Vitima da Crise
31.10.03
  Alguma coisa está mal quando...

... sabes o teu número de beneficiário da Segurança Social de cor. 
  Ao telefone com a Segurança Social - Dia #3

Dia 31.10.03

Funcionária: Ana Moura.

Tudo na mesma, como a lesma. Literalmente. Vai fazer "um print". Bom fim de semana. 
  Ao telefone com a Segurança Social - Dia #2

Dia: 30.10.03
Funcionária: Ana Moura

Não há novidades, o meu processo está na mesma. Conto-lhe que consegui ligar e ser atendido no Departamento de Desemprego. Deu-me os parabéns por o ter conseguido, pois ela, que é funcionária da SS, não o consegue. Já não se surpreendeu quando lhe disse que o máximo que consegui foi saber que a D. Fátima Brás está de férias até 2ª feira.
Pediu-me o número de telefone para me ligar quando houvesse novidades, o que fiz salientando que já o dei várias vezes mas que nunca me ligaram. Explicou-me que para me telefonarem têm que haver alterações no meu processo e que se nunca tinham telefonado é porque nunca tinham havido; ainda me disse que a primeira tarefa que fazem de manhã é exactamente confirmar se existem desenvolvimentos que possam levar à realização de uma chamada para as pessoas que, como eu, o pediram. Por acaso não é bem assim, pois ninguém me telefonou a dizer que faltava um documento. Apesar disso deixei passar e avisei-a que ia ligar todos os dias, perguntando-lhe se se importava. Disse-me que vou perder tempo, que era desnecessário, mas que não se importa nada de falar comigo. Ah, e vai fazer "um print".
Fiquei a pensar nisto, se de facto se justifica gastar dinheiro a ligar todos os dias. Cheguei à conclusão que sim, o tempo que tinha a perder já o perdi nestes últimos 9 meses. 
  Ao telefone com a Segurança Social - Dia #1

Dia: 29.10.03
Funcionária: Ana Cristina Alho

Como já tinha referido, passei a telefonar todos os dias para a SS, tentando dessa forma pressionar os serviços para que o processamento do meu subsídio de desemprego não demore nem mais um dia do que o necessário. É uma tarefa inglória que passo a relatar.
Não há ainda registo do fax que enviei na segunda feira com o documento que faltava no meu processo. No sistema informático continua a constar "aguarda carta de despedimento", por isso aconselham-me a dirigir-me ao atendimento geral para entregar em mão uma cópia da declaração da entidade empregadora. Perguntei porquê, se os faxes que chegam ao serviço não servem para nada. Asseguram-me que sim, "para o lixo não vão concerteza", mas que pelo sim, pelo não, devia entregar uma cópia pessoalmente para maior segurança. Qualquer um dos métodos deveria obrigar a uma acção da parte das funcionárias do Departamento de Desemprego, por isso perguntei quais eram as vantagens de o fazer. A resposta foi que o fax poderia extraviar-se. Então e o documento entregue em mão não pode extraviar-se? Pode, claro que pode, disseram-me do outro lado da linha. Mas havendo dois documentos há maiores possibilidades de ver o meu processo tratado. De qualquer forma a funcionária ofereceu-se para fazer "um print" para ser entregue do Desemprego.
Mais uma vez maravilhado com a eficácia e organização exemplar da Segurança Social, decidi tentar ir um pouco mais longe. Como a SS tem uma série de pelo menos 100 números de telefone consecutivos a começar no 218424200, comecei a experimentar a partir do 218424240. Fui atendido no 43 por um senhor, penso que vigilante das instalações (já agora, que mania é esta das empresas e instituições de não contratar telefonistas e valer-se das empresas de segurança?) ao qual dei o nome da funcionária que me enviou a carta e pedi para falar com ela. Avisou-me que seria muito difícil, que é quase impossível falar para lá, mas que ia tentar passar a chamada e que era natural que fosse atendido por outra pessoa que não a com quem queria falar. E tinha razão. Dez minutos depois fui atendido pela funcionária Isabel (recusou-se a dar-me o apelido...) que me informou que a senhora com quem queria falar estava de férias e que só voltava 2ª feira. É preciso ter azar... De resto ela não podia fazer mais nada: não podia confirmar se o fax tinha sido recebido, não sabia se os processos que estavam com a colega tinham sido distribuídos a outras enquanto a primeira estivesse de férias (embora achasse que sim), não podia tomar nota da situação para que alguém o pudesse verificar por ela e também não podia transferir a chamada para que eu falasse com a chefia da secção. Ou então, não o queria fazer.
Nada a fazer senão voltar a tentar esta hipótese na 2ª feira. 
30.10.03
  Melancolia

