Vitima da Crise
10.2.04
  FIM

Foi um período difícil, este. Estar desempregado durante um ano, dois meses e oito dias não é nada fácil e prejudica a moral até do mais forte. Ter sido obrigado a esperar nove meses e seis dias para receber o subsídio de desemprego também não ajudou nada. Quem se viu de repente na possibilidade de ser incapaz de cumprir com as obrigações que assumiu junto do banco, sem capacidades de manter o nível de vida que tinha conseguido com muito trabalho e sacrifício e, sobretudo, sem saber o que esperar do futuro, sente-se desanimado, humilhado e às vezes até mesmo em pânico. "Ferido na sua dignidade", a expressão que considero ser a que melhor define o estado de espírito de quem encontra no desemprego.
Como o que não me mata me torna mais forte, acredito que saio a ganhar desta situação. Dou agora muito mais valor ao trabalho, à estabilidade emocional e financeira que um emprego proporciona, à felicidade que é poder ter-se objectivos e uma forma de os poder atingir. Por outro lado os pequenos problemas, aquelas pequeninas chatices do quotidiano, desencontros e mal-entendidos, passam a ter para mim uma importância relativa. Há na vida coisas muito mais importantes do que isso, prioridades que devem ser atendidas mesmo que se forma resignada.

Este foi sempre um blog a prazo, que prometi terminar quando conseguisse emprego. Termina, mas não morre. Ficará aqui, para quem o quiser ler. O e-mail continuará activo e disponível para qualquer assunto.

Muito obrigado a todos. Até sempre.
VdC 
  Como conseguir um emprego

Um consultor de Recursos Humanos enviou-me recentemente um e-mail com vários conselhos, muito úteis e relevantes, sobretudo porque vêm do outro lado da "barricada" e dão uma ideia de como as coisas se processam. Este blog não é apenas meu, é de todos os que estão neste momento desempregados e à procura de emprego, por isso pedi-lhe autorização para os publicar. Tenho a certeza de que serão uma boa ajuda para todos os que se preocupam em melhorar as suas candidaturas para conseguir o trabalho que tanto desejam.

Um GRH recebe por dia umas dezenas de candidaturas ou respostas a anúncios. Às vezes são centenas. Às vezes são milhares. O seu trabalho é escolher os 10/20 melhores para apreciação mais cuidada. É portanto fulcral o CV e a carta de apresentação para se ganhar uma entrevista. O primeiro erro do VdC será eventualmente as 3 páginas do seu CV. Será mesmo necessário? Acredita se lhe disser que os melhores CV’s têm uma página, no máximo duas? E que pertencem a pessoas extremamente activas desde há bastantes anos...? É fundamental fazer um currículo dedicado à função a que se candidata. Faça uma selecção cuidada do que lhe parece ser relevante e evidenciador de competências para o emprego que procura. Não faça perder tempo ao GRH porque ele não o pode perder. Não se ofenda com o o que lhe vou dizer mas tenho muitos(as) colegas que afastam imediatamente um currículo que os(as) faça perder tempo. Tenha em mente que a toda a hora está uma montanha de papel em cima da mesa para apreciar e dar parecer num muito curto espaço de tempo. Foque bem o que quer que se saiba. Capriche na explicação de determinada função que desempenhou, não na quantidade da explicação, mas na qualidade. Sugiro a função seguida de 4/5 bullets com as principais competências. Desista das funções não especializadas que desempenhou. Já passou essa moda. Neste momento são até mal vistas algumas vezes – reflectem uma pessoa dispersa. Isto partindo do princípio que pretende uma função especializada.
Ganhando a entrevista tente rever a sua forma de pensar. Não tenho ideia de como se comportará na entrevista mas os seus posts reflectem alguma insegurança a um olho treinado. Combata a sua inteligência quando estiver a dar-se a conhecer. Não se justifique demasiado. Dê antes a conhecer motivação, confiança nas capacidades, pro-actividade, ambição… É isso que se procura. Ou pelo menos é isso que acaba por fazer a diferença entre candidatos iguais.
A questão do curso… É muito vulgar. Existem muitos candidatos com frequência universitária, ou com cursos completos que não lhes deram competências. Muito vulgar! Tente compreender que no curso não se procura propriamente competências ou conhecimentos… procura-se a capacidade de aprender, o espírito de sacrifício para estudar o que se gosta e o que não se gosta. O sucesso em finalizar um projecto duradouro. A interacção com os colegas de universidade (foco de relações privilegiadas a vários níveis) e a presunção de se querer pertencer a uma elite mais esclarecida. É essa a essência. O VdC ao dar a conhecer as suas frequências universitarias e ao querer conquistar uma responsabilidade superior ou um emprego com estímulo intelectual compete com pessoas igualmente motivadas mas já com algumas provas dadas. Provaram, no mínimo, que conseguiram compreender um número de problemas e os conseguiram resolver com fundamento científico e não apenas empírico. Mas este seria um assunto que levaria muito mais que um mail a aprofundar. Retenha o seguinte: ou tira relevo às suas frequências universitárias, ou aprenda a justificar de uma forma evidente porque desistiu. Responda sem lhe perguntarem porque achou que devia deixar de adquirir conhecimentos “certificados”. Explique que outros conhecimentos adquiriu em substituição. Minta se for necessário! Diga que foi recrutado agressivamente para o seu primeiro emprego – que a proposta pareceu irrecusável na altura e que a vida ditou o resto do caminho. Faça o resto do currículo condizer com essa estória…Mostre-se um activo fundamental.
Esqueça o dinheiro. Se consultar a pirâmide demográfica do nosso pais verá que está a concorrer com a maioria da população em procura de emprego. Neste momento não há espaço para mercenários. Menos ainda se não forem conhecidos. Primeiro ganhe o emprego. Depois mostre como o merece. Depois preocupe-se com o vencimento. Respeite o mercado. O mercado é soberano. Se pede a função A e paga X por ela… não sonhe com a função B e rendimento Y. Se der consigo a fazer algo que sente não o dignificar ou às suas capacidades… guarde isso para si. Omita-o do seu currículo e continue à procura. Mas não se acomode ou perca a oportunidade de aprender a cultura de uma nova empresa. Só o detalhe de estar ocupado e ter uma base de partida já ajuda muito nas entrevistas futuras. Não directamente… mas na sua atitude.
 
