Vitima da Crise
29.12.03
  Anedota

Como é que se reconhece um desempregado entre os clientes de um café? É aquele que leu apenas os classificados do jornal, só tem uma chavená de café na mesa e os olhos fixos no vazio. 
  Ponto de situação

Numa palavra: desânimo. É essa a explicação para me ter afastado do blog, deixando praticamente de o actualizar. Mesmo nos últimos tempos, quando o actualizo já não faço o que costumava fazer. Há algum tempo que não há Balanço Semanal, os Sites úteis ficaram-se pelo primeiro e também deixei de relatar os (poucos) episódios que ainda me vão acontecendo. Mas facilmente isto se resolve. Querem ver?

- Nenhuma oportunidade em aberto.
- Número reduzido de candidaturas efectuadas nos tempos recentes
- Nenhuma das candidaturas que efectuei se relaciona com a minha área profissional, porque para essa simplesmente não há
- A Segurança Social já me pagou tudo o que devia, tendo inclusivamente feito o acerto necessário devido ao erro nos seus cálculos
- Já só tenho direito a mais um mês de subsídio de desemprego
- Durante o mês de Janeiro tenho obrigatoriamente de conseguir trabalho, seja ele qual for
- O banco cobra-me uma prestação num valor que eu antes pagava sem dificuldades e que agora é pouco menor do que os salários que se me perspectivam
- O médico de família acaba de me receitar um conhecido anti-depressivo para ver se eu "arrebito"

Percebem donde aparece o desânimo? 
28.12.03
  Intervenção Técnica (VI) - Fim

O que se passou a seguir é feio demais para contar em pormenor. Cheguei a essa conclusão durante o hiato no qual este blog ficou por actualizar. Estou muito arrependido da reacção agressiva que tive. Deitei tudo cá para fora, o que devia e o que não devia e fi-lo sempre da pior maneira, gritando com a TOP (técnica de orientação profissional, para quem perguntou) e inclusivamente com alguns dos meus "colegas" que sairam em defesa da senhora.
Não me consegui conter - não consegui evitar fazê-lo e mesmo enquanto o fazia não consegui parar de o fazer.
Envergonhei-me e talvez por isso tenha demorado tanto tempo a voltar aqui para continuar o episódio. Decido voltar não para o continuar, mas para o encerrar. Este dia não existiu. 
1.12.03
  CONTINUA ASSIM QUE POSSÍVEL (ASAP PARA OS ANGLÓFILOS) 
  Intervenção Técnica (V) - As ajudas

Na verdade, serão mesmo ajudas efectivas? Vejamos.

1. A inscrição num centro de emprego local restringe-se à área que aquele centro abrange. Ou seja, no meu caso sou candidato a emprego em apenas dois concelhos. Há, segundo a TOP, a possibilidade de alargar a inscrição para o nível regional ou mesmo nacional. Mas só agora, 9 meses depois de me ter inscrito, é que isto me é informado.
2. As vagas locais oferecidas pelo IEFP estão afixadas num quadro de corticite no centro de emprego. As regionais e nacionais podem ser consultadas a pedido em dossiers. Dependem, obviamente, de terem sido actualizados pelas funcionárias. Para maior certeza de actualização, consulte-se a Internet. Para consulta das condições e requisitos das funções em recrutamento é obrigatória a consulta ao Diário da República onde foram anunciadas as vagas. Os Centros de Emprego não têm computadores nem o Diário da República acessíveis aos desempregados.
3. Os centros de emprego podem ajudar na criação do próprio emprego ou empresa. É necessária a apresentação de um projecto, o qual será sujeito a avaliação pelos seus técnicos. O meu colega vendedor de automóveis fê-lo e para um trespasse de uma loja para o qual necessitava de 6 mil contos ofereceram-lhe 2 mil. Desistiu.
4. É oferecida formação subsidiada para qualificação, reconversão ou aperfeiçoamento profissional. Os cursos oferecidos são pouco ambiciosos. A maioria das ofertas nesse âmbito oferecem qualificações baixas, sobretudo para funções na indústria, como por exemplo calçado e curtumes, metalurgia e metalomecânica, indústrias extractivas, etc, conforme a TOP me explicou em termos gerais. A oferta para a nova vaga de desempregados (técnicos qualificados e licenciados) é quase inexistente ou inadequada. Tudo o que perguntei não existia. E tive de perguntar porque a TOP se recusou a dar-me uma lista de cursos, já que é dela essa função nas sessões de orientação profissional, como se verá no próximo ponto.
5. É possível a participação em programas de orientação profissional. Na presença e pelo aconselhamento de uma TOP, o desempregado é "orientado" sobre o curso ou função mais adequada ao seu perfil curricular. A sensação com que fiquei é que a própria TOP pode, se quiser, "orientar-se" com o centro de formação privado que melhor a remunerar para desviar para lá candidatos aos cursos. Pareceu-me ser sua política (não necessariamente do IEFP) não dar uma listagem dos cursos aos candidatos. Parece-me óbvia a razão: não é segredo para ninguém que isto é um negócio da China, com os formadores desses centros a ganharem mais de 50€ à hora. Talvez as TOP consigam uma parte do bolo por via das suas "orientações".
6. Pode-se obter informação sobre protecção social no desemprego. Mas segundo a TOP, essa responsabilidade é da Segurança Social, não deles. Ela até desconhecia o Guia da Protecção Social no Desemprego, editado e disponível no site do IEFP.
7. Pode-se participar em programas ocupacionais. O objectivo não é mais do que isto: ocupar os desempregados. Uma das presentes na intervenção técnica, desempregada com um filho de 16 anos e outro de 13, ganhando 80 contos de subsídio, foi encaminhada para a Santa Casa da Misericórdia. Ali oferecem-lhe o pequeno almoço, o almoço e o passe social. Perspectivas de ficar lá a trabalhar: nenhumas. Mas pelo menos está ocupada.
8. Os centros de emprego ensinam técnicas de procura de emprego. Aprende-se a fazer um currículo, escrever uma carta de candidatura, responder a um anúncio, a sentirmo-nos à vontade numa entrevista e a conhecer e a explorar as oportunidade de trabalho existentes na região. Mas a TOP desconhecia todos e quaisquer sites de emprego na Internet. 
  Intervenção Técnica (IV) - As outras Vítimas da Crise