A música de espera da Segurança Social é Madredeus. Acho adequado. 
  A minha (des)orientação política

A pouco e pouco este blog vai aumentando o número de visitantes, normalmente por recomendações feitas noutros blogs. Essas recomendações têm sido feitas maioritariamente em blogs onde não se esconde o pendor canhoto mas também por alguns fachos, como é comum apelidarem-se mutuamente na blogosfera portuguesa. A diferença é que os primeiros costumam ser bem mais expansivos que os segundos, sendo mais elogiosos da prosa, louvando a iniciativa e desfazendo-se em votos de "melhoras". Posso estar enganado, mas isto leva-me a crer que, inconscientemente, tenho andado a escrever inclinado para oeste e que isso é facilmente detectado nos episódios que por aqui vou relatando. Nada de errado nisto, mas...

Quando me foi concedido o direito de voto e tive de decidir onde colocar uma cruz, não quis que a opção partidária dos meus pais me influenciasse, muito menos a opção anarco-sindicalista do meu avô que logo à partida excluí por crer numa maior eficiência dos sistemas organizados - um possível defeito do pragmatismo que me leva a desconsiderar o que não é exacto. Na escola secundária não recordo terem-me ensinado o que era a política, o que eram e em que é que consistiam e defendiam as ideologias contemporâneas, nem sequer o que significa esquerda ou direita (e já agora centro, como diria Paulo Portas). Ao contrário do que aconteceu, preferia que a professora de História tivesse conseguido passar da instauração da República e concluído o programa na história recente do país do que saber o que havia a saber sobre o Miguelismo.
Não votar está fora de questão e para não o fazer levianamente procurei informação: passei a prestar muito mais atenção às secções de política dos jornais, vi debates televisivos, li artigos de opinião e alguns livros sobre o assunto, tudo coisas pouco atraentes tanto para mim como para a maioria dos jovens. Como não cheguei a qualquer conclusão clara, comecei a julgar conforme a minha consciência - justo/injusto, certo/errado, verdadeiro/falso e mais recentemente honra/desonra. O meu (bacoco) tribunal tem sempre decidido a favor da esquerda, mas ainda há pouco tempo, agradado com tanta acção e capacidade de decisão, surpreendia alinhando-se com as políticas governativas, mesmo apesar de ter sido devido uma acção directa do governo que fiquei sem emprego. Mas apesar do método, tenho um método.



Não sou nem quero ser politizado. Prefiro guardar distância dos que o são, sobretudo dos facciosos. Sinto que dessa forma poderei ter opiniões e tomar decisões mais esclarecidas, ou pelo menos mais de acordo com as minhas convicções. Portanto a minha bête noire não é Bagão Félix, mas a injustiça das suas medidas.
Agradam-me Canhotos que desmontam argumentos aos Jaquinzinhos deste país (embora fazendo-o dêem razão aqueles que dizem que eles comem criancinhas ao pequeno almoço, neste caso filhotes de carapau (de corrida)). Concluindo, não sei se sou de esquerda ou de direita, gosto (do melhor) das duas opções mas mais da primeira, da qual tenho percepção de uma maior honestidade. Independentemente do que sou, acalento um Noir Desir que os Bertrand Cantat's que votaram neste governo dêem uns valentes abanões nas urnas a esta Marie Trintignant, sem a querer matar mas com esse resultado.  
28.10.03
  Será desta?

Desde ontem que a Segurança Social (SS) não pode alegar absolutamente nada que possa justificar um atraso maior do que o actual, de quase 9 meses, no processamento do meu subsídio de desemprego. Nesse dia completaram-se 3 semanas desde a data em que me vi obrigado a fazer um pedido à holding da minha ex-empresa da emissão da 2ª via de um documento que entreguei mas que a SS perdeu (ou que arquivaram no processo de outra pessoa, conforme me explicaram ao telefone), mas que finalmente me fizeram chegar por fax após conseguirem a necessária assinatura pelo presidente. Espero agora o original pelo correio, mas assim já pude enviar, também por fax para a SS, o que faltava para dar seguimento ao meu processo. Será que já receberei em Novembro?

Na verdade, a SS pode continuar a alegar vários motivos para que o meu processo continue atrasado como têm feito até agora:

- Podem continuar a alegar que estão assoberbados de trabalho, eu sei que é verdade.
- Podem continuar a justificar-se com o estado lastimável do sistema informático, até o próprio ministro o reconhece.
- Podem continuar a afirmar que falta o lançamento de salários na minha relação de remunerações, eu posso provar que isso é falso desde Abril.
- Podem continuar a dizer-me ao telefone (todos os dias a partir de amanhã) que não podem fazer nada para apressar o processo.

