se há part-times e já liga.
2. Um estranho telefonema. Uma pessoa de uma empresa de recrutamento à qual enviei o currículo espontaneamente faz-me perguntas sobre a minha disponibilidade, pormenores do meu CV, experiência profissional e conhecimentos informáticos. Pergunto porquê, se pode adiantar mais informações sobre a razão do interesse. Não pode, só pessoalmente, e diz que é muito provável que me volte a contactar.
3. Liga Ana Moura da Segurança Social. O meu subsídio de desemprego já foi processado, no fim do mês já recebo. O valor ser-me-à informado por carta, por telefone não é permitido. Afinal sempre telefonam às pessoas...
4. A minha ex-colega volta a ligar. Passa a chamada a uma pessoa dos Recursos Humanos que me explica em que consiste o trabalho, qual o horário, o valor do salário, etc. Marcamos entrevista para amanhã.
5. Alguém, em nome da pessoa que me ligou na 2ª chamada, quer marcar entrevista comigo. Continua sem poder dizer para que função ou empresa. Marco a entrevista também para amanhã.

Para mim hoje não houve crise. 
4.11.03
  Não era mentira

Disse e cumpriu. Quando cheguei a casa vindo da minha não-intervenção no Centro de Emprego, fui avisado pelo meu pai que me tinham telefonado da Segurança Social mas que não quiseram dizer o assunto. Calculei que fosse a funcionária Fátima Brás e, supreendentemente, em menos de 10 minutos consegui voltar a falar com ela. Era um problema com o NIB que eu, que ando disléxico, tinha escrito incorrectamente trocando dois dígitos. Confirmei os números com a senhora e fiquei a saber que era a única coisa que faltava para acabar o processamento do subsídio.
Não posso ainda dizer que estou aliviado porque depois de tantos desencontros - para ser bonzinho - estou como São Tomé. Só quando no final do mês entrar o dinheiro que me vai permitir pagar a prestação ao banco sem ter que pedir dinheiro emprestado é que acredito que este pesadelo está a acabar. 
  A Intervenção Técnica

Devido ao que aconteceu, explicado no post anterior, cheguei 20 minutos atrasados para ser "intervencionado" e já não me deixaram entrar. Preenchi uma declaração com os motivos do atraso e solicitando uma nova chamada, tal como me foi pedido pelo segurança, que no Centro de Emprego também trabalha como recepcionista/telefonista (alguém, por Deus, me explica esta acumulação de funções?).
Se demorar tanto quanto demorou para ser chamado da primeira vez, só daqui por 8 meses volto a ter notícias deles... 
  Ao telefone com a Segurança Social - Dia #5 e último

Dia 4.11.03

Funcionária: Fátima Brás

Consegui hoje finalmente chegar à fala com esta senhora. Fiz conforme me aconselharam ontem, ligando às 8h58 para o número geral (218424200) e, pela primeira vez em quase 9 meses, fui atendido. Transferiram-me a chamada e ao fim de 15 minutos uma senhora de voz muito arrastada, quase igual à da deputada Odete Santos do PCP, pegou no telefone, a quem pedi para falar com Fátima Brás (FB). Ofereceu-se para ser ela própria a tratar da minha situação o que me deixou siderado pelo anormal voluntarismo. Mas isso foi sol de pouca dura.

- Eu preferia falar com a sua colega, porque...
- Ó Fatinha! Tu és Brás? Está aqui um senhor que só quer falar contigo.

Silêncio. Nem quis ouvir qualquer explicação nem sequer me pediu que aguardasse. Mais 5 minutos em espera, mas que valeram bem a pena.
Recebeu o meu fax? Check.
O documento está em ordem? Check.
O pedido para receber por transferência bancária está OK? Check.
O NIB está legível? Check.
Nada impede o processamento do meu subsídio de desemprego? Check.
De certeza? Confirma que os meus salários estão todos aí? Check.
Recebo ainda este mês? Check.

Prometeu-me que começaria de imediato a tratar do meu caso, logo que desligasse. É desta maneira que consigo agora ver o fim a 9 meses de espera (completam-se dia 11). Receberei agora em casa uma carta com o aviso de pagamento e posso, mais ou menos dentro de uma semana, ligar para o atendimento geral para saber quanto foi apurado ser o valor mensal que passarei a receber. Mas ponho-me agora a imaginar: e se eu não insistisse, quanto tempo mais teria que esperar? 
3.11.03
  Ao telefone com a Segurança Social - Dia #4

Dia 3.11.03

Funcionária: Ana Moura

Como está, que tal de fim de semana, bonzinho? Ainda bem. Já agora veja lá se já tenho motivos para crer que este é dos últimos fins de semana que passo em casa para não gastar dinheiro. "Aguarda carta de despedimento"? Do fax nem sinal. Até amanhã, então.

Voltemos a tentar falar com Fátima Brás. No número que liguei 5ª feira ninguém atendeu, hoje foi no número abaixo (218424242) que consegui ouvir alguém. Aparentemente esse alguém não conhecia nenhuma Fátima Brás, por isso passou-me para o telefonista. O Sr. Gonçalves, que pela falta de maneiras continuo a achar que deve ser o segurança, identificou a senhora como funcionária do Desemprego e mudou logo o tom de voz agressivo para a versão coitadinhos. Coitadinhos, que no desemprego estão tão ocupados. Coitadinhos, ele vê no PBX que ainda há muitas chamadas em espera para serem atendidas. Coitadinho de mim se quiser que a chamada seja transferida, vou ficar muito tempo à espera. Disse-lhe que isso não me interessava, que passasse a chamada e o Sr. Gonçalves volta ao seu tom agressivo:
- O senhor é que sabe.
Sem mais, lá estou a ouvir Madredeus outra vez. Passados dez minutos sou atendido pelo Sr. Hugo, que me pergunta se a chamada é pessoal ou relativa a trabalho. Indicou-me então que o atendimento fecha às 17h e a colega Fátima Brás está ainda a atender uma pessoa ao telefone. Está impedido de me dar o número de telefone directo e aconselha-me a tentar ligar amanhã 2 minutos antes das 9h.
No caso do Sr. Hugo, o tom é de má vontade. Pareceu-me ter comigo uma reacção de defesa de um corporativismo primário. Mas como tenho tendência para a paranóia, farei como ele disse. 
Diario de um Desempregado

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