  As ajudas externas

Não creio que, agora que vou começar a trabalhar, precise ainda dos meus auxiliares de humor. Aliás, não consegui ainda decidir se me foram verdadeiramente benéficos e se me ajudaram de alguma maneira a conseguir emprego. Continuarei por enquanto a tomar os Psipax mas apenas porque o meu médico de família me avisou que não podia deixar de os tomar de um dia para o outro. Mas hoje será a minha última consulta no psicólogo. Dar-lhe-ei a boa nova, haveremos de conversar um pouco sobre o assunto, talvez façamos uma última sessão de relaxamento e no final despeço-me dele. Até nunca mais, de preferência. 
  O último passo

A entrevista no cliente final foi duríssima. Eram dois os meus entrevistadores e ambos, sei agora, desempenhavam um papel. Foram muito frios não demonstrando qualquer emoção (excepto enfado, talvez) e o seu grau de assertividade roçava a arrogância. Tentei um pouco de humor, mas nem assim consegui ver-lhes os dentes... Em momento algum percebi se o que estava a dizer estava a ser apreciado ou não, tal era a imutabilidade das suas expressões faciais. Chegaram mesmo a dizer-me que as minhas respostas eram apenas politicamente correctas, apontaram como defeito o meu (natural) nervosismo e formalidade questionando se essas eram características habituais da minha personalidade, puseram em xeque as minhas capacidades e provocaram-me ininterruptamente tentando colocar-me sobre pressão para ver como eu reagia. Aparentemente terei reagido bem, visto que fui seleccionado para o lugar. Mas tanta agressividade teve o seu efeito, pois quando saí de lá vinha completamente atordoado. Fiquei, obviamente, preocupado por não ter conseguido entender se o resultado tinha sido positivo ou negativo e, por me parecer que ainda assim entre os dois o pior seria o mais provável, comecei a preparar-me para mais um insucesso. Felizmente estava enganado e isso só torna o facto de ter conseguido este emprego ainda mais especial.
Recordo que este foi o processo de selecção mais rigoroso e exigente em que participei em toda a minha existência, por isso esta é uma vitória pessoal muito importante. Sei que isto foi apenas uma batalha e que, provavelmente, terei mais algumas iguais a esta na minha vida. Apesar disso, sinto-me como se tivesse ganho a guerra. 
9.2.04
  ACABOU-SE

Agora é difícil dizer muito mais que isto, até porque neste momento o ecrã não passa de uma coisa difusa que está na minha frente devido ao estado aquoso em que se encontra a minha vista. Mais tarde (ou amanhã) voltarei para terminar este blog de uma forma mais detalhada. Mas entretanto fiquem a saber a notícia que recebi há pouco: CONSEGUI EMPREGO! E sim, na melhor de todas as oportunidades que tinha em aberto. :-) 
6.2.04
  Como é fácil enganarmo-nos