A diferença é que agora não vou aceitar nenhuma dessas justificações. 
27.10.03
  A Arte de Bem Receber começa por se convidar apenas de quem se gosta

Durão Barroso foi vaiado quando ia começar o seu discurso na inauguração do novo estádio do Benfica. A situação conseguiu com custo ser contida por Fialho Gouveia quando disse "não é digno de ser benfiquista aquele que não sabe bem receber em sua casa". As pessoas lá passaram dos apupos às palmas e deixaram o homem falar, mas quanto a mim esqueceram-se do essencial: nenhuma dessas pessoas convidaria Durão Barroso para a sua casa.  
  As Políticas Sociais do Ministro Bagão Félix


Este é o senhor que me está a dever quase 9 meses de subsídio de desemprego. Pelo menos já admite que o sistema informático está num estado lastimável.


Este é o senhor que pretende obrigar os desempregados a aceitar a primeira oferta de emprego que apareça, encapotando a justiça da medida com a obrigatoriedade de aceitação de um mais que subjectivo trabalho conveniente.


Este é o senhor que nos casos de rescisão amigável quer que uma parte da indemnização seja descontada do subsídio de desemprego.


Este é o senhor que vai legislar para que o subsídio de desemprego e de doença passe a pagar IRS.


Este é o senhor que pretende, indiscriminadamente, colocar beneficiários de prestações sociais na realização de funções de responsabilidade estatal, como a limpeza de matas ou na reparação de vias de comunicação.


Este é o senhor que quer poupar dinheiro a todo o custo, mesmo que para isso provoque injustiças sociais.


Este é o senhor que fará pagar o justo pelo pecador.


Este é o senhor que não tinha necessidade de nada disto se apostasse seriamente na fiscalização para que se acabassem os abusos.


Este é o senhor que não tinha necessidade de nada disto se dinamizasse os Centros de Emprego, estimulando por esse meio o trabalho parcial, o auto-emprego e a formação profissional.


Este é o senhor que está a transformar o Ministério da Segurança Social e do Trabalho numa instituição sodomita dos direitos dos que para ele contribuem, mas que nada faz alterar o qualidade das suas funcionárias para algo melhor que a incompetência absoluta.


O senhor de ar cândido que está a ser entrevistado de flor na mão desconfia de todos os beneficiários da Segurança Social, tratando-os a todos como abusadores e dessa forma abusando de todos.


Concluindo, com o governo a que pertence Bagão Félix não esperem mais do que isto. 
  Agradeço

Acuso falta de dinheiro na algibeira.
Ter concorrência é sempre bom, excepto quando o tema é o desemprego. Preferia não ter, seria bom sinal.
Sou um pato sem grupo. Económico, claro está.
Se continuar assim, tarda nada não será a alma a única coisa despida em mim.
O nome da minha mãe não é Shiva nem sou próspero ou bem sucedido, mas de resto tudo confere. 
  Bolsa furada

Já está em funcionamento o site da Bolsa de Emprego Público (obrigado Canhotos, e pela Condição da Classe Trabalhadora também). É suposto ser um portal onde ficará agregada toda a oferta de trabalho disponível na função pública, para actuais funcionários e para o cidadão em geral.
Verifiquei que, sendo eu um "cidadão em geral" não necessito de efectuar registo, bastando dessa forma procurar nas ofertas. Partindo do princípio que não há problemas de funcionamento do site, das duas uma: ou ainda não carregaram as ofertas apesar de terem inaugurado o serviço ou então pura e simplesmente não há ofertas para cidadãos em geral.
Muito útil, portanto.

Nada de nada 
  Balanço Semanal

1 (uma) resposta pendente a entrevista realizada.
1 (uma) candidatura a anúncio de emprego publicados na Internet. (PING?)
0 (zero) candidaturas espontâneas. (PING?)
1 (zero) candidatura a anúncio de emprego publicado nos jornai. (PING?)
0 (zero) notificações de entrega (PONG!)
0 (zero) notificações de leitura (PONG!)
0 (zero) respostas recebidas no seguimento de candidatura (PONG!)
0 (zero) propostas de emprego recebidas.

Total de 1 (uma) candidatura de emprego enviada.

Avaliação da Semana: 2/5

A evolução semanal continua negativa. Os número de anúncios tem-se mantido razoável mas as funções não se adequam em nada ao meu perfil, daí o baixo número de candidaturas.
Pela primeira vez desde que comecei a procurar emprego sou obrigado a enviar uma candidatura por correio, pois o anúncio não oferecia outra opção. Estranho este voltar aos métodos antigos, sobretudo quando a empresa para a qual me candidato trabalha na área das tecnologias de informação. É caso para ficar desconfiado. 
22.10.03
  Intervenção Técnica (por pessoal habilitado?)