Poucos falaram. Como não houve iniciativa por parte da TOP nesse sentido, foi difícil conhecer a história de cada um, mas pelas conversas apercebi-me que, para além do anteriormente referido vendedor de automóveis, haviam um agricultor, uma antropóloga, uma designer industrial, uma professora de matemática.
O vendedor de automóveis, casado e com dois filhos, ficou desempregado um mês antes da mulher. Ambos trabalhavam num dos ramos de actividade mais afectados pela recessão, ambos viveram bastantes dificuldades por só receberem o subsídio de desemprego 7 meses depois de o terem pedido. Segundo ele, pelo menos não lhe aconteceu como a uma pessoa a quem conheceu a história. Um homem, desesperado, telefonava diariamente para a Segurança Social para saber quando teria o subsídio processado para que lhe enviassem o cheque. Vendo-se sem alternativas, suicidou-se de manhã tendo o cheque chegado à caixa do correio à tarde. A história pareceu-me um bocadinho uma lenda urbana, mas de qualquer forma não quis deixar de a contar.
O agricultor tinha sido despedido pelo patrão devido à descida do preço do leite.
A antropóloga licenciou-se e até este momento não conseguiu melhor que fazer estágios não remunerados.
A designer industrial nem estágios consegue.
A professora de matemática ficou de fora nos concursos. No caso, acho que ainda bem. Não confio em pessoas que dizem "ensino segundário"... 
  Intervenção Técnica (III) - Insensibilidade e falta de bom senso

A verborreia da TOP (entenda-se como diarreia verbal) ocupou quase duas horas só com os pontos anteriores. Se antes tinha feito questão de nos fazer saber que não tinha conhecimento dos temas da actualidade por não ler jornais ou ver noticiários televisivos, agora que ia entrar finalmente na explicação dos apoios disponibilizados pelo IEFP fazia-nos saber que não tinha nem queria ter conhecimento das nossas informações curriculares. De outra forma, justificou, prestar-nos-ia um mau serviço tentando adaptar as informações que daria a cada um de nós. Assim, esperava informar-nos de forma mais geral e, claro, se quisessemos informações mais concretas poderiamos solicitar uma entrevista de orientação com ela (e dessa forma justificar a sua necessidade na estrutura do Centro de Emprego, digo eu). Nunca perguntou o nosso nome nem pediu uma apresentação individual. Penso que dessa forma pretendeu evitar algum sentimento de empatia que pudesse eventualmente despontar nela. É muito mais fácil ser-se incompetente quando não se sente problemas de consciência provocados pelas repercussões negativas dos nossos actos sobre os outros. 
Diario de um Desempregado

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