No último ponto de situação falei de três oportunidades em aberto, das quais uma já estava bem encaminhada. Pois das três é precisamente a que estava bem encaminhada aquela que agora me parece ter menos hipóteses de resultar em emprego...
Na altura as coisas correram muito bem. Fui chamado para uma entrevista nos Recursos Humanos da empresa e senti que tinha sido apreciado positivamente, tanto que me pediram para não ir ainda embora e ter de imediato uma nova entrevista com a responsável pelo departamento ao qual me estava a candidatar. Essa também correu bem, pelo menos foi o que subentendi do facto de no final a responsável pelo departamento me ter entregue o seu cartão de visita e me ter dito para lhe telefonar caso precisasse. Mas agora que o prazo que me indicou para a tomada de decisão já está mais que ultrapassado, não atendeu nenhuma das minhas chamadas.
Decidi não insistir mais, até porque as outras duas oportunidades têm tido um desenvolvimento positivo. Á que está abaixo das minhas capacidades já só falta uma última entrevista, para a qual aguardo marcação, e que deverá ser com uma pessoa que já me chefiou, pelo que estou absolutamente confiante de obter resultados. Contudo, em relação à oportunidade que prefiro, que está dentro das minhas capacidades e de todas aquela que mais garantias de futuro me pode oferecer, tenho já a última fase marcada após ter passado pelo processo de recrutamento mais rigoroso e exigente onde me lembro de ter participado. A selecção foi realizada numa empresa de consultoria em RH onde fiz psicotécnicos, testes de português, exercícios que requeriam cálculos e interpretação de dados estatísticos, colaborei na realização de duas tarefas em grupo e entrevistaram-me exaustivamente por duas vezes, uma no início e a outra no final do processo. Sou agora entregue ao cliente final, ou seja, à empresa onde, se tudo correr bem nesta última fase, começarei a trabalhar.
Tenho motivos suficientes para isso, por isso até podia, mas não quero sentir-me muito optimista. É que aprendi durante este período em que tenho estado desempregado que é demasiadamente fácil estar errado e ser desiludido. Sobretudo agora, que em caso de desilusão será daquelas mesmo em grande. 
5.2.04
  Psicologia

No dia da consulta não tive disponibilidade para ir. Liguei-lhe a avisar, com a intenção de perguntar se me poderia dar a consulta noutro dia da mesma semana. Mas não precisei de dizer quase nada. Bastou dizer que não poderia ir à consulta para que o meu psicólogo respondesse:

- Sabe que se não vier à consulta tem que a pagar na mesma?

Talvez devido ao meu silêncio, embasbacado que fiquei com o que acabara de ouvir, pareceu-me ter notado que não escolhera a melhor maneira de me dar essa informação e procurou uma solução rapidamente.

- Deixe-me consultar a agenda a ver se lhe consigo arranjar outro dia. Pode ser 4ª Feira às 10h20m?

Poder, pode. Poder, pôde, que já lá fui. Mas já não o consegui encarar da mesma maneira. Não o vejo mais como uma pessoa que me presta apoio psicológico, mas sim como uma pessoa que não presta, que está apenas preocupada com o dinheirinho livre de impostos que vai receber no final da sessão. Algo me diz que não irei a muitas mais consultas ao Dr. Insensibilidade. 
Diario de um Desempregado

vitimadacrise@softhome.net

ARQUIVOS
200306 200307 200308 200309 200310 200311 200312 200401 200402


Powered by Blogger    

Luso-Blogs

PT Bloggers
Blogs em PT

Instituições Estatais

Bolsa de Emprego Público
INFOCID - Portal da Administração Pública
Ministério da Segurança Social e do Trabalho
Segurança Social
Instituto do Emprego e Formação Profissional

Portais Nacionais de Emprego

Superemprego
Expresso Emprego
Bolsa de Emprego
Net Empregos
Central de Emprego

Classificados de Emprego

Agência Financeira

Empresas de Recursos Humanos

My Jobs
Stepstone
Hays Personnel
Hay Group
Egor Job Bank
Tutela
Vedior
Select
Mercuri Urval
Shortlist
SHL
Michael Page International
Cegoc
Randstad
Multipessoal

Portais Internacionais de Emprego

Total Jobs
Top Jobs
Jobs.com
Monster
Career Builder
Future Step
Working Day
Career Journal