Recebi hoje uma carta registada e com aviso de recepção do IEFP.

Assunto: Plano Nacional de Emprego.

Na sequência da sua inscrição no Centro de Emprego e no sentido de dar continuidade ao processo para resolução do seu problema de emprego, realizar-se-á uma intervenção técnica com o objectivo de o apoiar na definição do seu Plano Pessoal de Emprego.
Contamos com a sua presença...


1ª dúvida - Há um Plano Nacional de Emprego??????
2ª dúvida - O que é uma intervenção técnica??????
3ª dúvida - Eu tenho um Plano Pessoal de Emprego??????
4ª dúvida - Só se lembram de mim 8 meses e meio depois??????


No final alertam-me para que a duração da intervenção técnica será de aproximadamente 3 horas. Espero que seja tempo suficiente para me mudarem o óleo, os filtros e, já agora, as pastilhas de travão. 
  Sobre a rotina

Altino Torres deixou-me um conselho (claro que o permito, meu amigo!) no seguimento da descrição da minha rotina diária que pouco mudou desde este dia: que me levante cedo, que faça por replicar um horário como se estivesse empregado. E tem razão, eu devia fazê-lo, mas há uma coisa que me impede, é a falta de um objectivo para o fazer.
Ao princípio de estar desempregado levantava-me de manhã cedinho, ainda habituado a anos a levantar-me da cama às 6h45 da manhã. Depois fui acordando cada vez mais tarde, provocado sobretudo por não sentir sono para dormir (não gasto energias, não me sinto cansado) e acabando por "papar" tudo o que dá na televisão de madrugada, dos TV-Shops à repetição do Curto Circuito na SIC Radical. Durmo sempre entre 7 horas e 9 horas, nunca mais do que isto, o que faz com que na melhor das hipóteses me deixe dormir às 4h da manhã. A hora do acordar é que é sempre a mesma, às 13 horas. E porquê? Porque a essa hora já tenho uma razão para me levantar, o almoço com os meus pais.
Sempre que tenho necessidade de acordar de manhã, muito cedo às vezes, faço-o sem grande dificuldade, o que me permitiu não faltar a nenhum compromisso, consulta médica, entrevista ou casamento este ano. Ou seja, sempre que tive razões para o fazer, fi-lo.
Há muito tempo que tento contrariar isto e há muito tempo que não o consigo. Sei que é mau, inclusivamente para a saúde, viver num fuso horário próprio e sei que perco um ritmo diário que poderei demorar a recuperar quando conseguir voltar a trabalhar. Mas pelo menos então terei um objectivo para me levantar da cama. 
  Espécie de Balanço Semanal

Nas duas últimas semanas não fiz, como de costume, um balanço. Para quê fazer um balanço sem entradas novas na coluna do deve e do haver? Na verdade havia até uma entrada referente a uma entrevista a que fui na semana passada e na qual deposito grandes esperanças. Uma desesperada esperança, para usar as palavras de Bruno Alves.
Por outro lado há a realçar uma maior notoriedade deste blog, com novas pessoas a lê-lo vindas do companheiro de recessão Niilista Optimista, da Espectacológica e do Cidadão Livre. Isso é positivo porque, tal como eu antes de ficar sem emprego não fazia ideia daquilo por que passa uma pessoa nessa condição, mais gente toma agora conhecimento da realidade diária de alguém nesta situação, por acaso da minha realidade. Para fazer uma comparação (bacoca, talvez), lembro-me de Paulo Pedroso dizer ao Expresso que, ele que foi titular da pasta da Segurança Social, ficou admirado com o tratamento à Século XIX que se dão aos presos nas cadeias obrigando-os a tomar as refeições em completo silêncio. Tudo isto para garantir ao Altino Torres que mesmo depois de conseguir um emprego não deixarei de defender e apoiar na medida do possível todos aqueles que estão sem emprego com os meus conhecimentos adquiridos em "trabalho de campo". 
19.10.03
  A mim já me calhou...

Monstro Horrendo AdamastoR põe o dedo na ferida neste post e responde nos comentários a um daqueles indivíduos que dizem por aí à boca cheia que "trabalho é o que há mais para aí", um cego que não quer ver. Muito bem!

