Vitima da Crise
28.1.04
  Where do you stand?

Pensei colocar como título Happy Happy Joy Joy, mas achei que era uma expressão demasiado Clube Disney, por isso escolhi esta expressão em inglês, para a qual não encontro agora correspondência na nossa língua, a qual expressa na perfeição a pergunta que me quererão fazer. Passo a responder.

Em primeiro lugar, a saúde. Os comprimidos que o meu médico de família me receitou têm o mesmo princípio activo do Prozac, também conhecido como o comprimido da felicidade. Apesar disso, não fiquei muito satisfeito com o facto dele simplesmente me ter receitado Psipax para 1 ano e me ter mandado à minha vida. Como perdido por cem, perdido por mil, preferi procurar alguém especializado. Estou então a ser tratado por um psicólogo, tendo consultas semanais a 20€ cada, sem recibo, porque com recibo é 35€ e eu ultimamente não tenho andado muito sensível à problemática da fuga aos impostos (não, Manuela, tu não leste isto). Tenho portanto um complemento para a terapia que o blog representa. :-)
Não sei se do comprimido se das consultas, mas a verdade é que me sinto bastante melhor. Estou mais confiante, tenho tido grande à vontade (mas não à vontadinha) nas entrevistas e aceito melhor "a minha condição". Estou estupidamente optimista e não sei explicar porquê. É claro que ajuda ter neste momento 3 oportunidades de trabalho em aberto. Uma está bem encaminhada (duas fases ultrapassadas), está dentro das minhas competências e especialização e mesmo em termos financeiros a proposta é interessante. Já em termos de estabilidade e de perspectivas futuras não me parece a hipótese mais agradável, visto tratar-se de uma contratação em outsourcing a termo indefinido e sem direito a período de vacanças, sendo pago no final do mês o proporcional do subsídio de Natal e de Férias. Como é isto possível em termos legais, não sei, mas daí se explicam os valores engraçados de que me falaram...
As outras duas oportunidades estão para todos os efeitos na mesma fase, embora as empresas lhes tenham trocado a ordem. Assim, numa delas já fui entrevistado e tenho marcados psicotécnicos para o final da semana, e na outra já fiz psicotécnicos e tenho a entrevista por agendar. Em ambas já me foram informadas as condições, sendo que na primeira os valores assemelham-se aos da remuneração que auferia na minha última função e os da segunda não chegam nem a metade do valor. A primeira está dentro das minhas capacidades mas não é do ramo no qual sou qualificado e a segunda é no ramo no qual tenho qualificações mas está abaixo das minhas capacidades. Um pormenor muito interessante sobre a primeira é que logo no dia em que me contactaram fizeram questão de frisar que é um trabalho com isenção de horário que implica grande disponibilidade por parte da pessoa, algo que foi por demais repetido durante a entrevista. É engraçado que, apesar de já me imaginar a trabalhar 16 horas por dia, estou muito entusiasmado. Acabo de dar conta que já tenho saudades de ser explorado... :) 
  As ajudas (são benvindas)

Primeiro Tchernignobyl e depois Luís Ene questionam-se sobre se alguém poderá fazer algo para me ajudar. E têm razão em perguntar porque eu já devia ter relatado as ajudas que me chegaram (que me chegaram algumas) e tê-lo-ia feito na devida altura não fosse o crescente afastamento que tenho tido deste blog.
O Manuel Alçada (ex-Assembleia e actual Cruzes Canhoto) foi uma das pessoas que o fez, por duas vezes até, a última das quais ainda não há muito tempo. Acho importante partilhar o que lhe escrevi em resposta:

"Como sabe, edito o blog anonimamente. Recordo-me que já tinha oferecido a sua ajuda anteriormente, mas na altura devido ao meu desejo de reserva de identidade escolhi não lhe enviar o meu CV. Não foi por uma questão de falta de confiança em si, mas porque ninguém, nem sequer as pessoas que me estão mais próximas têm conhecimento da existência daquele blog, embora conheçam o outro que mantenho. É demasiadamente íntimo o que lá está escrito e, apesar de sem dificuldade o partilhar com o mundo, prefiro deixar os meus no desconhecimento das minhas fraquezas. Precisava de desabafar e assim fi-lo sem prejuízo da sua moral, protegendo-os e tentando fazer deles os meus refúgios optimistas, o que duvido ter sido possível se conhecessem a extensão da minha apreensão. Mas agora acho que, tendo chegado ao ponto a que cheguei, isto já não se justifica."

Enviei o meu C.V. e o Manuel tem tentado uma colocação para mim através da empresa de Recursos Humanos onde trabalha (mais uma vez, obrigado!). Mas apesar de lhe ter revelado a minha identidade, este continua (e continuará) a ser um blog anónimo e seguirá sendo editado no desconhecimento dos meus amigos e familiares. Algumas das razões estão aí em cima e as restantes espalhadas por vários posts no blog. Contudo, aceito e agradeço a ajuda de quem, seja ou não por inerência das suas funções, esteja em condições de o fazer.

Mas, tão ou mais importante, recebi também outro tipo de ajuda: apoio moral. Para além dos links, dos comentários nas entradas e de todos os posts que este blog já motivou, devo destacar dois e-mails.
Um deles chegou vindo do Nélson do Ai Jasus! logo no dia seguinte a eu ter escrito isto. O Nélson tem sido um leitor fiel e, como todos os outros, não me conhece. Mas quando sentiu que eu estava a ir-me abaixo, apressou-se a enviar-me uma mensagem para me dar ânimo (Nélson, a resposta está em dívida, pagarei assim que possa). A sua atitude comoveu-me e ao mesmo tempo deu-me força. Um desempregado tem a sensação de que está sozinho, de que é o único a atravessar momentos difíceis e que os seus problemas são incompreensíveis para a maioria das pessoas. O Nélson percebeu isso e relatou-me o seu próprio caso e dessa maneira voltou a colocar-me nos carris da objectividade (que linda imagem!).
Esta solidariedade está também presente numa mensagem que recebi na mailbox durante o fim de semana. Um consultor de Recursos Humanos que, para além de uma extensa lista de conselhos práticos que vou pedir para publicar, me escreveu esta frase: "confronto com a realidade que descreve todos os dias e no entanto nunca a tinha sentido tão fundo". Antes de mais, fico feliz por, aparentemente, ter conseguido expressar bem os sentimentos que me percorrem e que, calculo, percorrem qualquer outro desempregado. Há no entanto uma palavra que eu penso que nunca usei aqui e que vi Pacheco Pereira usar na SIC quando, há 2 ou 3 semanas atrás, puxou as orelhas a Bagão Félix por este ter desvalorizado um atraso de 3 dias no pagamento do subsídio de desemprego. Com essa palavra - dignidade - Pacheco Pereira fez uma afirmação que pode servir como sumário de tudo o que já disse neste blog: "Um desempregado sente-se ferido na sua dignidade". Precisamente. 
  APELO

Soube por aqui que o Vítima da Crise foi referido na revista Única do Expresso. Apesar de ter comprado o habitual calhamaço ao fim de semana para a habitual consulta do Caderno de Emprego, infelizmente não tenho a revista por dela me ter esquecido no Algarve, de onde regressei hoje depois de ter aproveitado um dos raros fins de semana em que a namorada consegue ter os dois dias de folga seguidos (contigências de quem trabalha por turnos). Por isso peço e agradeço em antecedência a quem quer que me possa enviar por e-mail uma digitalização do artigo. 
  Agradeço

Todos os links, e-mails e votos de sucesso que me chegaram neste período em que estive sem actualizar o blog.

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