Agradeço também a referência no Adufe e o link e o e-mail (ainda vou responder) do autor do blog Os Cães Ladram e a Caravana Passa
18.10.03
  Desejo um emprego a sério

Se hoje consegui escrever tudo isto, foi porque ontem tive uma entrevista que considerei muito satisfatória. Acho mesmo que de todas as que fui até agora esta é aquela em que me pareceu ter mais oportunidades de ficar, para além de ser aquela em que a descrição que me fizeram das funções foi a que mais me agradou.
Mas ainda há um patamar a ultrapassar e esse patamar assusta-me. Tenho receio de deitar tudo a perder nessa última entrevista com o meu nervosismo e insegurança. É que a função não é para pessoas nervosas e muito menos para pessoas inseguras. Lá terei que tomar um Zoloft... 
  Motivo V - Conclusões, deduções e outras ilações

Um desempregado pode trabalhar a tempo parcial. Logo:

- Uma empresa de recursos humanos que opere no mercado do trabalho em part-time poderia publicitar essas vantagens aos desempregados, potenciando dessa maneira uma maior resposta em número de concorrentes às suas vagas.

Uma empresa de recursos humanos que não conhece a lei nem publicita as suas vantagens perde dinheiro. Isto porque:

- Menos candidatos, menos lugares preenchidos, logo menor facturação
- Não contratando desempregados a tempo parcial perde a possibilidade de ter um desconto de 50% de redução na contibuição para a segurança social (artigo 10º do Decreto Lei 168/2003 de 29 de Julho)

As funcionárias da Segurança Social têm como papel esclarecer, apoiar, colocar em prática e agir em conformidade com os decretos que regulamentam as várias vertentes da protecção social, defendendo assim os beneficiários. Isso não acontece. A realidade é que:

- Um beneficiário pouco esclarecido é um beneficiário lixado
- Os beneficiários é que têm de se defender das funcionárias

Os governos legislam de forma intrínsecamente bem intencionada, mas o que decretam tem pouco valor quando:

- Não se forma as funcionárias relativamente às leis que regem as suas actividades
- Não se forma as funcionárias relativamente aos formulários, documentos e declarações que utilizam no dia-a-dia
- Não se dá às funcionárias instrumentos de trabalho que possam melhorar o atendimento, como intranets com informações, processos e procedimentos, sistemas de comunicação adequados ou até mesmo CRMs.
- Se proibe que as funcionárias contactem com o departamento adequado para tirar dúvidas pelo telefone
- Se cria uma blindagem intransponível entre os departamentos da segurança social e o beneficiário, obrigando as funcionárias ao contacto por carta em vez do mais prático e sobretudo rápido telefonema.
- Não se fiscalizam os beneficiários de apoio social de forma a impedir os abusos 
  Motivo IV - O documento que não chega

Pedi há duas semanas o documento que alegadamente está em falta no meu processo na Segurança Social. Insisti várias vezes mas só da última vez a empresa conseguiu dar-me uma justificação para o atraso. Parece que, tal como eu, esqueceram-se de guardar uma cópia no meu ficheiro. Assim, viram-se obrigados a fazer um novo documento que agora tem que ser assinado pela administração. Como a administração da empresa onde trabalhava foi dissolvida, estão a tentar junto do presidente da holding, o qual naturalmente não tem grande disponibilidade para assuntos de caca como o meu.
De qualquer forma, isto levanta uma dúvida relativamente à validade do documento que me enviarão. A assinatura deveria ser feita, não pelo presidente da holding, mas sim pelo presidente da "minha" empresa.
Por este motivo, voltei a ligar para os serviços da Segurança Social de Lisboa (sim, sou chato), desta vez para ser atendido pela Sra. Ana Moura. Não me espantei quando me disse não ter a certeza da legalidade da situação, faltas de informação ou informações incorrectas têm sido o pão nosso de cada dia, só me espantei quando foi saber de uma alternativa possível para me oferecer. E a alternativa proposta foi explicar a situação fazendo um requerimento ao departamento de Desemprego solicitando que processem o meu subsídio de desemprego mesmo sem o documento já que a responsabilidade do extravio é deles e para isso anexar o recibo de documentos que tenho e que prova que o entreguei aquando do pedido inicial.

O fax seguiu ontem de manhã mas a esperança de bons resultados é nula. De qualquer forma, não poderia ficar sem tentar. 
  Motivo III - A nova lei no âmbito do Programa de Emprego e Protecção Social

Quando cheguei a casa estava demasiadamente zangado para baixar os braços. Apesar de tudo, liguei para o número dos serviços centrais da Segurança Social de Lisboa (218424201) à espera de melhor atendimento. Fui atendido pela mesma funcionária, Helena Silva, que me reconheceu talvez devido a eu não ter conseguido conter o choro numa das minhas chamadas para o serviço, pois passou-me de imediato a chamada para uma colega com mais experiência que me poderia atender melhor que ela! Quando passou a chamada disse simplesmente o meu nome, o que me faz crer que no atendimento telefónico da Segurança Social não é só a funcionária Helena Silva que está a par da minha situação.
A colega mais experiente, Ana Cristina Alho, fez de facto um atendimento muito melhor, tão bom que não me esqueci de lho dizer no final da chamada, frisando que de facto tinha sido a única vez que tinha sentido ser bem atendido. Fiquei finalmente a saber que não teria qualquer problema por trabalhar em part-time, bastando apenas para oficializar essa condição dirigir-me à Segurança Social preencher e entregar o tal papel azul preenchido, anexando uma cópia do contrato. Se o contrato fosse mensal deveria fazê-lo todos os meses.
Foi também através dela que soube da existência do Decreto Lei nº 84/2003 de 24 de Abril, a qual nasceu a partir do Programa de Emprego e Protecção Social lançado pelo Ministério da Segurança Social e do Trabalho mas estranhamente ausente do site do Instituto do Emprego e Formação Profissional. Diz então a lei no seu artigo 12º, que "o montante do subsídio de desemprego parcial corresponde à diferença entre o valor do subsídio de desemprego acrescido de 35% deste valor e o da remuneração por trabalho a tempo parcial", o que torna ainda mais atraente o recurso a esta possibilidade.
Mas a lei diz mais. A lei diz que afinal, ao contrário do que me têm dito todas as funcionárias da SS com quem alguma vez falei, tenho direito a receber um subsídio provisório de desemprego. É isto que entendo de "a medida prevista na alínea b) do artigo 3º (pagamento de subsídios provisórios de desemprego) é aplicável desde que não tenha sido deferido o direito às prestações de desemprego até 1 de Março de 2003".

Isto significa portanto que eu, tendo feito o pedido em Fevereiro e continuando a aguardar até hoje, se por uma vez que fosse tivesse recebido uma informação correcta não estaria no aperto em que estou hoje. 
  Motivo II - A lei que só existe no papel

Como na empresa de RH não tinham conhecimento de que se pode trabalhar em part-time estando desempregado, direito consagrado por lei, e como em Lisboa seria impossível ser atendido no mesmo dia, vim ao Centro de Segurança Social da minha zona de residência procurar orientações sobre como oficializar a minha vontade de usufruir do Artigo 21º do Decreto Lei nº 119/99 de 14 de Abril.
Deu para tirar a senha, ir almoçar a casa e voltar para esperar apenas 5 minutos até chegar o meu número, provavelmente a única coisa positiva que me aconteceu nesse dia. Fui atendido por uma senhora gorda de bigode que, se cheirasse a peixe, poderia facilmente ser confundida com uma foca. Coloquei a questão e de imediato disse-me que não podia trabalhar e receber subsídio de desemprego a não ser que esse trabalho em part-time tivesse sido arranjado pelo Centro de Emprego. Desarmou-me, porque apesar de ficar com dúvidas sobre o que me disse concedia a possibilidade de tal ser verdade e desse facto me ter escapado na leitura da lei. Pedi-lhe que confirmasse porque precisava de sair dali com certezas, não com dúvidas. Levantou-se e foi perguntar a uma colega, voltando pouco depois dizendo que a colega "já tinha ouvido falar disso" e com um papel azul na mão. Esse papel, que penso ser a actualização do Modelo nº 346 (declaração de situação de desemprego), tinha um campo para preenchimento para solicitar o subsídio de desemprego parcial e motivou a seguinte frase à funcionária: "eu já me tinha perguntado para que serviria isto". Como ela também não estava segura de que fosse aquilo, exigi falar com a chefe do centro e tive a sorte de ela ir a passar e ter parado quando me ouviu. Antes de falar comigo ainda teve tempo de dar uma rabecada mal-educada a um homem porque a tinha feito esperar e ela se viu obrigada a ir buscá-lo à sala de espera...
A chefe do centro pôs de parte a obrigatoriedade de ser o centro de emprego a conseguir-me um emprego em part-time, mas de resto não ajudou em absolutamente nada. Algumas frases que retive:

- Nunca ninguém veio cá pedir isso
- Não temos conhecimento de como proceder
- Não temos a quem perguntar
- Aconselho-o a enviar uma carta para os serviços em Lisboa a pedir informações e assim, se tiver problemas, sempre tem qualquer coisa por escrito como salvaguarda

Vim-me embora furioso, mas não sem as apelidar de incompetentes. É assim que, em 2003, se chega à conclusão que as funcionárias não conhecem a lei central que rege a protecção social no desemprego, a qual data de 1999. Nem os 4 anos que separam as datas foram suficientes para que aprendessem.

Para que servem as funcionárias afinal? Para receber papéis, não contem com elas para mais nada. 
  Motivo I - Trabalho em Part-Time

Fui a uma entrevista para um part-time a uma empresa especializada na colocação de mão-de-obra, vulgo outsourcing. Encontrei mercenários a actuar no mercado de emprego.
Chegando à empresa, o primeiro choque: não havia recepção, o que havia eram várias secretárias num open space com "consultores" de Recursos Humanos por detrás delas. Dirigi-me a uma e perguntei pela pessoa com quem tinha combinado a entrevista ao telefone. Indicaram-me onde a encontrar e, vendo-me de CV na mão, perguntaram-me se já tinha inserido os meus dados curriculares na página da empresa na Internet. Como não o tinha feito, levaram-me a uma sala com dois computadores onde o podia fazer. Pouco tempo depois já estava acompanhado por um homem que fazia o mesmo e que tinha vindo de Santarém de propósito. Teria mais de 40 anos, de certeza.
Depois de terminar de inserir o meu CV, aguardei a chegada do meu "consultor" nas cadeiras que ficavam em frente à sua secretária. Enquanto aguardava chegou uma pessoa de quem já fui chefe. Apesar dela conhecer a minha situação e encarar com normalidade o facto de eu estar ali, eu não consegui fazer o mesmo e um sentimento de vergonha percorreu-me de cima a baixo, o que me irritou porque tinha prometido que nunca mais o faria. Finalmente chegou a minha vez, o que me poupou a mais alguns minutos de lamentos mútuos.
O consultor apresentou-me a oportunidade à qual tinha concorrido, a qual não tinha nada a ver com aquilo que estava anunciado: em vez de assistência telefónica a clientes era uma campanha de telemarketing para uma empresa de televisão por cabo. Como detesto telemarketing, que acho ser um trabalho frustrante e humilhante, nem discuti, perguntei apenas se haviam outras ofertas e ele apresentou-me duas outras. A primeira era também uma campanha de telemarketing mas desta vez para vender ADSL e a segunda oferta era para assistência a clientes num call-centre. Decidi-me pela assistência a clientes, apesar da assistência a clientes não ser feita pela própria empresa mas sim por uma prestadora de serviços nessa área contratada para o efeito, ou seja, uma situação de duplo outsourcing. Aceitei apesar das condições serem iguais às das outras ofertas que me apresentaram (excepto nos contratos, os outros eram quinzenais). Ofereceram-me então €2,24 por hora (brutos) por um emprego de 5 horas diárias em contratos mensais aos quais se somam o proporcional do subsídio de férias e de Natal. Uma hora de trabalho não chega para comprar um maço de Marlboro!
Saí de lá à espera de um contacto para me informar quando me deveria apresentar na empresa e com a sensação de que a empresa oferece comissões aos consultores por cabeça. Repito, mercenários
  Motivos para a minha ausência

Já há algum tempo que não escrevia. Uma série de acontecimentos causaram uma desmotivação profunda que, acreditem, pouco mais permitiu que vegetar por casa. Um outro acontecimento levantou-me a moral e é por isso que consigo voltar a relatar episódios do meu quotidiano. Tentarei descrevê-los de seguida. 
9.10.03
  Carta Aberta ao Ministro da Segurança Social e do Trabalho

Excelentíssimo Sr. Ministro Bagão Félix,

Vi-o ser entrevistado no Jornal da Tarde da RTP de ontem sobre a questão dos atrasos nos pagamentos de subsídio de desemprego. Ouvi-o dizer que mentiria se não admitisse que a situação está longe da ideal e gostei de o ver assumir essa dificuldade. Mas não o ouvi apresentar as razões do problema, justificar os motivos, nem revelar o que estava a fazer para encontrar uma solução. Muito menos o ouvi dizer que a partir desse momento tudo o que iria dizer era mentira e isto, Sr. Ministro, já não posso dizer que tenha apreciado.
O Sr. Ministro disse que o ideal seria que o tempo decorrido entre a entrega do pedido e o processamento do pagamento fosse de um mês e que "em abono da verdade" tinha que referir que apesar de tudo estavamos a melhorar, já que em Outubro de 2002 o tempo médio era de 83 dias, em Abril era de 56 dias e que agora era de apenas 45 dias.
Antes de mais, Sr. Ministro, deixe-me pedir-lhe desculpas por lhe estragar a média. Peço em meu nome que aguardo há 8 meses, em nome de um amigo que pediu o subsídio há 9 meses, peço em nome das pessoas que apareceram na reportagem, como a Sra. D. Leotilde Granja que espera há 7 meses ou a Sra. D. Virgínia Maria que espera há 3 meses com 3 filhos para sustentar sozinha e que já tem a renda em atraso e dívidas acumuladas, e alargo ainda o meu pedido por todos os outros que (des)esperam há mais do que os 45 dias da sua média, mesmo sendo pessoas que não conheço.
Diz o Sr. Ministro que "é possível encontrar pessoas satisfeitas" mas, digo eu, será necessária uma pesquisa intensiva. Pessoalmente não conheço nenhuma nem relatos parecidos. A única hipótese que encontro para haverem desempregados com o processo tratado em menos de 45 dias é a aventada pela Sra. D. Virgínia Maria na entrevista à porta do Centro da Segurança Social do Porto, a cunha à la Martins da Cruz. Assim parece-me plausível a estatística e o silêncio dos satisfeitos, porque de resto tenho grandes dificuldades em acreditar. Mais estranho ainda que seja possível cumprir esse período de 45 dias (em média) quando, como relatou o DN há dias, há tantos problemas no sistema informático. Voltarei a este assunto e actualizarei esta carta quando o DN me permitir consultar os seus arquivos, que a esta hora os conteúdos são exclusivos dos que utilizam o operador monopolista.

Como dizia, Sr. Ministro, os casos que conheço são bem diferentes. Como o caso de um colega que só depois de ter voltado a trabalhar começou a receber o subsídio, não o valor por inteiro a que tinha direito para "fechar contas" mas em prestações, estando agora a Segurança Social a exigir-lhe o dinheiro de volta alegando que lhe pagou dinheiro a mais quando não chegou sequer perto do valor total em dívida.

Talvez por esta altura o Sr. Ministro esteja confuso com o choque da realidade. Eu compreendo-o, também para mim tem sido um choque mas uma pessoa habitua-se. Agora que sabe como são verdadeiramente estas coisas, vá lá ver o que disse, escolhendo a edição de 8-10-2003 do Jornal da Tarde e avançando para os 16m45s, mais ou menos. Compreende-me agora a mim pela indignação?

Por favor, acorde, não ande com a cabeça na lua.

Cordialmente,
VdC 
8.10.03
  Decreto-Lei N.º 119/99, de 14 de Abril

Amanhã vou a uma entrevista para um part-time para ver se dessa maneira beneficio do Artigo 21. Hoje procurei informação sobre o que deveria fazer para oficializar a situação e fui empurrado dos serviços centrais da Segurança Social pela D. Helena Silva para os serviços do Centro de Emprego, porque "eles é que tratam disso". Os serviços do Centro de Emprego dizem que não tratam, não senhor, e que a D. Helena Silva deve "estar maluca". Os serviços locais da Segurança Social foram mais prestativos, mas só sabem que tenho que pedir uma declaração à entidade empregadora, não sabendo que tipo de declaração ou se há mais algum requisito em especial. Aliás, "para não incorrer em mentiras" a funcionária não se quis comprometer com nada e aconselhou-me a dirigir-me pessoalmente aos serviços.
Ainda bem que fiz tudo isto por telefone, porque a incompetência não me paga as viagens. 
6.10.03
  Ironia f.d.p.

Pisar merda é sinal de dinheiro? 
  Hoje aconteceu-me

Sair de casa. Descer as escadas. Abrir a caixa do correio. Retirar duas cartas que me eram dirigidas. Sair para a rua. Dirigir-me para o café. Pisar merda de cão. Limpar o sapato. Entrar e sentar-me no café. Pedir uma bica. Abrir as cartas. Receber duas más notícias. Saber que a entrevista onde depositava mais esperanças não teve resultados positivos. Saber que a Segurança Social me pede 8 meses depois que lhes envie um documento que lhes entreguei. Indignar-me com o extravio do documento. Dizer foda-se em voz alta no café. Ver as pessoas escandalizadas a olhar para mim. Beber o café, pagar e sair. Vir para casa. Procurar o documento. Não encontrar o documento. Irritar-me com o meu esquecimento de lhe tirar uma cópia. Encontrar um recibo que comprova que entreguei o documento. Ligar para a Segurança Social. Perguntar porque razão o meu processo ainda está na fase de verificar se todos os documentos constam. Constatar a impotência da funcionária, seja em dar respostas, seja em prestar auxílio. Ter um ataque de nervos. Chorar ao telefone com a funcionária. Apontar um número de fax para poder reenviar o documento. Ligar para a empresa onde trabalhava e pedir 2ª via do documento.

Esperar que chegue. 
  Balanço Semanal

Esta semana nem vale a pena fazer um balanço... 
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